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Netanyahu propõe Trump ao Nobel da Paz em meio a guerra e contradições

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, surpreendeu ao anunciar a nomeação do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o Prémio Nobel da Paz – uma decisão que já está a gerar controvérsia internacional, sobretudo pelo contexto de violência persistente na Faixa de Gaza e pelo histórico divisivo de Trump em matéria de política externa.

O anúncio foi feito em Washington, num encontro repleto de aliados de Trump, como o enviado especial dos EUA para o Médio Oriente, Steve Witkoff, e os secretários Marco Rubio (Estado) e Pete Hegseth (Defesa). Segundo Netanyahu, a distinção seria “bem merecida”, citando o papel de Trump nos Acordos de Abraão e na política de “pressão máxima” sobre o Irão. No entanto, críticos apontam que essas iniciativas contribuíram pouco para uma paz real e duradoura na região.

A nomeação levanta sérias questões sobre o critério utilizado. Apesar de o regulamento do Comité Nobel permitir que chefes de Estado e membros de parlamentos nacionais proponham candidatos, muitos analistas consideram que Trump não reúne os méritos pacificadores esperados para tal honraria.

Falando à imprensa antes de um jantar com Netanyahu, o ex-presidente norte-americano afirmou acreditar que o Hamas estaria disposto a aceitar um cessar-fogo. “Querem uma reunião e querem este cessar-fogo”, disse Trump, demonstrando otimismo quanto à possibilidade de estabilização no Médio Oriente. No entanto, não apresentou detalhes concretos nem compromissos firmes nesse sentido.

O anúncio de Netanyahu ocorre enquanto a população palestiniana em Gaza continua a sofrer os efeitos de bombardeamentos e bloqueios, e enquanto organizações de direitos humanos denunciam possíveis crimes de guerra por parte de Israel. Para muitos analistas, a proposta soa mais a uma manobra política do que a um reconhecimento genuíno de esforços pela paz.

Nos círculos diplomáticos africanos, incluindo em Moçambique, a nomeação tem sido vista com cepticismo. Observadores notam que, enquanto se tenta premiar líderes por discursos e acordos políticos seletivos, milhões de civis continuam a pagar o preço de decisões políticas que ignoram o direito internacional e a dignidade humana.

Ex-Ministro russo encontrado morto após demissão por Putin

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Roman Starovoit, ex-ministro dos Transportes da Rússia, foi encontrado morto nesta segunda-feira em seu automóvel pessoal, com um ferimento de bala. O Comitê de Investigação da Rússia confirmou o ocorrido, e, embora as autoridades apontem o suicídio como a principal linha de investigação, os detalhes do caso ainda estão sendo apurados.

A morte de Starovoit ocorre poucas horas após sua demissão por parte do presidente Vladimir Putin, em meio a um cenário de crise no setor de transportes aéreos. O governo russo enfrentou dificuldades significativas no fim de semana, com ataques de drones ucranianos que resultaram no cancelamento de 485 voos, além de atrasos em 1.900 voos e o redirecionamento de cerca de 90 aeronaves. As companhias aéreas russas também enfrentaram prejuízos financeiros, sendo obrigadas a reembolsar 43 mil bilhetes e acomodar 94 mil passageiros em hotéis.

Roman Starovoit ocupava o cargo de ministro dos Transportes desde sua nomeação, após ter sido governador da região de Kursk. A investigação sobre as circunstâncias de sua morte segue em andamento, e as autoridades continuam a analisar todas as hipóteses

Jornalistas Interpelados e Intimidados em Cabo Delgado: MISA Condena Atos das Forças de Defesa

O Instituto para a Comunicação Social da África Austral (MISA-Moçambique) denunciou nesta semana o que classifica como atos de tortura psicológica, intimidação e confisco ilegal de equipamento jornalístico contra 16 profissionais de comunicação social, no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado. A denúncia foi feita através de um comunicado datado de 3 de julho, ao qual a Deutsche Welle (DW) teve acesso.

O episódio, que envolve agentes das Forças de Defesa e Segurança (FDS), levanta sérias preocupações sobre o estado da liberdade de imprensa em zonas de conflito em Moçambique, onde a presença jornalística tem sido frequentemente dificultada por medidas arbitrárias de controlo militar.

Segundo o MISA-Moçambique, os jornalistas afetados tinham autorização expressa para captar imagens de infraestruturas destruídas por ataques terroristas em Macomia, incluindo a residência oficial do administrador distrital e a Secretaria Distrital. A autorização foi concedida pelo próprio administrador, Tomás Badae, após uma entrevista no local.

No entanto, ao tentarem cumprir a missão jornalística, foram impedidos por agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), que alegaram não possuir ordens superiores para permitir as filmagens. A equipe decidiu então abandonar o local.

Interpelação e intimidação

O caso agravou-se pouco depois. Quando o grupo já se encontrava em deslocação para Miangalewa, a cerca de 70 km de Macomia, foi novamente interpelado por militares, forçado a sair da viatura, teve documentos recolhidos e foi submetido a fotografias em fila, sem qualquer acusação formal. Parte do material de trabalho, como câmaras e equipamentos de gravação, foi confiscado sem mandado judicial.

De acordo com a denúncia, os profissionais foram levados de volta a Macomia, onde foram submetidos a interrogatórios sob pressão psicológica. “Trata-se de uma grave violação da liberdade de imprensa e dos direitos fundamentais”, lê-se no comunicado do MISA, que exige um pronunciamento urgente do Ministério da Defesa Nacional.

Cabo Delgado: zona hostil à imprensa

Cabo Delgado tem sido descrita como uma “zona quase proibida” para jornalistas, especialmente desde a escalada do conflito armado em 2017. A província é marcada por casos de censura, ameaças, detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados de jornalistas.

O caso mais recente é o do jornalista Arlindo Chissale, do portal Pinnacle News, desaparecido desde 7 de janeiro de 2024. Na altura, Chissale estava também envolvido em atividades de apoio ao partido PODEMOS, o que levantou suspeitas de motivações políticas por trás do seu desaparecimento.

Antes dele, em 7 de abril de 2020, o jornalista Ibrahimo Mbaruco, da Rádio Comunitária de Palma, desapareceu sem deixar rastro após enviar uma mensagem a colegas afirmando que estava “cercado por militares”. Nenhuma explicação oficial foi dada até hoje.

MISA exige responsabilização

O MISA-Moçambique considera que a atuação das FDS em Macomia “viola os princípios constitucionais de liberdade de imprensa” e lança um alerta sobre os riscos enfrentados por jornalistas no terreno. A organização exige que as autoridades investiguem o caso, devolvam o material apreendido e garantam condições mínimas de segurança para o exercício da atividade jornalística em zonas sensíveis

Quelimane recebe delegação da AR e apela à justiça orçamental

O Presidente do Conselho Autárquico de Quelimane, Manuel de Araújo, recebeu esta segunda-feira uma delegação de deputados do partido PODEMOS, chefiada por Fernando Tomé Jone, segundo Vice-Presidente da Assembleia da República, no âmbito de uma missão parlamentar de auscultação à população da província da Zambézia.

Durante o encontro, Araújo saudou a iniciativa, destacando a importância do contacto direto com os cidadãos. Contudo, não deixou de expressar o seu desagrado face ao que considera ser uma exclusão recorrente da Zambézia nas prioridades políticas e orçamentais do Estado moçambicano. “Agradecemos a visita, mas não podemos continuar a aceitar que esta província, uma das mais populosas e economicamente relevantes do país, seja sistematicamente colocada à margem dos grandes investimentos e decisões estruturantes,” afirmou o edil.

A visita dos parlamentares insere-se num ciclo de consultas populares, em que se pretende ouvir preocupações locais, num momento em que se discute a implementação de medidas mais robustas de descentralização e equidade no desenvolvimento nacional.

Ao mesmo tempo, observadores locais consideram que a presença de deputados da oposição, como o PODEMOS, em Quelimane – um bastião político da RENAMO – pode ser vista como um gesto estratégico de aproximação a centros urbanos críticos da governação central.

Fastjet quer descolar em Moçambique e agita monopólio dos céus

A Solenta Aviation, companhia aérea sul-africana, anunciou estar pronta para iniciar operações regulares de transporte de passageiros em Moçambique, depois de obter o plano de negócios aprovado e o Certificado de Operador Aéreo (COA) emitido pelo Instituto de Aviação Civil de Moçambique (IACM).

A empresa pretende operar sob a marca Fastjet, sinalizando uma nova fase no sector da aviação doméstica, historicamente dominado pela Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). Com três aeronaves do tipo Embraer 145 já posicionadas no país, tripulação recrutada e apoio técnico operacional assegurado, a transportadora aguarda apenas a emissão da licença final — cujo pagamento foi efetuado em abril.

O anúncio surge numa altura marcada por suspeitas de entraves administrativos e resistência à entrada de novos operadores. Em nota enviada à imprensa, a Solenta respondeu a relatos mediáticos sobre alegadas tentativas de bloqueio à sua entrada, garantindo que todos os requisitos legais e operacionais foram cumpridos.

A entrada da Solenta/Fastjet poderá marcar o início de uma nova dinâmica no setor, com implicações significativas para a concorrência e os preços dos bilhetes aéreos em voos domésticos. A hegemonia da LAM poderá ser posta à prova, num mercado onde os consumidores têm-se queixado de tarifas elevadas e opções limitadas.

O Instituto de Aviação Civil ainda não se pronunciou sobre a data prevista para emissão da licença final

Acusado de repressão, Bernardino Rafael finalmente ouvido pela Procuradoria

O ex-comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Bernardino Rafael, foi ouvido esta segunda-feira na Procuradoria-Geral da República (PGR), no âmbito de uma queixa submetida por organizações da sociedade civil devido à actuação das forças policiais nas manifestações pós-eleitorais de 2023.

O antigo dirigente policial entrou pelas traseiras do edifício, longe das câmaras e do público que aguardava à frente da PGR, numa estratégia vista por muitos como tentativa de evitar o escrutínio público. A escolha de uma entrada não habitual reacende o debate sobre a transparência institucional no tratamento de figuras públicas acusadas de violações de direitos.

Segundo fontes ligadas ao processo, a audição decorre na sequência de denúncias de uso excessivo da força por parte da polícia em várias províncias do país, durante protestos organizados por partidos da oposição e por movimentos cívicos, logo após o anúncio dos resultados eleitorais.

Até ao momento, nem a PGR nem o próprio Bernardino Rafael se pronunciaram publicamente sobre os detalhes da audição ou sobre o estágio do processo.

Para analistas e defensores de direitos humanos, este caso poderá marcar um momento de viragem na responsabilização de altos quadros das forças de defesa e segurança, ou, pelo contrário, representar mais um episódio de impunidade institucional.

“O que está em causa não é apenas a actuação de um homem, mas a cultura de comando e impunidade que tem sido tolerada por demasiado tempo nas estruturas do Estado”, declarou à imprensa um dos representantes da coligação cívica que apresentou a queixa.

A sociedade civil exige esclarecimentos e o acompanhamento rigoroso do processo, enquanto setores da opinião pública alertam para a importância de garantir que a justiça seja feita — de forma isenta, mas também visível e transparente.

Quelimane: Mulheres da Renamo celebram 45 anos do Destacamento Feminino e reforçam apelo por maior inclusão política

Num ambiente de festa e reflexão, a

Num ambiente de festa e reflexão, a Renamo assinalou este sábado, 5 de julho, os 45 anos do seu Destacamento Feminino com uma marcha pelas ruas de Quelimane, sob o lema “Mulher forte da Renamo pronta para enfrentar desafios”.

O evento começou com a deposição de uma coroa de flores na Praça da Paz, em homenagem às mulheres combatentes do partido, e culminou com um comício político na sede da organização, onde dirigentes destacaram o papel histórico e atual da mulher na estrutura da Renamo.

“Marchamos para celebrar, mas também para reivindicar mais espaço nos processos de decisão”, afirmou Odete Motica, presidente da Liga Feminina da Renamo na Zambézia.

As celebrações, que incluíram actividades culturais nos bairros, serviram também para reforçar a ligação do partido às suas bases e marcar posição quanto ao papel da mulher na política moçambicana, num momento em que se aproximam importantes ciclos eleitorais.

assinalou este sábado, 5 de julho, os 45 anos do seu Destacamento Feminino com uma marcha pelas ruas de Quelimane, sob o lema “Mulher forte da Renamo pronta para enfrentar desafios”.

O evento começou com a deposição de uma coroa de flores na Praça da Paz, em homenagem às mulheres combatentes do partido, e culminou com um comício político na sede da organização, onde dirigentes destacaram o papel histórico e atual da mulher na estrutura da Renamo.

“Marchamos para celebrar, mas também para reivindicar mais espaço nos processos de decisão”, afirmou Odete Motica, presidente da Liga Feminina da Renamo na Zambézia.

As celebrações, que incluíram actividades culturais nos bairros, serviram também para reforçar a ligação do partido às suas bases e marcar posição quanto ao papel da mulher na política moçambicana, num momento em que se aproximam importantes ciclos eleitorais.

Quelimane aguarda data oficial para inauguração da nova Praça do Metical

Está concluída a construção da Praça do Metical, em Quelimane. A informação foi avançada esta segunda-feira (07), durante um encontro entre o edil municipal, Manuel de Araújo, e uma delegação do Banco de Moçambique, chefiada pelo administrador Jamal Luís Omar, responsável pelo pelouro de Estabilidade e Monitoria da instituição.

A reunião serviu para fazer o ponto de situação da obra e para discutir os últimos detalhes relacionados com a inauguração oficial do espaço, cuja data será anunciada em breve.

De acordo com o representante do Banco de Moçambique, a infraestrutura encontra-se pronta e resta agora apenas a concertação entre as duas instituições para a realização do ato inaugural.

Por seu turno, o presidente do Conselho Autárquico de Quelimane manifestou total abertura para acolher a cerimónia, garantindo que o município está preparado para colaborar com o Banco de Moçambique na materialização do evento.

“Se fosse por nós, a inauguração aconteceria já nos próximos dias. Mas, por se tratar de uma parceria, aguardamos a confirmação da data por parte do Banco”, disse Manuel de Araújo.

O autarca referiu ainda que foram emitidas orientações para o reforço da segurança no local, de forma a garantir a preservação da infraestrutura e prevenir actos de vandalismo.

A Praça do Metical é uma iniciativa do Banco de Moçambique e visa valorizar o metical como símbolo da identidade nacional, ao mesmo tempo que contribui para a requalificação urbana da cidade de Quelimane.

Despejo no bairro Sinacura expõe tensão entre decisões judiciais e direitos sociais

Um caso de despejo no bairro Sinacura, cidade de Quelimane, está a levantar debates sobre os limites da legalidade e as implicações sociais das decisões judiciais. Uma família que habita a mesma casa há mais de 60 anos enfrenta uma ordem de despejo, emitida pelo Tribunal Judicial local, em favor de outra família residente na mesma vizinhança.

A tentativa de execução da ordem, ocorrida na sexta-feira, 06 de julho, foi interrompida após forte resistência dos moradores e manifestações de apoio por parte de vizinhos. Oficiais de justiça e agentes da Polícia da República de Moçambique estiveram no local para proceder à remoção dos bens, mas a operação não chegou a ser concluída.

A residência em causa tem sido lar de três gerações de uma família que afirma não ter outro lugar para viver. Uma das filhas da antiga proprietária, visivelmente abalada, descreveu a situação como traumática. “Essa casa representa toda a nossa história. Crescemos aqui, criámos os nossos filhos aqui. É difícil aceitar uma decisão que ignora isso.”

O caso gerou comoção na comunidade. Alguns vizinhos questionam a legitimidade do processo e criticam a falta de diálogo entre as partes antes da intervenção judicial. “Se havia dúvidas sobre a posse da casa, era necessário diálogo. Esta abordagem apenas agrava o sofrimento de quem já vive em condições difíceis”, disse uma moradora que vive no bairro desde a infância.

O neto da antiga proprietária levanta suspeitas sobre possíveis irregularidades. Segundo ele, a pessoa agora reconhecida como legítima dona do imóvel vive no bairro há menos de 25 anos, ao passo que a família desalojada ali reside há mais de seis décadas. “Não compreendemos como uma decisão deste tipo foi tomada. Há indícios de favorecimento e o processo precisa ser revisto com transparência”, afirmou.

O incidente ilustra a crescente tensão entre a aplicação da lei formal e as realidades sociais em comunidades urbanas com histórico de posse informal prolongada. Para especialistas em direito urbano e habitação, casos como este apontam para a necessidade de reformas nos mecanismos de regularização fundiária e de maior sensibilidade social na aplicação da justiça.

Até ao momento, o despejo encontra-se suspenso. A família afetada recorre agora a mecanismos legais para contestar a decisão judicial e garantir o direito à habitação, enquanto cresce o apelo público por soluções mais humanas e participativas para conflitos de posse urbana.

RENAMO procura reconquistar jovens após revés eleitoral na Zambézia

A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) na província da Zambézia anunciou, recentemente, uma nova estratégia voltada para o reforço da ligação com os jovens, numa tentativa de restaurar a confiança desta camada social após os últimos resultados eleitorais desfavoráveis.

A iniciativa foi apresentada por Sajú Mussacanica, presidente da Liga Provincial da Juventude da RENAMO, durante uma conferência de imprensa realizada com o objetivo de partilhar os principais pontos do plano delineado pelo braço juvenil do partido.

De acordo com Mussacanica, a proposta visa promover o envolvimento ativo dos jovens nas atividades políticas e fortalecer a sua participação no processo democrático, como forma de revitalizar a presença da RENAMO na província. O dirigente reconheceu que a recente derrota eleitoral teve impacto negativo na moral dos militantes, sobretudo entre os mais jovens, e considerou fundamental investir na reconstrução dessa confiança.

O plano inclui ações de mobilização, formação política e criação de espaços de diálogo para melhor compreender as aspirações da juventude. A RENAMO acredita que o engajamento desta faixa etária será decisivo para o futuro do partido e da província.

Com esta iniciativa, o segundo maior partido da oposição em Moçambique procura reposicionar-se no cenário político da Zambézia, apostando numa aproximação mais direta e construtiva com os jovens eleitores.