Nampula — Uma missão conjunta do Banco Mundial e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS) esteve, esta terça-feira, 13 de Maio, em audiência com o Governador da Província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, num encontro que juntou financiadores e executivos para mais uma ronda de promessas sobre projectos de desenvolvimento — palavra cada vez mais repetida e menos traduzida em resultados.
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Representados por Blessings Botha (Banco Mundial) e Pedro Zucule (FNDS), os parceiros foram recebidos com apelos à “sustentabilidade harmoniosa e inclusiva”, um chavão habitual em reuniões institucionais, mas que ganha peso quando o próprio Governador reconhece que “é preciso garantir que os projectos realmente façam a diferença na vida das comunidades”.
O desafio, de facto, é esse: transformar milhões desembolsados em infra-estruturas funcionais, serviços permanentes e, sobretudo, dignidade no quotidiano das populações. A província de Nampula tem sido alvo de várias intervenções externas, mas os indicadores de pobreza, exclusão e informalidade continuam entre os mais altos do país.
Namialo, Namicopo e outras vitrinas
No encontro, Eduardo Abdula sugeriu a reabertura do Centro Tecnológico de Namialo (CTN) — uma infra-estrutura outrora promissora, hoje quase esquecida — como um ponto estratégico para disseminar “tecnologias de construção resiliente”. Um objectivo nobre, mas que requer mais do que boas vontades. O centro permanece encerrado, vítimas da crónica descontinuidade política e da má gestão pública.
O Governador também convidou a missão a visitar o bairro Namicopo, um dos mais emblemáticos da capital provincial. Ícone da urbanização desordenada, Namicopo é o espelho das contradições entre discursos de modernização e o abandono prolongado em termos de saneamento, iluminação, segurança e transportes. O novo mercado da cidade, igualmente mencionado, serve de símbolo de tentativa de reorganização — mas continua limitado por problemas de drenagem, informalidade e clientelismo nas licitações.
Capital económica… sem base fiscal?
No fecho da audiência, Eduardo Abdula assumiu a ambição de transformar Nampula na “capital económica do país”. Um objectivo que, à primeira vista, não é absurdo: a província já representa uma fatia significativa da actividade agrícola, do comércio informal e da mobilidade populacional no Norte.
No entanto, faltam os alicerces. O empresariado local vive asfixiado por falta de financiamento, ambiente de negócios pouco previsível, escassez de infra-estruturas e ausência de políticas públicas coordenadas. O centro de decisões continua em Maputo, e a descentralização efectiva permanece no papel.
Mais ambiciosa — e talvez mais necessária — foi a referência ao combate à corrupção, sobretudo nos processos de adjudicação de projectos. Sem nomear casos específicos, o Governador reconheceu o que muitos já sabem: o problema não está apenas nos fundos, mas em quem os gere. A província tem sido cenário de escândalos de má aplicação de fundos de desenvolvimento local e conflitos de interesse nas adjudicações.
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