Iniciativa propõe-se a “escrever a Zambézia” em múltiplas formas e linguagens
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O escritor moçambicano Almiro Lobo desafiou publicamente os zambezianos – e todos os que nutrem afecto pela província da Zambézia – a unirem-se num ambicioso projecto cultural e identitário: “Vamos Escrever a Zambézia”. Mais do que um simples repto literário, trata-se de uma convocatória à criação, ao resgate da memória colectiva e à valorização de uma região rica em história, tradição e diversidade.
A formulação do desafio é deliberadamente aberta e polissémica. Ao evitar o uso de preposição após o verbo “escrever”, Lobo amplia as possibilidades discursivas e interpretativas: escrever sobre a Zambézia, para a Zambézia, com a Zambézia, pela Zambézia. Assim, cada participante é convidado a explorar, à sua maneira, o universo zambeziano, recorrendo a múltiplas linguagens – da prosa à poesia, da pintura à fotografia, dos contos orais às investigações etnográficas.
Um projecto de longo curso
Concebida como uma iniciativa de longo prazo, esta proposta visa não só dar visibilidade à riqueza cultural da Zambézia, como também estimular novas formas de produção e circulação do saber local. Em declarações recentes, Almiro Lobo sublinhou que “a Zambézia continua por descobrir em muitas das suas dimensões”, alertando para a necessidade de preservação das narrativas que moldam a identidade colectiva da província.
A iniciativa abre ainda espaço para obras colectivas e individuais, encorajando grupos e comunidades a escolherem temas específicos para aprofundar e partilhar, numa lógica de cooperação criativa.
Temas para (re)descobrir a Zambézia
Como ponto de partida, o escritor propõe uma lista temática não exaustiva, que inclui, entre outros, os seguintes tópicos:
- Mitos e lendas da Zambézia, enquanto património oral e simbólico;
- Sabores zambezianos, com destaque para um possível livro de receitas tradicional, da A a Z;
- Contos tradicionais, que preservam o imaginário colectivo e as lições dos antepassados;
- Potencial turístico da Zambézia, com enfoque nos lugares, nas histórias e nas imagens que os representam;
- Arte e artistas da Zambézia, abrangendo artesãos, pintores, escritores, jornalistas e músicos;
- Provérbios e expressões populares nas línguas locais, com tradução e análise cultural;
- Poesia sobre a Zambézia, como expressão estética e emocional do território;
- Plantas medicinais e remédios caseiros, saberes ancestrais ainda vivos;
- Sons e cheiros da Zambézia, com atenção especial à fauna e flora locais;
- Usos e costumes tradicionais que definem modos de vida e relações sociais;
- Frutos da Zambézia, como o mathiele, togoma, pudho e chindu, entre outros.
Escrever para conhecer, escrever para preservar
Num tempo em que a homogeneização cultural avança de forma implacável, a proposta de Almiro Lobo emerge como um acto de resistência e de esperança. Ao convocar os cidadãos a escreverem a Zambézia, o escritor promove não apenas a criação artística, mas também o exercício da memória e da cidadania cultural.
A Zambézia, com os seus montes, rios, matas, cidades e aldeias, reclama ser narrada, interpretada e celebrada. Este projecto poderá resultar, no futuro, em livros, exposições, arquivos digitais e outras formas de disseminação do conhecimento.
Com esta iniciativa, Lobo desafia-nos a olhar para dentro, a escutar as vozes do território e a reescrever, colectivamente, o mapa afectivo e simbólico da Zambézia. E, talvez, a reencontrar nela uma parte essencial do que somos como país.
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