Canal regional da Afro Media Company, sediada em Quelimane, ocupa a posição 13 da plataforma de televisão por assinatura a partir de 1 de Junho. Iniciativa é apresentada como resposta à concentração mediática na capital.
QUELIMANE — A Afro Media Company anuncia para o próximo 1 de Junho, o arranque das emissões da TV Zambézia 24h na plataforma TMT, posição 13. O canal, que se apresenta como o primeiro meio televisivo regional do centro de Moçambique com distribuição nacional, traz para o debate uma questão que o sector mediático moçambicano tem adiado: a concentração editorial e geográfica num país de mais de 30 milhões de habitantes dispersos por dez províncias.
O projecto parte de uma constatação que poucos contestam: as redacções moçambicanas de maior dimensão estão em Maputo, a agenda noticiosa nacional é moldada a partir da capital e as realidades do interior chegam aos ecrãs nacionais quando servem os ritmos de produção das grandes estações. Zambezia, Sofala, Tete e Manica — províncias com peso crescente na economia extractiva e agrícola do país — raramente dominam o alinhamento dos telejornais que não sejam os seus.
“O que lançamos a 1 de Junho não é apenas um canal de televisão. É uma infraestrutura de comunicação para o centro de Moçambique.”
— Zito do Rosário Ossumane, Director Geral da Afro Media Company
A entrada na TMT — plataforma dominante na distribuição de televisão paga em Moçambique — confere ao canal alcance que a cobertura hertziana local nunca permitiria. Com uma posição fixa na grelha, a TV Zambézia 24h passa a competir directamente com estações nacionais e internacionais pelo tempo de atenção dos assinantes da plataforma, num mercado que, segundo os dados apresentados pelo grupo, conta com mais de 11 milhões de utilizadores móveis activos e uma penetração de internet na ordem dos 37,5 por cento.
A Afro Media Company apresenta-se como grupo multimédia integrado, com operações em televisão, rádio — a Chuabo FM 103.0 e a Rádio Inhassunge FM 98.6 —, imprensa escrita e plataformas digitais, incluindo os jornais Txopela e Bons Sinais. A televisão seria, nesta lógica, o topo de um ecossistema comunicacional já existente e com enraizamento na Zambézia. A narrativa é sedutora.
A televisão regional em Moçambique enfrenta o mesmo dilema que os seus congéneres em África: o mercado publicitário local é estreito, os anunciantes nacionais preferem audiências concentradas, e os custos operacionais de uma emissão contínua de 24 horas são incompatíveis com receitas publicitárias regionais. O comunicado de imprensa do grupo destaca como público-alvo o sector bancário, as telecomunicações, a agro-indústria e as organizações internacionais — sectores com capacidade de investimento, mas também com exigências editoriais que podem, em certas conjunturas, comprometer a autonomia jornalística que o canal proclama no seu lema: “Rigor, Contexto e Clareza”.
O argumento da descentralização mediática tem pertinência num país onde, segundo os próprios dados do sector, cerca de 70 por cento da população ainda depende da televisão como principal fonte de informação. A Zambézia tem mais de 5 milhões de habitantes, a maior concentração populacional do país, e uma história recente marcada por ciclones devastadores, conflitos localizados e processos de reconstrução que os media nacionais cobriram de forma episódica. Um canal com redacção permanente em Quelimane e com capacidade de cobertura multiprovincial poderia, em teoria, preencher esse vazio.
O desafio é que a descentralização mediática eficaz exige não apenas infraestrutura de emissão, mas uma equipa jornalística independente, condições de trabalho estáveis e um modelo de financiamento que não subordine a linha editorial aos interesses dos financiadores.
Contacto institucional: Afro Media Company | [email protected] | +258 24 212 055 | Quelimane
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