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Chapo destaca papel de Alfredo Gamito na reconstrução do Estado moçambicano

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou profundo pesar pelo falecimento de Alfredo Gamito, ocorrido na noite de domingo, vítima de doença prolongada. Numa mensagem de condolências, o Chefe do Estado destacou o papel marcante do antigo governante na Administração Pública e no processo de reconstrução institucional de Moçambique no período pós-guerra civil.

Segundo o Presidente da República, a morte de Gamito representa uma perda significativa para o país, particularmente nos domínios da Administração Pública e da governação descentralizada.

Daniel Chapo disse que, “o falecimento do compatriota Alfredo Gamito representa uma perda significativa para Moçambique, particularmente no domínio da Administração Pública e da governação descentralizada, áreas às quais dedicou grande parte da sua vida com sentido de missão, competência e elevado espírito patriótico.”

O Chefe do Estado recorda ainda o papel desempenhado por Alfredo Gamito enquanto Ministro da Administração Estatal, entre 1995 e 2000. Nesse período, liderou importantes reformas administrativas orientadas para a modernização, descentralização e profissionalização da Administração Pública, num contexto exigente de consolidação da paz e reconstrução nacional após a guerra civil.

De acordo com a mensagem presidencial, Gamito teve um papel determinante no processo de municipalização do país e na preparação das primeiras eleições autárquicas, realizadas em 1998, consideradas um marco na promoção da governação local democrática.

Daniel Chapo evocou igualmente o percurso de Alfredo Gamito como Vice-Ministro da Agricultura, Governador da província de Nampula e Deputado da Assembleia da República, sublinhando os contributos deixados na formulação de políticas públicas e no fortalecimento das instituições democráticas moçambicanas.

Segundo uma nota da família, o funeral de Alfredo Gamito terá lugar esta quarta-feira, às duas da tarde, no Cemitério da Lhanguene, na cidade de Maputo. Antes, será celebrada uma missa de corpo presente, às onze horas, na Igreja Santo António da Polana.

Texto: Redação

Município de Quelimane avança com cobrança de taxas sob expectativa de melhorias nos mercados e bairros

O Município de Quelimane iniciou a cobrança de taxas e impostos municipais referentes ao novo exercício económico. A medida visa reforçar a arrecadação de receitas, mas surge num contexto em que munícipes esperam ver melhorias concretas nos mercados e nos bairros da cidade.

Segundo as autoridades municipais, estas receitas são fundamentais para garantir o funcionamento regular da máquina municipal e responder às necessidades básicas da população. O Conselho Autárquico explica que os valores arrecadados deverão ser aplicados em áreas prioritárias como a manutenção de vias de acesso, saneamento do meio, iluminação pública, recolha de resíduos sólidos e melhoria das condições nos mercados municipais.

Apesar das garantias, alguns munícipes ouvidos pelo Jornal Txopela e TV Zambézia 24 Horas manifestam apreensão. Para estes contribuintes, o cumprimento das obrigações fiscais deve ser acompanhado por resultados visíveis, sobretudo nos mercados e em zonas residenciais que continuam a enfrentar problemas de saneamento e ordenamento.

O Conselho Autárquico garante que estão criadas condições para um atendimento organizado e transparente e apela à colaboração dos munícipes no cumprimento das suas obrigações fiscais, sublinhando que a participação de todos é essencial para o desenvolvimento sustentável da cidade.

Com o arranque da cobrança de taxas e impostos, Quelimane entra numa nova fase do exercício económico. A expectativa agora recai sobre a capacidade do município em transformar as contribuições dos munícipes em melhorias concretas e perceptíveis no quotidiano da cidade.

Texto: Felix Taiobo

Lançada a Semana da Legalidade na Zambézia

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Quelimane, 31 de Outubro – Foi lançada na manhã desta quinta-feira, em Quelimane, a Semana da Legalidade, um evento que visa reforçar a confiança do cidadão nas instituições do sistema de justiça. A iniciativa decorre sob o lema: “50 anos consolidando um sistema de justiça ao serviço do cidadão, rumo a maior confiança e coesão social”.

No acto de lançamento, Antônio Mequesa, Director da Ordem e Segurança Pública no comando da PRM na Zambézia, representando o comandante provincial da corporação, destacou a importância de promover uma cultura de respeito à lei e de proximidade entre a polícia e a população.

Antônio Mequesa 
“A Semana da Legalidade é uma oportunidade para reforçarmos a confiança da sociedade nas nossas instituições, promovendo o respeito às leis e a coesão social.”

Por sua vez, Rambo Tomas Simbe, Procurador-Chefe Distrital de Quelimane, apresentou as actividades previstas pela Procuradoria durante a semana, incluindo palestras, sensibilização comunitária e acções de fiscalização a nível do distrito.

Rambo Tomas Simbe 
“Vamos trabalhar para que os cidadãos conheçam melhor os seus direitos e deveres, e possam contar com um sistema de justiça mais próximo e eficaz.”

A Semana da Legalidade, que teve início ontem, prolonga-se até 5 de Novembro, envolvendo diversas instituições públicas e organismos da sociedade civil, com vista a consolidar práticas de justiça e reforçar a confiança da população nas autoridades.

A GERAÇÃO Z É A NOVA OPOSIÇÃO AFRICANA

Por: Zito do Rosário Ossumane (Régulo de Inhassunge)
A política africana está a mudar diante dos nossos olhos. Durante décadas, o espaço político foi dominado pelos partidos históricos e líderes que se apoiavam em estruturas hierárquicas tradicionais. Hoje surgiu uma força diferente, imprevisível e poderosa, a famosa Geração Z. Jovens nascidos entre meados dos anos 1990 e início da década de 2010 estão a redesenhar o mapa da política no continente.
Eles cresceram num mundo digital, ligados a smartphones, redes sociais e com acesso imediato à informação, mas também enfrentam muitos desafios concretos como o desemprego, desigualdade, corrupção e serviços públicos deficitários. Diferente das gerações anteriores, estes jovens não esperam pelos partidos ou pelos políticos para agir. Eles criam, mobilizam e pressionam, usando a tecnologia como ferramenta de transformação.
A Geração Z não se limita ao teclado, leva a indignação para as ruas. Exemplos não faltam. Na Nigéria, o movimento #EndSARS mobilizou milhares contra a violência policial e forçou a dissolução de uma unidade como a UIR ou GOE. Na África do Sul, os protestos estudantis #FeesMustFall mudaram as políticas educacionais e deram voz a toda uma geração. E no Quénia, a campanha #OccupyParliament fez com que o governo recuasse em algumas medidas fiscais sufocantes.
Em Moçambique, a força desta geração começa a ser visível também. Jovens jornalistas, músicos e influenciadores estão a questionar, práticas de corrupção e injustiça social, organizam campanhas digitais que ampliam o debate e desafiam narrativas políticas antigas. Estes jovens provam que é possível participar sem depender de um partido, mas com resultados reais. Lembre-se de como derrubaram as taxas de internet.
O impacto não se limita às ruas ou às redes sociais. Em muitos países africanos, mais de 60% do eleitorado tem menos de 25 anos. Isso obriga aos partidos e governos a responder de forma directa, transparente e rápida. A Geração Z redefine o conceito de oposição, não precisa de ideologia tradicional ou estruturas partidárias. Actua com informação, cultura e exigência de responsabilidade social.
Claro que há obstáculos. Censura digital, repressão e perseguição ainda limitam alguns movimentos. Mas a criatividade e persistência desta geração indicam que estes desafios não vão detê-la por muito tempo.
O que se observa é uma oposição do século XXI. Ela existe nas ruas, nas universidades, nas plataformas digitais e na cultura urbana. Está a moldar eleições, legislação e opinião pública de forma que líderes tradicionais não podem ignorar.
A política passiva está a ceder lugar a uma política activa, conectada e exigente. Para compreender o futuro político do continente, é importante olhar para esta geração que transforma indignação em acção, hashtags em movimentos reais e criatividade em poder político.
A Geração Z é a nova oposição continental, e qualquer análise séria sobre a política africana precisa partir desse pressuposto.

Moçambique 2029: Lições da Tanzânia e o risco de uma geração sem medo

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Introdução Editorial

À medida que a Tanzânia enfrenta tensões pós-eleitorais e restrições às liberdades cívicas, surgem questões inevitáveis sobre o futuro democrático de Moçambique. John Chekwa, jornalista e mediador social, reflete neste artigo sobre as lições que o país vizinho oferece e o que deve ser feito para evitar que Moçambique repita os mesmos erros. Num momento em que decorre o Diálogo Nacional Inclusivo, o autor alerta para a necessidade urgente de reformas na justiça eleitoral e para a força crescente de uma nova geração — uma juventude “sem medo”, que exige transparência, justiça e paz efectiva rumo às eleições de 2029.

Moçambique 2029: Lições da Tanzânia e o risco de uma geração sem medo

Por John Chekwa

A recente crise eleitoral na Tanzânia, marcada por protestos, distúrbios e repressão, é mais uma chamada de atenção para o continente africano. A reportagem da BBC mostra como a falta de transparência e a manipulação dos processos eleitorais continuam a fragilizar a democracia e a confiança dos cidadãos nas instituições públicas.

Mesmo quando as leis eleitorais são revistas, a sua implementação raramente é respeitada. O resultado é sempre o mesmo: diálogos falsos, promessas não cumpridas, economia prejudicada e vidas humanas perdidas. Enquanto não houver uma verdadeira reforma da justiça eleitoral, muitos partidos libertadores correm o risco de perder o seu valor histórico por não garantirem o respeito pelos direitos humanos e pela democracia.

Em Moçambique, espera-se que o processo eleitoral de 2029 seja transparente, inclusivo e justo. Desde as primeiras eleições gerais, acumulámos muitas lições, mas continuamos a repetir os mesmos erros. Houve diálogos e acordos de paz, mas sem resultados sustentáveis.

É preciso reconhecer que esta nova geração — a geração “TikTok” — é diferente. É uma juventude mais informada, destemida e que não tem medo de exigir mudanças. Ignorar a sua voz é alimentar o risco de instabilidade futura.

O actual Diálogo Nacional Inclusivo é uma oportunidade única para corrigir os erros do passado. É urgente resolver a questão da justiça eleitoral e fortalecer as instituições que garantem eleições livres e transparentes. Só assim poderemos prevenir conflitos, proteger vidas e preservar o património do Estado.

O exemplo da Tanzânia mostra que quando se retira o poder ao povo, a democracia deixa de existir. Os governos devem lembrar-se de que o poder pertence aos cidadãos. Se o povo não decide, então por que razão realizamos eleições?

Moçambique precisa escolher o caminho da paz efectiva e da verdadeira democracia.

O vazio deixado por Dominguez e a goleada que expôs fragilidades

A goleada sofrida pelos Mambas, na sexta-feira, diante do Uganda (4-0), voltou a expor as fragilidades de uma selecção que parece ter perdido o rumo dentro e fora das quatro linhas. O resultado, para além de custar pontos preciosos na corrida ao Mundial, reacendeu o debate em torno da exclusão do eterno capitão, Dominguez, cuja ausência continua a dividir opiniões no seio dos adeptos e a levantar suspeitas sobre a gestão interna da equipa.

Depois de semanas de barulho e acusações de “mau comportamento”, a verdade é que os Mambas entraram em campo sem alma, sem liderança e sem norte. O golo inaugural, apontado por A. Okello aos 48 minutos, abriu espaço para o desmoronamento. Seguiram-se dois golos de R. Mato (70’ e 84’), e o golpe final veio com um auto-golo de Nené, aos 90’, que simbolizou a noite negra do futebol moçambicano em Kampala.

A derrota pesada colocou o Uganda na vice-liderança do Grupo G, com 12 pontos, os mesmos que Moçambique, mas com melhor diferença de golos. Mais do que números, fica a sensação de que os Mambas se encontram mergulhados numa crise de identidade.

Não é apenas sobre tácticas, bolas paradas ou erros defensivos: é sobre a incapacidade de gerir símbolos e referências. Dominguez pode já não ter o mesmo fôlego de outrora, mas o vazio que deixou mostra que, muitas vezes, a liderança em campo não se substitui com discursos técnicos ou castigos internos.

O que se viu em Kampala não foi apenas uma derrota. Foi um aviso de que o futebol moçambicano precisa urgentemente de reconciliação entre dirigentes, jogadores e adeptos, sob pena de a selecção continuar a ser notícia não pelos feitos, mas pelas polémicas e humilhações.

Moza Banco reconhece empresas que “fazem acontecer” e reforça o impulso à economia nacional

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Num gesto que combina reconhecimento e incentivo à inovação, o Moza Banco premiou, recentemente, 23 empresas nacionais com o Selo FaMoza, distinção criada para destacar entidades que se notabilizam pelo uso ativo de serviços bancários, plataformas digitais e POS. Entre os laureados estão nomes como a Uteka Construções, o Instituto Nília e a Moz Phama, bem como diversas empresas espalhadas pelas três regiões do país.

A cerimónia de entrega do selo, realizada em Maputo, foi mais do que uma simples formalidade: tornou-se um palco de celebração da parceria entre o sector empresarial e o sistema bancário moçambicano. Empresários presentes não esconderam o entusiasmo e reafirmaram a importância da colaboração com o Moza Banco.

“O Moza Banco tem sido um parceiro decisivo para as nossas empresas. Graças à sua estrutura e serviços, conseguimos honrar compromissos com clientes e fornecedores com total assertividade. Este prémio reforça a confiança que temos uns nos outros”, afirmou um representante de uma das empresas premiadas.

Para Manuel Soares, Presidente da Comissão Executiva do Moza Banco, a iniciativa vai muito além de um simples reconhecimento. “O Selo FaMoza integra um movimento de inovação e aproximação ao mercado, com o objetivo de premiar as boas práticas no sector empresarial nacional. Queremos ser mais do que um prestador de serviços financeiros: queremos ser um parceiro activo no incentivo ao empreendedorismo, na formalização da economia e no combate à pobreza”, declarou.

O executivo sublinhou ainda que, ao premiar os empresários pelo seu envolvimento financeiro e pela adoção das ferramentas digitais, o banco mostra que está ao lado daqueles que “fazem acontecer as transformações necessárias para melhorar o paradigma económico de Moçambique”.

Esta primeira edição do Selo FaMoza marca o início de uma estratégia de continuidade, com o Moza Banco a incentivar todos os clientes a fortalecerem a sua transaccionalidade e a explorarem de forma plena os produtos e serviços bancários disponíveis.

Com uma elevada percentagem de capital moçambicano, o Moza Banco consolida-se como um actor essencial no desenvolvimento económico do país, aproximando o sistema financeiro da comunidade empresarial e estimulando práticas que promovem crescimento, inovação e inclusão financeira.

O Selo FaMoza surge, assim, como mais do que um prémio: é um símbolo de confiança, parceria e compromisso com um futuro económico mais sólido e sustentável para Moçambique.

BCI vai acolher Fórum de Negócios Moçambique-Itália com foco no agronegócio

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O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) será o palco, no próximo dia 15 de Setembro, do Fórum de Negócios Moçambique-Itália, um evento que visa estreitar a cooperação económica entre os dois países e fomentar oportunidades de investimento, especialmente no sector do agronegócio. O encontro terá lugar no auditório do edifício-sede do BCI, em Maputo, e reunirá representantes governamentais, empresários e instituições financeiras.

Organizado pela Embaixada da Itália em Maputo, em parceria com a Câmara de Comércio Moçambique – Itália (CCMI) e outros parceiros, com o apoio do BCI, o Fórum pretende discutir estratégias para atrair investimento estrangeiro directo, promover a transferência de tecnologia agrícola e consolidar a cooperação estratégica entre empresas moçambicanas e italianas.

Sob o lema “A Itália para o Agronegócio em Moçambique – Crescer Juntos com o Plano Mattei”, o evento surge como uma oportunidade de reforçar a presença italiana no sector agrícola moçambicano e incentivar o desenvolvimento sustentável da cadeia de produção agroalimentar local.

O lançamento oficial do Fórum foi feito durante a FACIM, numa conferência de imprensa que contou com a presença do Administrador do BCI, George Mandawa. Em declarações, Mandawa sublinhou que a iniciativa reflete o compromisso contínuo do banco com o desenvolvimento económico do país, bem como com a promoção de parcerias bilaterais que possam gerar crescimento e inovação em sectores estratégicos.

Este não é o primeiro Fórum de Negócios entre Moçambique e Itália acolhido pelo BCI. Em Junho de 2024, o banco foi anfitrião de um encontro empresarial semelhante, que reuniu empresas de diversos sectores, incluindo energia, infra-estruturas, logística, construção civil e agricultura, fomentando o intercâmbio de oportunidades de investimento e experiências entre os dois países.

O Fórum de Setembro surge assim como uma continuação desta agenda, com especial destaque para o agronegócio, sector considerado vital para a diversificação económica e criação de emprego em Moçambique.

Advocacia em alerta: OAM celebra 31 anos e se posiciona sobre Leis da Comunicação Social

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A Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) completa, no próximo dia 14 de setembro, 31 anos de existência. Longe de ser apenas uma instituição de defesa corporativa, a OAM construiu-se como guardiã da legalidade e voz incansável na defesa dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos. Sob o lema “Pela Defesa das Prerrogativas dos Advogados e Valorização da Profissão”, a celebração deste ano assume um caráter mais interventivo, marcado por alertas contra tentativas de fragilização da advocacia e pela reafirmação do compromisso com a Constituição e o Estado de Direito.

Desde a sua criação, a Ordem tem se posicionado como espaço de resistência contra as injustiças. “A nossa profissão não é para covardes”, recorda a organização, numa clara mensagem de que o exercício da advocacia implica coragem para enfrentar poderes instituídos e dar corpo à dor das injustiças que afligem a sociedade.

Mas o discurso de celebração não se resume a elogios internos. A OAM aponta para os perigos que pairam sobre a profissão: da mercantilização selvagem da advocacia ao mau corporativismo, que em vez de servir a valorização da classe, serve interesses pessoais à margem da ética. O aviso é claro: não há prestígio nem reputação sem respeito às regras deontológicas.

A Ordem também não fugiu ao debate sobre os processos legislativos em curso. Em relação à Lei do Compromisso Político, a posição é de reserva, admitindo que ainda não estão claros os caminhos pretendidos. Porém, no que toca às propostas de Leis da Comunicação Social e da Radiodifusão, a crítica foi direta: conceitos vagos e abrangentes que podem restringir liberdades fundamentais, ameaçar a liberdade de imprensa e criar riscos de sobreposição institucional entre ARCOS e CSCS. Para a OAM, a vigilância sobre estas propostas é não apenas necessária, mas imperativa, porque “a liberdade é a nossa maior ideologia”.

As comemorações dos 31 anos não se limitam às palavras. Estão programadas caravanas de justiça, com assistência jurídica gratuita para os mais desfavorecidos, debates, palestras e o lançamento da segunda edição da revista O Pulsar Jurídico. O ponto alto será a 1ª Conferência Nacional da Jovem Advocacia e Género, em Tete, de 17 a 19 de setembro, onde se pretende debater uma advocacia inclusiva, ética e acessível, mas atenta às exigências sociais e cívicas do presente.

Com perto de 4 mil advogados inscritos, a OAM chega a esta data reafirmando conquistas, mas também reconhecendo desafios. A instituição faz questão de destacar um marco recente: pela primeira vez, um portador de deficiência visual realizou o exame de admissão com sucesso, símbolo de inclusão e compromisso com o direito de todos.

O espírito da celebração é bem traduzido nas palavras evocadas do académico Jorge Ferrão: a OAM, tal como os pássaros de Mia Couto, insiste em voar alto sem perder o chão, lutando por uma justiça mais célere, mais justa e mais humana.

Assim, mais do que uma efeméride, os 31 anos da Ordem representam um chamado à classe e à sociedade: a defesa da liberdade, da ética e da dignidade profissional não pode ser adiada. O caminho, recorda a Ordem, faz-se caminhando.

10% da multa: Governo transforma cidadãos em fiscais contra o “xivotxongua”

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O anúncio do Governo de Moçambique de premiar com 10% da multa aplicada quem denunciar produtores de bebidas alcoólicas de alto teor — vulgarmente conhecidas por xivotxongua — abre um novo capítulo no combate à produção e consumo destas substâncias que proliferam sobretudo nos bairros periféricos. A medida, apresentada esta sexta-feira (05) pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, em Maputo, surge como estratégia para travar um fenómeno considerado de risco à saúde pública.

Mais do que a repressão directa, o Executivo aposta na mobilização dos próprios cidadãos, que passam a ser parte activa da fiscalização. Cada denúncia confirmada dá ao denunciante direito a uma recompensa de 10% sobre o valor da multa aplicada ao transgressor. É, no fundo, uma transformação da comunidade em extensão das forças de inspecção do Estado.

No entanto, o incentivo financeiro levanta interrogações sérias. Num país marcado pela precariedade económica e pela luta diária pela sobrevivência, a recompensa pode funcionar como isco irresistível para transformar vizinhos em potenciais “delatores profissionais”. O risco de denúncias falsas, ajustes de contas pessoais e perseguições disfarçadas de zelo cívico é real e coloca em causa a fronteira entre justiça e vingança.

O xivotxongua, produzido muitas vezes em quintais e comercializado em garrafas recicladas, é apontado como responsável por mortes súbitas, casos de cegueira, violência doméstica e acidentes rodoviários. Apesar disso, continua a ser uma fonte de rendimento para centenas de famílias que, sem alternativas de sustento, recorrem à sua produção clandestina. A decisão governamental coloca, assim, em rota de colisão o combate à saúde pública e a luta pela sobrevivência económica das comunidades.

O discurso oficial insiste na necessidade de cortar pela raiz este “negócio envenenado”, mas nos corredores da sociedade civil levanta-se outra dúvida: não estará o Estado a transferir para cidadãos comuns uma responsabilidade que deveria ser garantida por mecanismos sólidos de fiscalização?

Ao colocar um prémio em dinheiro sobre a denúncia, o Governo cria uma nova dinâmica social, onde a solidariedade comunitária pode ser minada pela suspeita e pelo medo. Na prática, abre-se espaço para uma economia paralela da delação, onde a lei deixa de ser apenas instrumento de ordem e passa a ser fonte de renda.

Entre a promessa de um país livre de bebidas clandestinas e o risco de uma sociedade fragmentada pela desconfiança, a batalha contra o xivotxongua entra agora numa fase decisiva — com os cidadãos no centro do tabuleiro, entre a saúde pública e o prémio de 10%.