Sintonize a Rádio Chuabo – 103.0 FM

Início Site Página 27

Do CEPAGRI ao Vale do Zambeze: a herança incómoda de Roberto Albino

0

Na política moçambicana, o tempo tem-se revelado um aliado generoso para alguns dirigentes. Mesmo quando os relatórios oficiais expõem fragilidades graves na gestão de fundos públicos, as consequências tendem a evaporar-se no silêncio da impunidade. É neste retrato que se inscreve o nome de Roberto Mito Albino, actual Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), cujos mandatos à frente de instituições estratégicas continuam a levantar interrogações que não se apagam com o tempo.

A Global Titan Contabilidade e Auditoria trouxe novamente à tona um passado incómodo, ao analisar relatórios da Inspecção-Geral de Finanças (IGF) e do Tribunal Administrativo (TA). Documentos que, longe de serem simples registos burocráticos, descrevem um padrão de irregularidades no Centro de Promoção da Agricultura (CEPAGRI), entre 2006 e 2011, e na Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze (ADVZ), em 2017.

No CEPAGRI, as promessas de revolução agrícola traduziram-se em buracos financeiros difíceis de justificar. Programas de crédito com tractores avaliados em mais de 61 milhões de meticais resultaram em reembolsos irrisórios, não chegando a 5% do valor total. Na distribuição de sementes, o abismo entre os montantes investidos e os recuperados é ainda mais gritante: 284 milhões aplicados contra apenas 2,9 milhões devolvidos. Os números, oficiais, não são meras estatísticas – representam a erosão de uma política agrícola que falhou na sua base.

Já na ADVZ, em 2017, as contas públicas voltaram a tropeçar. Pagamentos sem suporte adequado, despesas fora de projectos, fundos externos de origem holandesa sem prestação de contas, obras com orçamentos sem rastreio documental. Do Grande Salão de Actos em Tete aos centros de negócios em Caia e Mocuba, o que fica no papel são cifras astronómicas, somando mais de 142 milhões de meticais sem clareza na aplicação.

A Global Titan não poupa nas palavras: a nomeação de Albino ao mais alto cargo do sector agrícola, em 2025, é vista como um prémio e não como um acto de responsabilização. A crítica não se limita a um juízo técnico, mas lança luz sobre uma contradição política maior: como pode alguém cujo percurso administrativo está marcado por falhas graves assumir a pasta de um sector que hoje enfrenta enormes desafios de sustentabilidade e credibilidade?

Para académicos, o caso Albino revela uma das maiores fragilidades do Estado moçambicano: a incapacidade de transformar relatórios de auditoria em processos de responsabilização efetiva. Manito Casimiro, ouvido pelo Txopela, explica que “a gestão danosa dos recursos públicos deveria conduzir a inquéritos e, eventualmente, a processos disciplinares ou criminais. Quando isso não acontece, transmite-se a mensagem de que a corrupção e a má gestão são toleradas”.

A mesma linha de pensamento é seguida por organizações da sociedade civil. A ONG Centro de Integridade Pública (CIP) tem reiterado que a ausência de responsabilização mina a confiança da população nas instituições. “Se os relatórios da IGF e do TA não tiverem consequências práticas, estamos a institucionalizar a impunidade”, afirmou um analista do CIP, lembrando que a repetição destes padrões de governação mina a credibilidade do próprio Estado.

Por sua vez, académicos ligados à Universidade Licungo sublinham que a nomeação de Albino ao Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas “não apenas fragiliza o sector que dirige, como também cria um precedente perigoso: a ideia de que falhar na gestão pública não tem custos políticos, mas pode, paradoxalmente, abrir portas para ascensões ainda maiores”.

O peso no campo

Mas o impacto das irregularidades não se resume a números em relatórios. Na Zambézia, os camponeses sentem no corpo as consequências de políticas que falharam.

“Ouvi falar desses tractores, mas nunca chegaram aqui. Continuamos a usar a enxada de cabo curto, como os nossos avós”, contou ao Txopela Felisberto João, camponês de Nicoadala. Já em Mopeia, Maria Alima, produtora de milho, desabafa: “Prometeram sementes melhoradas, mas o que recebemos foi pouco e não germinou bem. Hoje dependemos das chuvas, e quando falham, ficamos sem nada”.

Associações rurais também partilham frustrações. A União dos Camponeses da Zambézia lembra que a falta de fiscalização e a má gestão de fundos públicos têm atrasado projectos que poderiam modernizar a agricultura. “Se aqueles milhões fossem aplicados como devia, muitos de nós já teríamos condições para mecanizar a produção e enfrentar as mudanças climáticas”, disse o presidente da organização, Manuel Chilaule.

Um problema estrutural

O caso do ministro não é um acidente isolado. Faz parte de uma teia mais vasta, onde gestores públicos acusados de má conduta raramente enfrentam consequências sérias. Analistas recordam que, nos últimos anos, relatórios do Tribunal Administrativo têm apontado dezenas de situações semelhantes, mas a justiça raramente chega aos seus destinatários.

Enquanto isso, os camponeses – os supostos beneficiários de programas como os do CEPAGRI ou da ADVZ – continuam a trabalhar com enxadas rudimentares, dependentes das chuvas incertas e sem acesso a tecnologias que poderiam melhorar a produtividade. A distância entre os milhões que desapareceram em irregularidades e a realidade do campo é, talvez, a mais gritante denúncia de uma governação que parece esquecer a sua razão de existir: servir o povo.

No Maputo político, gabinetes com ar condicionado discutem estratégias de “modernização agrícola”, enquanto no campo mulheres continuam a carregar água em bidões à cabeça e homens aram a terra com bois magros. A contradição é brutal: milhões evaporam-se em contratos mal explicados, mas o suor que garante o pão do país continua preso à enxada de sempre.

Roberto Albino é hoje ministro, sentado numa cadeira que simboliza poder e autoridade. Mas no chão vermelho da Zambézia, onde cada semente lançada é um pacto de sobrevivência, o seu nome é apenas mais um na longa lista de dirigentes que prometeram modernizar o campo e deixaram atrás de si apenas números opacos, relatórios empoeirados e uma nuvem de desconfiança.

A história, no entanto, não se apaga com decretos nem nomeações. Ela insiste em cobrar, e o julgamento que os relatórios da IGF e do TA representam é também o julgamento silencioso de milhões de moçambicanos que, diante da fome e da pobreza, perguntam-se: até quando a impunidade será a maior política agrícola do país?

Zambézia: Tragédia em areias pesadas reacende debate sobre segurança em empreendimentos mineiros

0

Um menor de apenas oito anos morreu soterrado em circunstâncias trágicas nas instalações da empresa mineira Africa Great Wall Mining Development, na província da Zambézia. A vítima foi surpreendida por um camião que, no âmbito da construção de um porto de carga, descarregava toneladas de areia ao longo do rio dos Bons Sinais.

O episódio, ocorrido numa tarde em que várias crianças transformavam o estaleiro em campo de brincadeiras, deixou uma família em lágrimas e uma comunidade inteira em choque. “As crianças já se habituaram a entrar no recinto, porque não há barreiras nem vigilância. Se houvesse um muro, isto não teria acontecido”, lamentou um dos familiares.

Embora não tenha respondido formalmente à imprensa, a direção da Africa Great Wall Mining Development terá, segundo fontes próximas da família, prestado apoio imediato, disponibilizando valores monetários para custear o funeral do menor. Mas o gesto, ainda que de alívio momentâneo, não apaga a dor nem resolve a questão maior: a ausência de mecanismos de segurança eficazes em empreendimentos mineiros que se instalam em zonas habitadas.

Histórias que se repetem

Esta não é a primeira vez que a exploração de recursos minerais na Zambézia se cruza com a tragédia. Em anos recentes, relatos de acidentes envolvendo menores e jovens em zonas de mineração artesanal ou em áreas concessionadas a empresas têm-se multiplicado. Em 2018, por exemplo, três adolescentes perderam a vida na localidade de Pebane, depois de um deslizamento de areia numa mina explorada de forma precária. Em 2021, outro episódio sombrio ocorreu em Inhassunge, quando duas crianças foram arrastadas por águas contaminadas resultantes de escavações ilegais.

Apesar da gravidade, poucos destes casos chegam a merecer inquéritos públicos ou medidas regulatórias de impacto. A tendência tem sido de silenciamento ou de resolução pontual com apoios financeiros às famílias, deixando intactas as condições de risco que ameaçam as comunidades.

Desenvolvimento versus vulnerabilidade

O caso ocorrido ao longo do rio dos Bons Sinais expõe, mais uma vez, a contradição entre as promessas de progresso económico trazidas pelos megaprojetos e a realidade das populações locais. A construção de um porto de carga é apresentada como sinal de crescimento e oportunidade, mas para famílias vizinhas ao empreendimento, a proximidade traduz-se em vulnerabilidade.

Especialistas em direitos comunitários têm reiterado que as empresas devem não apenas respeitar normas ambientais, mas também salvaguardar a segurança das populações, sobretudo dos grupos mais frágeis — como crianças —, cujas vidas podem ser interrompidas por falhas evitáveis.

Vozes que clamam por mudança

A dor da família do menor soterrado soma-se a um clamor cada vez mais audível na Zambézia: a necessidade de responsabilização das empresas e de maior intervenção do Estado. Organizações da sociedade civil lembram que os contratos de concessão mineira preveem mecanismos de proteção social e ambiental que, na prática, raramente são cumpridos.

O silêncio da Africa Great Wall Mining Development perante os jornalistas contrasta com a dimensão humana do ocorrido. Enquanto isso, a comunidade continua a interrogar-se sobre quantas vidas precisarão ser perdidas até que a mineração, em vez de se confundir com luto, passe a ser sinónimo de desenvolvimento seguro e partilhado.

Crime sem fronteiras: a queda de “Dollarman” expõe redes regionais de rapto

0

A morte de

, conhecido nos corredores do crime como “Dollarman”, não é apenas o desfecho de uma operação policial em Joanesburgo. É também um sinal de como o crime organizado já não conhece fronteiras entre Moçambique e a África do Sul, alimentando uma economia paralela que se sustenta no medo, no sangue e no silêncio das vítimas.

O tiroteio de quarta-feira, em Kempton Park, que resultou no resgate de um empresário indiano e na morte de Dollarman, põe em evidência uma teia que há anos se arrasta entre Maputo e Joanesburgo. Gangues especializados em sequestros por resgate, lavagem de dinheiro e tráfico de armas têm encontrado terreno fértil num espaço onde a cooperação policial muitas vezes chega tarde, e onde as fronteiras oficiais se revelam porosas.

O porta-voz da Polícia sul-africana descreveu o moçambicano como “figura importante nos sindicatos regionais de raptos”, sublinhando que era procurado por vários casos tanto em Moçambique como na África do Sul. Um perfil que, para muitos, espelha a falência das instituições em travar a ascensão de criminosos que circulam entre as duas geografias com quase a mesma liberdade com que transitam viaturas de transporte de mercadorias.

Ao mesmo tempo, a operação que resultou na queda de Dollarman mostra uma mudança de tom das autoridades sul-africanas. Segundo o Brigadeiro Athlenda Mathe, só desde 2021 foram detidos 337 suspeitos e apreendidas 146 armas ligadas a este tipo de redes. É uma estatística que revela o tamanho do problema, mas também a dimensão do desafio: cortar as raízes de um negócio que se tornou altamente rentável e organizado, sustentado por corrupção, medo e cumplicidades políticas e policiais.

Em Moçambique, onde o nome de Dollarman circulava nas conversas sobre raptos de empresários e figuras de relevo, o silêncio das autoridades é ensurdecedor. Nenhuma instituição veio ainda a público comentar a morte do homem que, segundo fontes policiais sul-africanas, era um dos mais procurados também em solo moçambicano. Esse silêncio, mais do que um detalhe, reforça a ideia de que a fronteira entre a criminalidade e o poder nem sempre é nítida.

A queda de Dollarman pode ter interrompido temporariamente a actuação de uma célula de raptores. Mas, como bem recorda a experiência recente, cada vez que um líder do crime é abatido ou preso, outro emerge, pronto para ocupar o espaço vago. A questão de fundo, portanto, não é apenas quem substitui Dollarman, mas até que ponto os Estados da região estão preparados para enfrentar estruturas que operam com lógica empresarial, com recursos financeiros robustos e com ramificações que ultrapassam polícias nacionais e fronteiras políticas.

Mais do que um episódio policial, este caso revela um drama social e económico. Por trás de cada rapto há famílias destruídas, empresários paralisados pelo medo e economias locais fragilizadas pela desconfiança e pelo clima de insegurança. A morte de Dollarman pode ser celebrada como uma vitória, mas é apenas uma batalha vencida numa guerra muito mais complexa contra um crime que já se tornou transnacional.

Marrocos ergue-se no CHAN 2025 e sela hegemonia africana mas Madagáscar deixa marca histórica

0

No Moi International Sports Centre, Marrocos consolidou, com maestria e determinação, o seu domínio no futebol africano ao conquistar o Campeonato Africano das Nações (CHAN) 2025. Numa final marcada pelo drama e pela emoção, os Leões do Atlas venceram Madagáscar por 3-2, celebrando o terceiro título continental da sua história, após triunfos em 2018 e 2020.

A partida iniciou-se sob o signo da surpresa: aos 9 minutos, Félicité Manouhantzua fez vibrar os espectadores com um remate de fora da área, colocando Madagáscar à frente no marcador. A alegria dos malgaxes, no entanto, foi interrompida aos 27 minutos, quando Youssef Mehri respondeu de cabeça a um cruzamento de Khalid Baba, igualando o placar e acendendo a centelha do renascimento marroquino. Aos 42 minutos, Oussama Lamlioui marcou o golo que selaria, momentaneamente, a supremacia do conjunto norte-africano, antes do intervalo.

Na etapa complementar, Madagáscar não se deixou intimidar. Toky Rakotondribe voltou a restabelecer a igualdade aos 68 minutos, dando mostras de que a selecção insular tinha vindo a Nairobi para escrever história. Mas a grandeza de Marrocos não se deixou abalar: Lamlioui, protagonista incontestável do torneio, assinou o golo decisivo a oito minutos do fim com um disparo de longa distância, levando a multidão ao êxtase e garantindo-lhe a coroação como melhor marcador, com seis golos.

O caminho até ao triunfo, porém, não foi linear. Após a derrota inesperada diante do Quénia na estreia, Marrocos demonstrou resiliência, eliminando a Tanzânia nos quartos-de-final e superando o Senegal nas meias-finais, numa dramática decisão por grandes penalidades, antes de triunfar sobre Madagáscar.

Para o analista desportivo cabo-verdiano Cardoso da Silva, “Marrocos é sinónimo de magia africana. O talento dos jogadores locais, moldado nas ruas e nos campos da terra, traduz-se em criatividade e inteligência em campo. Esta vitória não é surpresa, é a consequência de um trabalho estruturado e de uma cultura futebolística enraizada.”

Enquanto os Leões do Atlas reafirmam a sua posição de referência no continente, Madagáscar escreve uma página histórica ao chegar, pela primeira vez, a uma final do CHAN. A selecção insular sai do torneio não apenas com a glória de um desempenho memorável, mas também com a promessa de um futuro auspicioso no futebol africano.

No fim, Nairobi assistiu não apenas a uma final, mas a uma celebração do talento, da paixão e da persistência africana. O CHAN 2025 termina, e Marrocos ergue-se, mais uma vez, como potência incontestável, enquanto Madagáscar, apesar da derrota, deixa uma marca que jamais será esquecida.

Futuros médicos do IFACET recebem impulso para entrada no mercado de trabalho

0

Preparar-se para o mercado de trabalho é um desafio para muitos jovens recém-saídos da universidade, mas estudantes do curso de Medicina Geral do Instituto de Formação em Administração, Ciências e Tecnologias (IFACET) tiveram recentemente um importante ponto de partida. Numa palestra promovida pelo Instituto Nacional de Emprego (INEP, IP), através da sua Delegação da Cidade de Maputo, 53 estudantes — 25 homens e 28 mulheres — receberam informações detalhadas sobre as oportunidades e serviços que podem abrir portas para a sua carreira profissional.

Conduzida por Inês Xavier Cumbane, Chefe da Repartição de Informação e Orientação Profissional (IOP), e Lúcia Eugénio Canhaua, Técnica de Emprego, a sessão trouxe à tona temas essenciais para a inserção no mercado de trabalho, incluindo os serviços prestados pelos Centros de Emprego e o Regulamento de Estágios Pré-Profissionais. “Nosso objetivo é garantir que cada jovem compreenda não apenas os caminhos existentes, mas também como planejar sua carreira desde o início, evitando obstáculos que muitos enfrentam ao sair da universidade”, destacou Inês Cumbane.

O encontro não se limitou a uma apresentação formal: os estudantes participaram ativamente, colocando questões, tirando dúvidas e debatendo cenários reais do mundo laboral. A interação direta com a equipa técnica permitiu que compreendessem como maximizar o uso dos serviços do INEP e como se preparar de forma estratégica para estágios e futuras oportunidades de emprego.

Esta ação integra-se no Percurso de Orientação Profissional (POP), um programa estratégico que acompanha cada candidato desde a inscrição no Centro de Emprego, passando por orientação individual ou coletiva, até ao enquadramento em estágio ou emprego. O POP é considerado uma ferramenta vital para reduzir o desemprego jovem e capacitar os recém-licenciados a tomar decisões informadas sobre sua trajetória profissional.

Para os estudantes do IFACET, a sessão representou mais do que informação: foi um incentivo concreto para assumir o futuro com segurança, preparar-se para os desafios da profissão e explorar todas as oportunidades disponíveis. O INEP reforça, assim, o seu papel como parceiro estratégico da juventude moçambicana na construção de carreiras sólidas e promissoras.

Saibá Karate Clube: “Heróis do Tatame” que levantam a Zambézia rumo ao nacional

0

Quelimane celebra os seus campeões. O Saibá Karate Clube, orgulho da província da Zambézia, prepara-se para entrar no Campeonato Nacional de Karate, na especialidade de Kimura Shukokai, entre os dias 24 e 26 de setembro, carregando não apenas medalhas e troféus, mas a esperança e o entusiasmo de toda uma comunidade. Cerca de 24 atletas, liderados por Nelito Saibá – treinador e atleta incansável – representarão a província num evento que promete definir os novos rumos da modalidade no país.

O percurso do Saibá Karate Clube é mais do que um registo de vitórias; é uma história de superação, disciplina e inspiração. Recentemente, o clube conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o título de Bi-Campeão Regional Centro, arrebatando 13 medalhas de ouro, 4 de prata e 12 de bronze. Um feito que não apenas reafirma a supremacia técnica do clube, mas coloca Quelimane e a Zambézia no mapa do karaté nacional.

Nelito Saibá descreve o momento como histórico. “Cada atleta é um exemplo de coragem, perseverança e paixão. Este clube é a prova de que sonhos podem tornar-se realidade quando há união e dedicação. Representamos a nossa província, os nossos jovens e todos que acreditam no poder transformador do desporto”, afirmou, visivelmente emocionado.

A influência do clube ultrapassa o tatame. Com a assinatura do primeiro Memorando de Entendimento entre um clube de karaté e uma universidade moçambicana – a Universidade Licungo (UniLicungo) – o Saibá Karate Clube reforça o seu papel social, promovendo a educação e o desenvolvimento integral dos jovens atletas. É uma aposta na formação de cidadãos completos, preparados para conquistar não apenas títulos, mas também valores de disciplina, ética e resiliência.

O Campeonato Regional Centro, recentemente realizado em Quelimane, foi um espetáculo de técnica, força e espírito desportivo. Cerca de 200 atletas de oito escolas da região disputaram intensamente cada combate, mas o brilho maior ficou, mais uma vez, com o Saibá Karate Clube. O Sporting de Quelimane e o Núcleo de Nicoadala completaram o pódio, mas foi o clube quelimanense que roubou todas as atenções, mostrando porque é considerado uma referência nacional.

Sensei Carlos Dias, Presidente da Associação Moçambicana de Karaté, destacou a relevância do evento e o impacto social do clube. “O Saibá Karate Clube é um exemplo vivo de como o desporto transforma vidas e fortalece comunidades. Estes jovens atletas representam não só a sua escola ou a sua província, mas toda a Zambézia”, afirmou.

Agora, a atenção de toda a província está voltada para os campeões que irão enfrentar os melhores do país. Cada treino, cada golpe e cada vitória é carregado de significado: o clube não apenas busca medalhas, mas leva consigo o orgulho, a esperança e o sonho de uma geração.

O Saibá Karate Clube prova que o verdadeiro triunfo vai além das vitórias: é sobre inspirar, transformar vidas e mostrar que, com disciplina, coragem e trabalho coletivo, qualquer desafio pode ser superado. A saga dos heróis do tatame continua, e a Zambézia, através deles, celebra a força, a determinação e o talento que emergem da sua terra, inspirando jovens e comunidades em todo o país.

Venâncio Mondlane entra no Conselho de Estado e desperta novas perspectivas para Moçambique

0

O ambiente na Presidência da República, esta segunda-feira, foi de expectativa e simbolismo. Entre os membros empossados no Conselho de Estado, Venâncio Bila Mondlane, segundo candidato mais votado nas últimas eleições presidenciais, despontou como a figura central de uma cerimónia que marca o início de uma nova fase no diálogo político do país.

A chegada de Mondlane ao Conselho não é apenas formal: representa a materialização da pluralidade política e o fortalecimento de um órgão que, apesar do seu carácter consultivo, exerce influência estratégica nas decisões do mais alto nível. Observadores destacam que o político traz para dentro do Conselho uma perspectiva crítica, equilibrada e construtiva, capaz de provocar reflexões profundas sobre políticas públicas e decisões de Estado.

Durante a cerimónia, o Presidente da República, Daniel Chapo, deu posse também a quatro personalidades designadas diretamente por si: Alberto Joaquim Chipande, Graça Simbine Machel, Eduardo Silva Nihia e Felizarda de Boaventura Paulino, figuras de reconhecido mérito e experiência. No entanto, foi Mondlane quem captou as atenções, simbolizando a abertura política e o reconhecimento da diversidade de vozes na esfera decisória do país.

O Conselho de Estado reúne igualmente representantes das principais instituições de soberania, incluindo Margarida Adamugi Talapa, Presidente da Assembleia da República; Maria Benvinda Delfina Levy, Primeira-Ministra; Lúcia da Luz Ribeiro, Presidente do Conselho Constitucional; e Isac Chande, Provedor de Justiça, além de ex-presidentes da República e da Assembleia da República. A composição é completada por membros eleitos pela Assembleia de acordo com a representatividade parlamentar, incluindo Alcinda António de Abreu, Ossufo Momade, Albino Forquilha e Lutero Chimbirombiro Simango, garantindo diversidade de experiências e visões.

Logo após a posse, a 1.ª Sessão Ordinária do Conselho foi convocada, dando início ao primeiro momento de trabalho conjunto do órgão renovado. É nesse espaço que se espera que Mondlane exerça a sua influência, trazendo dinamismo e novos enfoques aos debates sobre questões estratégicas de interesse nacional.

Para analistas políticos, a participação de Mondlane envia uma mensagem clara à sociedade moçambicana: o Conselho de Estado não será apenas um espaço protocolar, mas um fórum onde a diversidade de pensamento, o diálogo e o debate construtivo poderão influenciar decisões que impactam diretamente o futuro do país.

A entrada de Mondlane é, portanto, mais do que simbólica: é um sinal de amadurecimento político, reforçando o princípio de que a pluralidade não é apenas desejável, mas necessária para a consolidação de instituições sólidas e para a construção de um Moçambique mais inclusivo e participativo.

Concursos Públicos em Debate: Chapo entre a pressão da sociedade civil e o teste da transparência governativa

0

O Presidente da República, Daniel Chapo, enfrenta um dos primeiros grandes desafios à sua promessa de transparência e integridade: as alegadas irregularidades na adjudicação de um concurso público no Ministério da Agricultura. A questão não se limita a um episódio administrativo — ela lança luz sobre uma ferida antiga da governação moçambicana: a fragilidade dos concursos públicos e o risco constante de captura do Estado por interesses particulares.

Em comunicado oficial, a Presidência apelou à serenidade e reafirmou o princípio da presunção de inocência, garantindo que as instituições competentes conduzirão as devidas investigações. Contudo, para uma sociedade civil cada vez mais desconfiada, a resposta parece demasiado tímida. Não basta aguardar conclusões formais: o que está em causa é a credibilidade de um sistema de contratação pública frequentemente acusado de servir elites político-empresariais em detrimento do interesse nacional.

As denúncias, levantadas pelo Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD) e pelo Centro de Integridade Pública (CIP), apontam para favorecimento na adjudicação do concurso promovido pelo Instituto de Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM, I.P.), destinado à digitalização de cadeias de valor estratégicas. O nome do Ministro da Agricultura, Roberto Mito Albino, surge associado ao processo, numa acusação que, verdadeira ou não, já levanta poeira suficiente para corroer a confiança pública.

O caso do IAOM não é um ponto fora da curva. Nos últimos anos, outros concursos públicos suscitaram debates semelhantes.

Em 2020, a aquisição de tablets e equipamentos para o Ministério da Educação levantou suspeitas de sobrefaturação e favorecimento a fornecedores próximos de círculos políticos. No mesmo ano, a contratação de empresas de vigilância privada para instituições do Estado foi questionada pela falta de clareza nos critérios de seleção.

Mais recentemente, em 2022, a polémica em torno da compra de aviões Embraer para a LAM revelou que, sob a capa de processos de contratação pública, muitas vezes escondem-se decisões políticas que escapam ao escrutínio técnico.

Cada um destes episódios mostrou que a lei existe, mas raramente é aplicada com o rigor que deveria. O problema, portanto, não está apenas nos concursos em si, mas na forma como os órgãos de fiscalização — do GCCC ao Tribunal Administrativo — exercem o seu papel.

Ao felicitar publicamente o CDD e o CIP pela denúncia, Daniel Chapo quis marcar uma diferença em relação ao passado, quando críticas da sociedade civil eram recebidas como afrontas ao poder. Mas a sua postura cautelosa, quase expectante, deixa uma interrogação: estará o Presidente disposto a ir além da retórica e permitir que este caso seja investigado até às últimas consequências, mesmo que isso implique fragilizar figuras próximas do Executivo?

O dilema é claro. Se agir com firmeza, Chapo pode consolidar a imagem de líder comprometido com a integridade. Se optar por esperar em silêncio, corre o risco de ser visto como cúmplice da mesma lógica que prometeu combater.

No fundo, o episódio do Ministério da Agricultura não é apenas sobre um contrato milionário ligado à digitalização do algodão. É sobre o lugar da transparência na cultura política moçambicana. É sobre saber se as instituições terão independência para investigar sem olhar a nomes ou cargos.

Enquanto isso, a sociedade civil e a imprensa continuarão a vigiar, como já o fazem. Porque, em Moçambique, a memória das “dívidas ocultas” e de tantos outros escândalos ainda está demasiado viva para que a serenidade invocada pela Presidência seja suficiente.

Afinal, quando o problema é sistémico, esperar pela justiça pode ser sinónimo de adiar a verdade.

Moçambique acolhe primeiras Olimpíadas de Soldadura para valorizar formação técnica

0

Moçambique será palco, no próximo dia 5 de setembro, da primeira edição das Olimpíadas de Soldadura, uma competição inédita que visa promover o reconhecimento das competências técnico-profissionais e reforçar a ligação entre o ensino técnico e o mercado de trabalho.

A iniciativa surge num contexto em que o país aposta no desenvolvimento de infraestruturas e na exploração de recursos naturais, sectores que exigem mão de obra especializada. Apesar desta crescente procura, a formação técnica continua a ser vista por muitos jovens como tendo menor prestígio em relação ao ensino superior.

O evento reunirá cerca de 20 participantes, entre formandos, formadores e profissionais, que serão desafiados a executar provas práticas em diferentes níveis de complexidade. As tarefas incluem a utilização de tecnologias como TIG, MIG/MAG e eletrodos revestidos, avaliadas por especialistas certificados.

De acordo com Frederico P. Silva, CEO da Talento, entidade organizadora, a competição pretende “posicionar o ensino técnico como uma prioridade para os jovens e fortalecer as ligações entre empresas e instituições de ensino, com o intuito de melhorar a empregabilidade no país”.

As provas irão testar capacidades como interpretação de instruções e desenho técnico, manuseamento de equipamentos e aplicação de normas de segurança, tudo sob condições de tempo controlado.

Além da vertente competitiva, o evento contará com uma dimensão mediática: será documentado numa série audiovisual inspirada no formato MasterChef, com episódios curtos, apresentação dos participantes e votação do público em categorias como o “voto popular”, dinamizando a interação nas redes sociais.

A cerimónia de encerramento prevê a entrega de prémios, a realização de uma feira de talento, o lançamento de uma plataforma digital dedicada ao sector, áreas de exposição para patrocinadores, sessões de networking e um painel de debate sobre o futuro da formação técnica em Moçambique.

As Olimpíadas de Soldadura são organizadas pela Talento, em parceria com o Instituto Industrial e Comercial da Matola (IICM), com o apoio financeiro da KH–Kreishandwerkerschaft Steinfurt–Warendorf. A iniciativa conta ainda com o patrocínio da Exxon Mobil Moçambique, FPB, Porto de Maputo, TRIM, Field Ready e da Associação Industrial de Moçambique (AIMO).

Quelimane: Acidente envolve carro do edil Manuel de Araújo antes da tomada de posse de Dom Osório Citora

0

A manhã deste domingo, 31 de agosto de 2025, ficou marcada por um episódio inesperado em Quelimane, quando uma motorizada colidiu violentamente com a viatura do presidente do Conselho Autárquico, Manuel de Araújo. O acidente ocorreu por volta das 08h50, no trajeto do edil para a cerimónia de ordenação episcopal e tomada de posse de Dom Osório Citora, novo Bispo da Diocese de Quelimane.

Segundo um testemunhas no local, a esposa do autarca, Silvia Soares, sofreu ferimentos no braço direito e encontra-se a receber tratamento médico. O condutor da motorizada ficou em estado grave e foi prontamente evacuado por populares para uma unidade hospitalar. Já Manuel de Araújo confirmou estar bem de saúde e manteve a sua agenda, comparecendo no evento religioso.

Boas-vindas ao novo Bispo

Durante a cerimónia solene, o edil deu as boas-vindas a Dom Osório Citora, o quarto Bispo da Diocese de Quelimane, sublinhando a relevância histórica e espiritual da ocasião.

No seu discurso, Araújo agradeceu o trabalho desempenhado pelo Administrador Apostólico durante o período de transição da Diocese e destacou a importância do papel profético e missionário da Igreja Católica na sociedade.

“Desejamos ao novo Bispo muito sucesso nas funções que agora assume. A nossa Igreja é profética e missionária, e queremos que continue a desempenhar esse papel com firmeza”, afirmou o edil, recordando ainda que a Diocese de Quelimane deu origem às dioceses de Gurué e Molócuè, fruto da expansão da missão pastoral.

Citando o Salmo 105:116 – “A tua palavra é lâmpada para os meus passos” –, Araújo reforçou o simbolismo da ocasião, pedindo a Deus que conceda a Dom Osório sabedoria, inteligência e discernimento para guiar os fiéis da Zambézia.

A ordenação de Dom Osório Citora foi considerada não apenas um marco para a Igreja Católica, mas também um acontecimento de relevo para a sociedade em geral. O edil reiterou o acolhimento caloroso da cidade de Quelimane a todos os participantes e manifestou votos de boa estadia.

Apesar do contratempo vivido horas antes, Manuel de Araújo encerrou o dia com uma mensagem de fé, esperança e unidade em torno da missão espiritual do novo Bispo.