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54.º aniversário de Mocuba: PCA promove solidariedade no hospital distrital  

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No âmbito das festividades que marcam o 54.º aniversário da elevação de Mocuba à categoria de cidade, a Presidente do Conselho Municipal, Manuela de Opincai, ofertou produtos alimentares à unidade hospitalar e a promoção de um almoço solidário para os pacientes internados e o pessoal de saúde em serviço.

Durante a cerimónia, a Presidente Opincai ressaltou a importância de apoiar os profissionais de saúde, que, com sacrifício e dedicação, têm desempenhado um papel fundamental na melhoria das condições de vida da população. “Este pequeno gesto simboliza o nosso compromisso contínuo para com o bem-estar dos munícipes e a gratidão pelo trabalho árduo dos nossos cuidadores de saúde”, declarou a edil.

A celebração do Dia da Cidade de Mocuba, marcada para 12 de fevereiro, é tradicionalmente um momento de união e partilha.

Leilão dos barcos da Ematum: Governo tenta recuperar migalhas de um escândalo bilionário

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Quelimane, 11 de Fevereiro de 2025 – O Governo moçambicano pretende arrecadar cerca de 10,2 milhões de euros com o leilão de 24 embarcações da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), uma das protagonistas do escândalo das dívidas ocultas que lesou o país em mais de 2,5 mil milhões de euros.

Os barcos, que nunca cumpriram a sua função original de pesca comercial, estão atracados no Porto de Maputo e foram colocados à venda num processo de licitação que decorre até 21 de fevereiro de 2025. A nota oficial do leilão garante que os motores e equipamentos de navegação “estão em excelente estado”, um detalhe irônico para uma frota que ficou anos a apodrecer sem utilidade.

A iniciativa faz parte da prometida liquidação da Ematum, no âmbito da Reforma do Sector Empresarial do Estado (SEE), mas levanta questões sobre a efectiva responsabilização dos envolvidos e a verdadeira utilidade desta venda simbólica.

Um leilão para inglês ver?

Vender os barcos é um gesto tardio para um processo que se arrasta desde 2016, quando o escândalo das dívidas ocultas veio à tona. A Ematum recebeu cerca de 850 milhões de dólares (727 milhões de euros) em financiamentos secretos, usados para adquirir estas embarcações e outros equipamentos marítimos através de contratos suspeitos com a empresa Privinvest. O resultado? Nenhum benefício para o país e um buraco financeiro que os moçambicanos ainda pagam até hoje.

O antigo director dos serviços secretos, Gregório Leão, tentou justificar a criação da Ematum como um projecto híbrido de pesca e vigilância costeira. Mas o argumento caiu por terra quando se tornou evidente que os barcos nunca foram usados para nenhum dos dois fins.

Agora, com um leilão que pretende recuperar uma fracção insignificante do dinheiro desviado, fica a dúvida: esta venda trará justiça aos moçambicanos ou será apenas mais um episódio de um caso onde os verdadeiros culpados continuam impunes?

Quem ganha com a venda dos barcos?

Mesmo que o leilão seja bem-sucedido, os 10,2 milhões de euros previstos não chegam nem perto do rombo causado pelo esquema criminoso. E ainda restam dúvidas sobre o destino real deste dinheiro: será utilizado para aliviar a dívida pública que pesa sobre os contribuintes ou simplesmente desaparecerá nos corredores do poder?

Apoios internacionais a Moçambique: investimento real ou reforço da dependência externa?

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Quelimane, 11 de Fevereiro de 2025 – O Governo moçambicano voltou a garantir promessas de financiamento de diversas instituições internacionais, incluindo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM) e a Organização das Nações Unidas (ONU). Os fundos, segundo comunicado oficial, serão destinados a projectos nas áreas de agricultura, infraestruturas, saúde, educação e governação.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Lucas, recebeu as garantias dos parceiros após um encontro realizado em Maputo, onde estiveram presentes representantes da ONU, do FMI, da Corporação Financeira Internacional, do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e do Banco Mundial.

A ONU, através da sua coordenadora residente em Moçambique, Catharine Sozi, reafirmou o compromisso com o país, destacando a necessidade de canalizar o apoio para as populações afectadas pelo conflito em Cabo Delgado e pelos desastres naturais. “Reiterámos a disponibilidade da ONU em continuar a apoiar Moçambique na sua jornada de desenvolvimento sustentável, com especial enfoque para as populações mais afectadas pelo conflito no Norte e pelos desastres naturais, bem como para as mulheres e crianças mais vulneráveis”, afirmou Sozi.

Dinheiro vem, mas desenvolvimento chega?

Nos últimos anos, Moçambique tem recebido milhões em promessas de ajuda externa, mas os efeitos na vida dos cidadãos comuns são, no mínimo, questionáveis. O país continua mergulhado em problemas estruturais, com uma economia frágil, corrupção endémica e serviços públicos debilitados.

Os megaprojetos apoiados pelo Banco Mundial e pelo FMI raramente têm impacto directo na vida dos moçambicanos comuns. O financiamento chega, mas os hospitais continuam sem medicamentos, as escolas sem carteiras e as infraestruturas prometidas ou são inacabadas ou nunca saem do papel.

O histórico do país com empréstimos internacionais gera desconfiança. Ainda está fresco na memória colectiva o escândalo das dívidas ocultas, onde empréstimos secretos contraídos pelo Governo resultaram numa crise financeira sem precedentes.

Com estas novas garantias de financiamento, o Governo de Daniel Chapo tem uma nova oportunidade para provar que o dinheiro será bem aplicado. Mas sem transparência e mecanismos rigorosos de fiscalização, há o risco de que a ajuda internacional continue a servir interesses políticos e empresariais, enquanto a maioria da população segue à margem do desenvolvimento.

Governo admite reformas, mas até onde está disposto a ir?

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Quelimane, 11 de Fevereiro de 2025 – O Governo moçambicano reconhece finalmente a necessidade de reformas estruturais para responder às crescentes pressões sociais. João Machatine, recém-empossado coordenador executivo do Gabinete de Coordenação de Reformas e Projetos Estratégicos, admitiu que as manifestações populares refletem uma insatisfação generalizada e exigem mudanças concretas para melhorar a vida dos cidadãos.

“Basta ver as próprias manifestações. Está claro que é importante ir ao encontro com aquilo que o mundo hoje é (…). Temos que introduzir reformas no sentido de ajustarmo-nos a estas realidades, a estas pressões sociais, para que as pessoas, de facto, vivam de uma forma digna”, disse Machatine, numa declaração que, por um lado, reconhece o problema, mas, por outro, não detalha medidas concretas para resolvê-lo.

Promessas de reformas, mas sem calendário nem compromissos claros

O novo responsável diz que o seu gabinete terá um papel estratégico na assessoria ao Presidente da República, Daniel Chapo, e que uma das suas principais missões será a renegociação de contractos dos megaprojetos. No entanto, a questão que paira no ar é: até que ponto o Governo está realmente disposto a alterar um modelo económico que beneficia uma elite enquanto a maioria da população continua a enfrentar dificuldades diárias?

“Queremos fazer de Moçambique um espaço aprazível para se investir”, afirmou Machatine, sugerindo que as reformas terão um viés de atracção de capitais. Mas os moçambicanos perguntam-se: essas mudanças trarão benefícios concretos para o povo ou apenas para os grandes investidores?

A população tem exigido respostas sobre os problemas mais imediatos, como o custo dos serviços públicos, o acesso à água e energia e a burocracia sufocante. “Desde a reforma mais ínfima que tem a ver com como é que o pacato cidadão deve pagar a sua fatura de água até à renegociação de contractos”, disse Machatine, tentando demonstrar que o pacote de reformas irá além dos megaprojetos.

Reformas ou discurso para apaziguar a tensão social?

A tomada de posse de Machatine acontece num momento em que o Governo enfrenta uma crescente contestação popular. A recente onda de protestos e a insatisfação com o processo eleitoral deixaram claro que há um fosso entre as políticas governamentais e as reais necessidades dos cidadãos.

O Presidente Daniel Chapo pediu que as reformas sejam aceleradas, mas o grande teste será se estas mudanças ocorrerão de facto ou se tudo não passará de uma tentativa de acalmar a população sem enfrentar os problemas estruturais do país. Os moçambicanos já ouviram promessas antes. Agora, querem acção.

Revolta em Quelimane: Taxas absurdas nos serviços administrativos acendem fúria popular

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Quelimane, 11 de Fevereiro de 2025 – As redes sociais estão em ebulição na “capital das bicicletas”. A revelação de uma tabela oficial com as novas taxas dos serviços administrativos municipais acirrou ainda mais o braço de ferro entre a gestão do edil Manuel de Araújo e os cidadãos, que denunciam aumentos absurdos e injustificados.

Depois da denúncia feita pelo Txopela, a indignação tomou conta do espaço virtual. Entre os serviços que mais chamaram atenção está a emissão de declarações do bairro, que passou de 50 para 410 meticais – um aumento que muitos consideram escandaloso, sobretudo num contexto de crise económica e instabilidade social.

Quelimane: Taxa para declarações administrativas sobe 310% e Manuel de Araújo está no centro das críticas

“Isto é um roubo!” – O povo reage nas redes sociais

A revolta é visível e tem nome. No Facebook, Simone Brito Brito lançou o debate: “Porquê que uma declaração do bairro vai custar mais cara do que um Bilhete de Identidade?” – uma pergunta que resume a perplexidade dos munícipes.

A indignação tomou conta da página oficial do Conselho Autárquico de Quelimane, onde os cidadãos exigem explicações, mas até agora não receberam resposta. “Gostaria de saber quanto custa uma DECLARAÇÃO DO BAIRRO, pois nos postos e nas casas dos secretários dos bairros estão a cobrar 400 MTS. Peço esclarecimento… Quando foi que as taxas foram agravadas e porque uma declaração do bairro custa esse preço?” questionou Gildo Júlio Cassamo.

O sentimento de revolta é partilhado por outros cidadãos, como Faruk Fazenda, que relata ter pensado que os secretários estavam a cobrar valores ilegais, mas ao dirigir-se ao posto administrativo urbano, percebeu que o aumento era real e institucionalizado. “Então fiquei sem perceber o porquê do agravamento”, lamenta.

Silêncio da edilidade aumenta descontentamento

Até agora, a gestão de Manuel de Araújo não deu qualquer explicação oficial sobre o aumento das taxas. O Conselho Autárquico de Quelimane limitou-se a prometer um pronunciamento “oportuno”, mas sem indicar datas ou justificar a decisão.

Enquanto isso, a revolta cresce e os munícipes sentem-se enganados. O aumento abusivo de preços nos serviços essenciais levanta questões sobre a transparência da governação autárquica e coloca o edil no centro das críticas. A pergunta que fica no ar: será este mais um caso de abuso de poder, ou há uma justificação plausível que Manuel de Araújo ainda não teve coragem de dar?

Ocupação de terras em Quelimane: População toma terreno do ex-governador e Manuel de Araújo minimiza

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Quelimane, 11 de Fevereiro de 2025 – Um grupo de residentes do bairro Morropúe, em Quelimane, invadiu ontem um terreno privado, numa acção que segue a tendência de ocupações forçadas de terrenos ociosos que se espalha pelo país. O acto insere-se num movimento de manifestações públicas que surgiram após a validação dos resultados eleitorais pelo Conselho Constitucional, que deu vitória à Frelimo e Daniel Chapo, apesar das denúncias generalizadas de fraude eleitoral.

O espaço, com dimensões equivalentes a dois campos de futebol, é identificado como pertencente ao falecido General Bonifácio Gruveta Massamba, antigo governador da Zambézia pelo partido Frelimo. A principal justificação dos ocupantes é a falta de soluções para o avanço da erosão que ameaça suas casas há anos, sem qualquer resposta por parte do Governo ou da edilidade de Quelimane.

O problema da erosão costeira tem sido amplamente documentado, confirmando as queixas dos moradores. Um estudo da Universidade Eduardo Mondlane revela que na margem de Sangariveira, a maior perda de terra ocorreu entre 2011 e 2014, com 4,8 metros erodidos, enquanto na margem de Ivagalane, a maior erosão registada foi entre 2017 e 2018, com um recuo de 3,9 metros, enquanto a margem oposta perdeu 1 metro.

“Não podemos esperar mais. As nossas casas estão a cair, não temos alternativa”, disse um dos ocupantes à nossa reportagem. Segundo os moradores, a ocupação não se trata de vandalismo, mas sim de sobrevivência, uma vez que as autoridades nunca ofereceram uma solução concreta para o reassentamento.

Manuel de Araújo ignora situação e sugere que população fique com o terreno

O Presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, minimizou a ocupação do terreno, afirmando que “isso acontece em todo o país, não é um problema apenas de Quelimane”. Mais surpreendente ainda, o edil disse aos jornalistas: “Deixa eles levarem”, sugerindo que não pretende tomar qualquer medida para conter a ocupação.

A declaração foi feita no final de um encontro de trabalho em que Araújo recebeu 200 mil meticais do empresário Cláudio Fone, destinados ao apoio às vítimas do ciclone. Entretanto, a população afectada pela erosão e sem habitação continua sem resposta, restando-lhe apenas a ocupação de terrenos como último recurso.

Quelimane: Taxa para declarações administrativas sobe 310% e Manuel de Araújo está no centro das críticas

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Quelimane, 10 de Fevereiro de 2025 – Cresce a indignação entre os munícipes de Quelimane após o aumento abrupto das taxas para a emissão de declarações administrativas, essenciais para validação e actualização de dados bancários. O custo, que antes era de 100 meticais, disparou para 410 meticais, sem qualquer debate na Assembleia Municipal.

A medida, que afecta directamente cidadãos que precisam desses documentos para operações bancárias, está a ser atribuída ao edil Manuel de Araújo. Segundo relatos recolhidos pela nossa redacção, os funcionários municipais alegam que a ordem partiu directamente do presidente do município.

“Ele critica o governo, mas faz pior”

A revolta entre os munícipes cresce. Muitos dos que votaram em Araújo dizem sentir-se traídos. “O mesmo Araújo critica a gestão do Governo [Frelimo], mas ele é o pior, que prejudica o povo de Quelimane”, desabafa um residente, que preferiu não se identificar.

Um membro da Assembleia Municipal ouvido pelo Jornal Txopela reforça que o aumento da taxa nunca foi discutido no órgão legislador da cidade. “Nenhuma taxa pode ser aumentada sem aprovação da Assembleia Municipal”, explica.

Mesmo sem base legal clara, a nova tarifa está a ser aplicada em todas as recebedorias municipais. A nossa equipa confirmou a prática junto de um dos chefes de posto urbano, que preferiu não se identificar por receio de represálias.

Conselho Municipal promete resposta “oportuna”

Até ao momento, o Conselho Municipal de Quelimane não deu justificações concretas sobre o aumento. O departamento de comunicação da edilidade confirma  que ” a edilidade irá pronunciar-se oportunamente sobre o tema”.

Risco de inundações em Quelimane e arredores, mas população continua sem alternativas

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Quelimane, 07 de Fevereiro de 2025 – As bacias hidrográficas do Zambeze, Púngue, Búzi e Namacurra podem registar inundações nos próximos dias, devido à persistência de um sistema de baixas pressões que se aproxima da região centro do país. O alerta foi emitido pela Administração Regional de Águas do Centro (ARA-Centro, IP), que prevê impactos  em estradas, infraestruturas e campos agrícolas.

Segundo a ARA-Centro, a subida do nível das águas pode atingir níveis críticos em várias áreas, incluindo os distritos de Chemba, Caia e Marromeu (Sofala), Tambara (Manica) e Quelimane, Morrumbala, Inhassunge, Mopeia e Chinde (Zambézia). Além disso, cidades como Beira e Quelimane poderão sofrer inundações urbanas, afectando bairros periféricos onde as condições de drenagem já são precárias.

Apesar do alerta, muitos residentes das zonas de risco dizem que não têm para onde ir. “Todo ano é a mesma coisa, avisam-nos para sairmos, mas ninguém nos dá alternativas. Como podemos abandonar as nossas casas e machambas sem saber para onde ir?”, questiona Domingos Macanda, residente do bairro Icidua, em Quelimane.

A história repete-se nas periferias da Beira. Em bairros como Munhava e Mungassa, moradores convivem com águas estagnadas que transformam ruas em pequenos rios. “Os avisos chegam, mas a solução nunca chega”, lamenta Beatriz Nhamussua, mãe de três crianças.

A ARA-Centro recomenda que a população evite atravessar rios e deixe as áreas mais vulneráveis, mas as autoridades ainda não anunciaram medidas concretas de apoio para realocação ou reforço das infraestruturas. Enquanto isso, milhares de famílias continuam à mercê do tempo, esperando que a natureza seja menos implacável do que o descaso do governo.

Cahora Bassa melhora nível de água, mas seca ainda preocupa

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Quelimane, 07 de Fevereiro de 2025 – A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) anunciou que o nível de água na albufeira melhorou ligeiramente no mês de Janeiro, chegando a 21,7%. A recuperação foi melhor do que o esperado, mas ainda está longe do nível ideal para garantir um abastecimento seguro e estável de energia.

Apesar dessa pequena subida, a seca que atinge a região desde o ano passado continua a preocupar. O volume de água que chegou à barragem foi maior na última semana de Janeiro, chegando a um pico de 4.000 m³/s no dia 30. No entanto, essa média (1.585 m³/s) ainda está muito abaixo do que normalmente se regista em Janeiro nos últimos 43 anos (2.642 m³/s).

Por enquanto, a produção de energia em Cahora Bassa segue dentro do esperado, e ha garantias no fornecimento para Moçambique, África do Sul e outros países da SADC. Mas a situação pode mudar se a seca continuar ou se outras barragens que influenciam Cahora Bassa, como Kariba e Kafue, na Zâmbia, mantiverem restrições de operação.

A HCB informou que está a acompanhar de perto a evolução do clima e que poderá ajustar o uso da água se necessário. A empresa está optimista com as previsões de chuva para Fevereiro e Março, mas ainda não anunciou medidas concretas para garantir a segurança do abastecimento caso a seca se prolongue.

 

 

Longe dos holofotes, há lágrimas entre viúvas de polícias moçambicanos que morreram nas manifestações

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As lágrimas de Inês revelam a dor de uma mulher que viu o seu marido, um agente da polícia moçambicana, morrer dias após ser atingido por duas “balas perdidas” numa noite de protestos em Maputo.  
“O meu marido morreu uma semana depois de ser baleado (…) O médico deu-nos alta, quando chegamos na nossa casa, ele não levou sequer uma hora, perdeu a vida”, conta à Lusa Inês Guambe, na sua residência, nos arredores de Maputo, ainda de luto.    

À paisana, Belmiro Guambe, membro da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), não estava em serviço quando foi alvejado no braço e nas costelas, à porta de casa, na noite do dia 09 de dezembro, minutos após deixar um grupo de amigos com os quais confraternizava.

No seu funeral, as autoridades consideraram que Guambe morreu após ser atingido por “balas perdidas” durante uma operação policial para travar grupos de manifestantes contra os resultados eleitorais no Bairro Luís Cabral, na periferia de Maputo, mas a versão da sua mulher é diferente.

“Ele estava a tentar abrir o portão, quando foi abordado por um polícia(…) Ele ajoelhou-se e identificou-se. Ele disse ao polícia que ele era um colega. Mas acusaram-no de estar entre os manifestantes e dispararam (…) Ele caiu dentro do quintal. Gritou o meu nome e saí”, conta Inês, acrescentando que viu o autor dos disparos, que também atingiram uma janela da residência do casal.

Após dias internado, o agente, de 34 anos, sete dos quais na corporação, não resistiu aos ferimentos e perdeu a vida no dia 16 de dezembro, em casa.

Os médicos que o assistiram disseram à família que havia estilhaços das balas que o atingiram espalhados pelo peito.

“Eu me sinto mal porque, primeiro, antes de ser polícia, ele era um ser humano. E ele, naquele dia, pediu para que eles não disparassem e, mesmo assim, eles dispararam”, acrescentou a viúva.

Dois meses passaram-se desde a morte do homem com o qual Inês vivia há mais de 10 anos e, embora ainda assombrada pela imagem de Guambe caído no chão do quintal da sua casa, a ambição é recomeçar, já que “a vida tem de seguir”.

Hoje, vivendo na casa de familiares a mais de 50 quilómetros do centro da capital moçambicana, Inês tem um pequeno negócio, mas, sem Guambe, “a vida está difícil”, sobretudo porque, atualmente, não conta com qualquer apoio.

As cerimónias fúnebres foram custeadas pelas autoridades e a viúva teve também apoio do movimento “Geração 18 de Março”, um grupo de jovens ativistas voluntários que tem apoiado as vítimas dos protestos pós-eleitorais, mas atualmente depende apenas do lucro de uma banca improvisada na varanda da sua casa.

“Não está fácil. Eu dependia muito dele”, admite a viúva.

Como Inês, segundo a Associação Moçambicana de Polícias, há dezenas de mulheres de agentes moçambicanos que perderam a vida nos últimos três meses de protestos em Moçambique, alguns dos quais mortos pela própria população, em retaliação a atuações descritas como repressivas pelas comunidades.

“Temos várias mulheres que ficaram viúvas e crianças que ficaram órfãs porque os pais foram assassinados em serviço”, lamentou à Lusa Nazário Muanambane, presidente da associação.

Os últimos dados avançados Comando-geral da Polícia moçambicana, em 27 de janeiro, revelavam que pelo menos 17 membros da polícia morreram e 187 ficaram feridos durante as manifestações, que também provocaram a destruição de 77 comandos distritais da corporação.