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Hospital Central de Quelimane apela a cuidados mais humanizados

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QUELIMANE, 6 de Agosto de 2025 – No Hospital Central de Quelimane (HCQ), o apelo é direto: mais empatia, mais responsabilidade e menos sofrimento evitável. Enfermeiros e estudantes de enfermagem foram desafiados esta terça-feira a reforçar a qualidade do atendimento, centrando-se na humanização dos cuidados e na prevenção de complicações silenciosas, como a flebite.

O Chefe do Departamento de Ortopedia, Mário Geraldo Coroa Caetano, liderou uma sessão técnica de enfermagem dedicada à prevenção da flebite — inflamação das veias, frequentemente associada ao uso inadequado de cateteres. Segundo o especialista, esta complicação continua a ser um dos maiores desafios nos serviços de internamento, por vezes subestimada, mas com impactos significativos na recuperação dos pacientes.

“A actuação preventiva do enfermeiro é decisiva. Evitar a flebite é evitar sofrimento, infecções, reinternamentos e prolongamento desnecessário da estadia hospitalar”, afirmou Caetano, sublinhando que más práticas comprometem a confiança dos pacientes e degradam a qualidade dos cuidados.

O encontro teve lugar no auditório do HCQ, que registou lotação esgotada. Mais do que uma sessão técnica, o evento serviu como espaço de partilha de experiências e reafirmação de um compromisso: colocar o paciente no centro da atenção clínica, com práticas que respeitem a dignidade humana.

O momento decorre num contexto em que o Governo e parceiros continuam a investir em tecnologia hospitalar e capacitação de recursos humanos, numa tentativa de melhorar os indicadores de saúde e garantir um sistema mais eficiente.

Para os profissionais presentes, a mensagem foi clara: não basta ter equipamentos de ponta, é preciso também garantir cuidados com rosto humano. No HCQ, a saúde pública está em debate – com foco na qualidade, na ética e no compromisso com o bem-estar dos cidadãos.

Nampula: Conselho Municipal coloca gabiões ao longo do rio Muhala

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NAMPULA, 6 de Agosto de 2025 – O Conselho Municipal da Cidade de Nampula está a avançar com a colocação de gabiões ao longo do rio Muhala, no bairro do Muahivire, numa intervenção que visa conter a erosão e prevenir inundações em zonas residenciais adjacentes. A iniciativa é liderada pelo edil Luís Madubula Giquira, que tem apostado em obras de engenharia como resposta às vulnerabilidades ambientais da cidade.

A instalação dos gabiões – estruturas metálicas preenchidas com pedra – marca mais uma etapa no esforço do município para mitigar os riscos resultantes da degradação das margens fluviais e proteger infraestruturas públicas e privadas que, durante as épocas chuvosas, têm sido constantemente ameaçadas pelas cheias.

Fonte do Conselho Municipal indicou que a intervenção insere-se num plano alargado de requalificação e resiliência urbana, que prioriza zonas de risco e comunidades mais expostas aos impactos das alterações climáticas. O rio Muhala é uma das principais linhas de água da cidade e, nos últimos anos, tem sido palco de graves episódios de erosão, provocando perdas materiais e preocupação entre os residentes.

Munícipes de Muahivire mostram-se satisfeitos com a intervenção, apontando que há anos aguardavam por soluções estruturais que contivessem a degradação acelerada das margens do rio e as inundações recorrentes.

Botão dá ultimato: “Brincadeiras e barulho na RENAMO acabaram”

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QUELIMANE, 5 de Agosto de 2025 – O novo delegado político da RENAMO em Quelimane, Leonardo Botão, lançou ontem um ultimato que sacudiu as estruturas locais do partido. “Já chega de brincadeiras, já chega de barulho”, disparou, durante a sua apresentação oficial perante os sete postos políticos do distrito.

A mensagem, directa e sem rodeios, foi interpretada como um recado aos sectores internos que têm semeado instabilidade e alimentado divisões, sobretudo em torno da liderança nacional de Ossufo Momade. Embora sem citar nomes, o novo delegado distrital deixou claro que não permitirá agendas paralelas nem indisciplina. “O que vamos fazer agora é activar e reactivar as cúpulas. O partido estava adormecido, mas isso acabou”, vincou.

A cerimónia decorreu na sede distrital da RENAMO e contou com a presença dos responsáveis dos postos políticos de Namuinho, Brandão, Cololo, Manhaua, Icídua, Miremene e Namacata, que Botão fez questão de destacar como sinal inequívoco de unidade. “Todos os sete postos políticos juntaram-se a mim. Vamos trabalhar com todos, sem excluir ninguém. As mães, os pais, os jovens e os velhos – todos contam para a revitalização das cúpulas”, afirmou.

Desde que assumiu funções, Botão tem estado em contacto directo com as bases, visitando sistematicamente os bairros que compõem o chamado “raio 10”, numa tentativa declarada de reconectar a liderança distrital às estruturas de base. “Visitámos todas as bases políticas. Fomos aonde havia dúvidas e desconfianças, e falámos com o povo. Agora vamos trabalhar com seriedade”, sublinhou.

O novo rosto da RENAMO em Quelimane promete liderança inclusiva, mas com pulso firme, num momento em que o partido enfrenta desafios internos e busca reposicionar-se no cenário político local e nacional. Botão enfatizou que a sua prioridade é reorganizar o partido, reconstruir a confiança interna e recuperar o respeito junto do eleitorado. “Quem quiser brincar, que fique de fora. Aqui vamos trabalhar”, avisou.

O aviso do novo delegado surge numa altura sensível para a RENAMO, que tem sido sacudida por tensões internas, críticas públicas à liderança e episódios de desmobilização nas bases. A chegada de Botão marca, assim, uma tentativa de resgate da autoridade partidária em Quelimane, com foco na disciplina, coesão e reorganização.

Resta saber se este tom musculado surtirá efeito prático ou se enfrentará resistência nas franjas mais críticas da militância. Por agora, Botão traçou uma linha clara: ou há unidade e trabalho, ou há afastamento dos desordeiros. A RENAMO em Quelimane entrou numa nova fase, e segundo Botão, “não há mais espaço para barulho”.

Quelimane acolhe primeira batalha de poesia falada: Zambézia Slam estreia com entrada livre

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QUELIMANE, 6 de Agosto de 2025 – O palco da palavra está montado. No próximo sábado, pelas 14h30, o átrio da Rádio Chuabo FM será invadido pela força da poesia falada, com a realização da 1ª Eliminatória do Zambézia Slam – Batalha de Poesia Falada, um evento que promete mexer com as emoções e dar voz à nova geração de poetas da cidade.

A iniciativa é do Clube de Leitura de Quelimane (CLQ), em parceria com o Movimento Sociocultural Literário (MOSOLECA), TV Zambézia 24 Horas, Rádio Chuabo FM, Jornal Txopela e Moz Slam. Juntos, os organizadores apostam num formato que mistura arte, oralidade e intervenção social, num ambiente onde cada verso pode ser um grito ou um abraço.

A entrada é mahala. Aberto a todos, o evento convida a comunidade a viver a poesia de forma intensa, fora das páginas e dentro da voz dos seus intérpretes. Em palco, os poetas terão minutos contados para impressionar, emocionar e provocar. No slam, não há rede de segurança: a palavra é livre, a competição é real e o público é juiz.

Mais do que uma disputa, o Zambézia Slam é visto como um encontro de gerações, onde a poesia urbana dialoga com o imaginário local e reflete sobre temas sociais, culturais e existenciais. Para os organizadores, trata-se de “um espaço para a juventude dizer o que pensa, com arte e coragem, e mostrar que a poesia pode ser movimento, pode ser denúncia, pode ser festa”.

Este será o primeiro de vários encontros previstos, numa rota que visa consolidar Quelimane como epicentro da poesia falada no centro do país. A expectativa é grande e os poetas já se preparam para o que promete ser uma tarde memorável.

 

Quelimane: Município avança com demolição polémica em nome da reestruturação urbana

O Município de Quelimane procedeu recentemente à demolição parcial de um estabelecimento comercial localizado no bairro Torrone Velho, sob alegação de que a infra-estrutura obstruía o curso das águas pluviais e ocupava de forma irregular o passeio público. A medida, inserida no quadro de um alegado plano de reestruturação urbana, está a levantar sérias questões de coerência e equidade, uma vez que até ao momento, passados quase sete dias da acção, o Alone Boottle Store continua a ser o único alvo de intervenção.

De acordo com representantes da edilidade, a acção resultou do cumprimento de um despacho do edil Manuel de Araújo, antecedido por notificações formais e tentativas de diálogo com o proprietário. “Iniciámos uma campanha para garantir a livre transitabilidade e a segurança dos peões, particularmente em zonas críticas onde o comércio tomou de assalto os passeios”, explicou uma fonte técnica do município.

Contudo, do lado visado, a contestação é frontal. O gerente da loja demolida denuncia falta de transparência no processo e acusa os técnicos municipais de perseguição selectiva. “O Município nunca respondeu aos nossos recursos. Há muitos outros estabelecimentos a ocupar os passeios em toda a cidade, mas só nós fomos atingidos. Isto é perseguição, pura e simples. Estavam aqui 11 trabalhadores que agora podem ir parar ao desemprego”, acusou, visivelmente indignado.

De facto, uma ronda pela cidade permite constatar a presença visível de dezenas de estabelecimentos comerciais erguidos sobre passeios e valas de drenagem. Apesar disso, nenhuma outra estrutura sofreu até agora qualquer acção correctiva ou demolidora, o que fragiliza a narrativa da edilidade sobre um plano estruturado de reordenamento urbano.

Ainda assim, o Município insiste que a operação vai continuar, e que todas as ocupações que perturbem a transitabilidade dos cidadãos serão alvo de intervenção nas próximas fases. “Não há intocáveis”, garantiu um responsável técnico, sem avançar prazos concretos para a expansão das acções.

Para muitos observadores, o episódio expõe a fragilidade dos critérios de actuação do Município, levantando dúvidas sobre se está em curso uma verdadeira reestruturação urbana ou apenas uma acção selectiva com contornos políticos e pessoais mal disfarçados.

 

Zimpeto: reabertura a meio gás expõe fraquezas estruturais do Estado

A decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de autorizar parcialmente o uso do Estádio Nacional do Zimpeto para jogos internacionais, anunciada esta semana pela directora do Fundo de Promoção Desportiva, Sílvia Langa, não deve ser lida como sinal de progresso. Pelo contrário: revela, mais uma vez, o estado de degradação técnica e moral das nossas instituições públicas.

Interdito desde Fevereiro devido a graves anomalias detectadas pela CAF – falhas que comprometiam a segurança de jogadores, adeptos e staff técnico – o maior estádio do país só poderá agora acolher jogos durante o dia e com uma lotação reduzida a 15 mil espectadores. Um terço da sua capacidade oficial.

Este gesto da CAF, ao limitar o uso da infra-estrutura, é menos uma autorização e mais um alerta: Moçambique está a falhar na preservação e gestão dos seus bens públicos. E falha por falta de visão estratégica, de cultura de manutenção e de responsabilização efectiva.

O Estádio Nacional do Zimpeto, construído com verbas avultadas e com elevado simbolismo nacional, deveria ser exemplo de modernidade, orgulho e competência. Em vez disso, converteu-se num monumento à inoperância institucional, à ausência de fiscalização sistemática e à impunidade de quem deveria zelar pelo património do Estado.

O mais grave é que esta realidade já não choca ninguém. A sociedade foi sendo anestesiada com discursos de circunstância, relatórios ocultos e inaugurações pomposas que não resistem ao teste do tempo. Hoje, as pessoas assistem, com desconfiança e resignação, à encenação de normalidade montada pelas autoridades desportivas.

Enquanto se festeja a “reabertura” do Zimpeto, o país profundo pergunta: quem será responsabilizado por esta vergonha? Quantos recursos públicos foram desperdiçados? Qual é o plano concreto para garantir que esta infra-estrutura não volte a ser interditada em seis meses?

O que está em causa não é apenas um estádio. É a credibilidade das instituições. É a confiança dos cidadãos. É o futuro do desporto moçambicano.

No Jornal Txopela, acreditamos que o país só avançará quando deixarmos de aceitar a mediocridade como inevitável e começarmos a exigir contas claras aos gestores da coisa pública. O Zimpeto é um símbolo — mas que não se torne o símbolo do nosso fracasso colectivo.

“Quelimane é Carnaval”: Documentário de Alex Dau estreia na Beira no dia 27

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BEIRA, 5 de Agosto de 2025 – O produtor cultural e cineasta moçambicano Alex Dau estará na cidade da Beira no próximo dia 27 de Agosto para apresentar, no Centro Cultural Português, às 14 horas, o seu mais recente filme-documentário intitulado “Quelimane é Carnaval”.

A obra mergulha na memória colectiva da capital zambeziana e resgata, com testemunhos vivos, o esplendor do Carnaval de Quelimane entre as décadas de 1960 e 1980. Entre danças, fantasias e música, o documentário dá voz a figuras que participaram activamente na folia e revela os momentos de suspensão do Carnaval no período pós-independência, bem como o seu renascimento nos anos mais recentes.

Entre os entrevistados está o edil de Quelimane, Manuel de Araújo, considerado uma das figuras centrais do ressurgimento do evento. Para ele, “o Carnaval é mais do que uma festa, é identidade, é memória, é Quelimane no seu estado mais autêntico e festivo”, declara no documentário, que apresenta a cidade como o “pequeno Brasil” de Moçambique, tal a sua entrega à folia e ao ritmo carnavalesco.

Após a exibição, Alex Dau conduzirá uma conversa aberta com o público sobre o processo de criação do documentário, partilhando bastidores e o seu olhar artístico sobre a produção audiovisual moçambicana. A sessão promete ser também um momento de reflexão sobre o papel da cultura na construção da memória e identidade urbana.

Mais do que cineasta, Alex Dau é um autor multifacetado. Escritor, produtor cultural, video maker e ativista socioambiental, tem publicado crónicas e textos de opinião na imprensa nacional e estrangeira. É autor de obras como “O galo que não cantou”, “Reclusos do tempo”, “Heróis de palmo e meio” e “Habitante do inóspito”. A sua passagem pelo Brasil deixou-lhe raízes profundas na sétima arte, o que se reflecte no estilo e no conteúdo das suas produções.

O documentário “Quelimane é Carnaval” insere-se no seu trabalho de valorização da identidade moçambicana e do património imaterial, captando o espírito de uma cidade que resiste, celebra e se afirma através da cultura popular.

A entrada para a exibição será gratuita e espera-se casa cheia no Centro Cultural Português na Beira, num evento que promete celebrar a memória, a arte e a irreverência zambeziana.

Estado Islâmico reivindica decapitações e ataques em Chiúre e Muidumbe

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CHIÚRE, CABO DELGADO – 5 de Agosto de 2025 – Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicaram novos ataques armados nos distritos de Chiúre e Muidumbe, em Cabo Delgado, onde pelo menos cinco civis foram decapitados entre sexta-feira e domingo. A ofensiva agrava o já crítico cenário humanitário e de segurança na província, marcada por deslocações massivas e o medo constante da população.

Através dos seus canais de propaganda, o EI afirma que quatro pessoas foram capturadas e decapitadas numa aldeia de Chiúre na sexta-feira. No domingo, outro civil foi igualmente executado em Muidumbe, também alegadamente por membros do grupo Ahlu-Sunnah wal Jama’a (ASWJ), braço local do EI.

Os relatos coincidem com uma série de ataques anteriores reivindicados pelo mesmo grupo. Na semana passada, o EI já tinha afirmado ter morto 18 elementos das milícias tradicionais naparamas na localidade de Walicha, também em Chiúre. Os naparamas, conhecidos pelo uso de práticas tradicionais e rituais místicos, têm apoiado as Forças de Defesa e Segurança (FDS) no combate à insurgência que assola Cabo Delgado desde 2017.

Além das mortes, os insurgentes relatam a destruição de dezenas de casas e motorizadas. Nos últimos dias, também reivindicaram a decapitação de pelo menos três cristãos moçambicanos, em ataques isolados em diferentes distritos da província.

O ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, admitiu na quinta-feira, em Maputo, crescente preocupação com a nova vaga de violência. “Não estamos satisfeitos com o estado atual. Os terroristas, nos últimos dias, conseguiram atingir zonas afastadas do centro de gravidade que tínhamos assinalado”, reconheceu, acrescentando que as FDS estão a perseguir os insurgentes.

Os ataques, que se intensificaram desde 24 de julho, já causaram cerca de 12 mil novos deslocados apenas no distrito de Chiúre. O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, confirmou que se regista um aumento da actividade dos insurgentes, sobretudo no sul da província, desde o final de junho. Milhares de pessoas fugiram das suas aldeias em direção à vila de Chiúre e à província vizinha de Nampula.

Organizações humanitárias alertam para um cenário preocupante. Entre os dias 20 e 25 de julho, pelo menos 34 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas nos distritos de Chiúre, Ancuabe e Muidumbe. Muitas delas estão agora abrigadas em escolas da vila de Chiúre, onde recebem apoio de agências das Nações Unidas e das autoridades moçambicanas.

Os ataques mais recentes incluem também uma investida a Chiúre Velho, onde insurgentes atacaram uma aldeia e um posto policial, saqueando material e usando armas automáticas. Segundo dados do Centro de Estudos Estratégicos de África, pelo menos 349 pessoas foram mortas por grupos extremistas islâmicos em 2024 no norte de Moçambique, representando um aumento de 36% em relação ao ano anterior.

Cabo Delgado continua a viver um dos conflitos mais duradouros e invisíveis do continente africano, com a insegurança a afetar de forma severa civis que permanecem entre o fogo cruzado de uma guerra sem rosto e sem fim à vista.

Quelimane: Jovens intensificam plantio de mudas para travar erosão nas margens do rio Ilalane

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QUELIMANE, 5 de Agosto de 2025 – Organizações juvenis e comunitárias estão a intensificar esforços de combate à erosão nas margens do rio Ilalane, no bairro Chuabo Dembe, através do plantio de mudas de espécies nativas e construção de barreiras naturais. As acções integram uma iniciativa ambiental financiada pelo Conselho Autárquico de Quelimane, com o apoio da Bloomberg Philanthropies.

No terreno, a Associação Ecoeduca liderou, nos últimos dias, mais uma jornada de plantio, envolvendo espécies como salgueiros e mangais, colocadas diretamente sobre estruturas de contenção já previamente instaladas. “Estamos a trabalhar para estabilizar as margens do rio e criar uma barreira viva que resista às cheias e ao impacto das águas”, explicou um dos coordenadores da Ecoeduca ao Txopela.

As barreiras são compostas por estacas de madeira, sacos de areia e pneus reutilizados, estrategicamente posicionados nos pontos críticos da linha de água. O objectivo, segundo os organizadores, é garantir que as mudas criem raízes sólidas e se transformem, a médio prazo, numa solução sustentável e natural contra a erosão e a degradação ambiental da zona ribeirinha.

Além da Ecoeduca, outras associações estão igualmente engajadas nesta frente ambiental. A ASSOACO, a ADCOPA, e a GACREMA – esta última através do projeto Indoeni Chuabo, no bairro Ivagalane – realizam actividades semelhantes em diferentes pontos da cidade. A ANEJS, por sua vez, actua ao longo do quarto posto administrativo urbano, especialmente nas margens da Avenida Eduardo Mondlane.

Estas acções integram um projecto de iniciativas juvenis sobre mudanças climáticas, que visa promover a resiliência comunitária e a participação activa dos jovens na protecção do ambiente. “Estamos a mostrar que a juventude não está alheia aos desafios climáticos. Pelo contrário, queremos ser parte da solução”, afirmou um jovem voluntário da ADCOPA.

A cidade de Quelimane é uma das mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, com problemas recorrentes de erosão costeira, cheias sazonais e perda de cobertura vegetal. As autoridades autárquicas apostam agora em soluções baseadas na natureza e no envolvimento das comunidades como forma de travar a degradação dos ecossistemas urbanos.

Para os moradores de Chuabo Dembe e arredores, estas acções trazem esperança. “Há anos que víamos o rio avançar e destruir tudo à volta. Agora estamos a ver que é possível reverter a situação com trabalho comunitário”, disse um residente local.

Governo e sector privado iniciam negociações dos salários mínimos

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O governo moçambicano e o sector privado iniciaram, esta segunda-feira (04), em Maputo, as negociações para a fixação dos salários mínimos nacionais, por sector de actividade, no quadro do diálogo social tripartido envolvendo empregadores, trabalhadores e o Estado.

O anúncio foi feito pelo porta-voz do Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, Baltazar Domingos, sublinhando que o processo decorre no quadro da concertação social tripartida, envolvendo empregadores, representados pela Confederação das Associações Económicas (CTA), e trabalhadores, através da Organização dos Trabalhadores Moçambicanos – Central Sindical (OTM-CS).

“A questão da negociação do salário normalmente discute-se em função dos sectores. Então há um acordo entre os empregadores e os trabalhadores. Depois de ser estabelecido, este acordo é que se traz a nível da plenária aquilo que for o consenso, e são fixados os salários”, explicou Domingos.

Segundo a fonte, o processo culmina com a submissão da proposta final ao Conselho de Ministros, para sua apreciação e aprovação.

“Mas o critério, a fórmula que se tem usado para se chegar ao salário mínimo é mesmo por via da negociação entre os empregadores e os trabalhadores. Chega-se a um acordo, então esse acordo depois é que a Comissão Consultiva do Trabalho vai aprovar e fixar os salários mínimos. Depois dessa fixação, então é que se vai para o Conselho de Ministros”, acrescentou.

As negociações foram interrompidas em Abril, a pedido da CTA, que justificou a suspensão com o impacto das manifestações pós-eleitorais no funcionamento do sector privado.

Na altura, o então presidente da CTA, Agostinho Vuma, solicitou medidas de apoio aos empresários, como a criação de linhas de crédito, isenções e reforço da segurança.

“Na altura houve um acordo entre os empregadores e os trabalhadores, e este acordo tinha em conta aquilo que o país atravessou no ano passado e no início deste ano. Então, o propósito na altura era de ver se passava para o segundo semestre, e agora já estamos no segundo semestre, a discussão sobre a fixação dos salários mínimos”, disse.

Para o representante da OTM-CS, Damião Simango, o salário mínimo deve ter em conta as necessidades reais das famílias moçambicanas.

“O nosso indicador tem como base uma família, um agregado familiar de cinco pessoas, para alimentos básicos, e não inclui electricidade, não inclui carvão, não inclui petróleo, não inclui sabão, coisas muito básicas como isso, e transporte para duas pessoas dentro da família”, detalhou.

Já o presidente do pelouro laboral da CTA, Farouk Osman, apelou ao espírito de entendimento entre as partes.

“Nós assinamos de facto um memorando e estamos comprometidos com a realização das discussões, independentemente das condições que o país atravessa, que são condições de facto difíceis. Mas, no entretanto, no âmbito daquilo que é a concertação social tripartida, é fundamental. Nós reassumimos esse compromisso de ir à mesa de negociação e, de facto, pensamos acabar, culminar essa discussão de uma maneira que satisfaça todas as partes”, afirmou.

Durante a sessão, foi igualmente apresentado e debatido o relatório do Plano de Acção da Política de Emprego.

(AIM)