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Pebane: Homem detido por sequestro e extração de órgãos genitais de menor

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Um homem de 32 anos encontra-se detido no Comando Distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Pebane, província da Zambézia, acusado de sequestrar e mutilar um menor de apenas cinco anos de idade.

A informação foi tornada pública por Belarmina Henriques, porta-voz do Comando Provincial da PRM na Zambézia, que detalhou que o caso foi denunciado pelos pais da criança. De acordo com Henriques, os progenitores haviam deixado o filho sob cuidado de outro menor enquanto realizavam atividades diárias. Ao regressarem, não encontraram a criança e iniciaram buscas imediatas.

Durante as diligências, o corpo do menor foi encontrado numa área de mata, na zona limítrofe entre os distritos de Pebane e Gilé, sem os órgãos genitais.

As autoridades acionaram um trabalho de inteligência e, com apoio da população local, localizaram e neutralizaram o suspeito. O caso está a ser investigado para apurar as motivações e possíveis ligações a redes de tráfico de órgãos humanos.

A PRM apela à vigilância das comunidades e ao reforço da denúncia de qualquer comportamento suspeito, para prevenir a repetição de crimes desta natureza.

 

LAM recebe hoje primeira de oito aeronaves encomendadas

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Com a pompa discreta de quem sabe que o céu é apenas o começo, as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) assinalam, esta quinta-feira, a chegada do primeiro de oito aviões que a companhia estatal pretende incorporar na sua frota.

O anúncio partiu do próprio comandante da operação — Dane Kondic, director-executivo da LAM — durante uma conferência de imprensa onde as palavras soaram mais como compromisso do que celebração. “Temos já uma equipa técnica mobilizada para acompanhar e assegurar a manutenção desta aeronave”, garantiu, como quem antecipa que manter o voo será, talvez, um desafio maior do que a própria decolagem.

O avião, cuja aterragem em solo moçambicano está prevista para hoje, é o prenúncio de um programa mais ambicioso: renovar a frota e, quem sabe, devolver às LAM o fôlego de outros tempos. Nos próximos tempos, outros sete pássaros metálicos deverão seguir-lhe o caminho, num investimento que pretende reforçar a ligação entre as províncias e abrir novas rotas no mapa aéreo nacional e regional.

Entre expectativas e turbulências, a companhia joga alto: reconquistar a confiança dos passageiros, depois de anos de ventos contrários que quase a fizeram aterrar de vez.

Operação higiene: 15 dias para limpar a imagem dos talhos em Quelimane

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Na manhã desta quarta-feira, 13 de agosto, a cidade de Quelimane acordou sob o olhar atento de uma brigada multissetorial que, durante 15 dias, vai vasculhar cada esquina dos mercados, talhos e currais onde a carne vermelha muda de dono antes de chegar ao prato do consumidor.

A operação, uma espécie de “raio-X” sanitário sobre o coração comercial da urbe, é comandada pela Vereação das Actividades Económicas, Mercados e Feiras do Conselho Municipal, em aliança estratégica com o Serviço Distrital de Saúde, o Serviço Distrital de Actividades Económicas e o Centro de Higiene Ambiental e Exames Médicos.

O alvo declarado é simples na forma, mas vital no conteúdo: aferir se as condições de higiene e salubridade nos pontos de venda cumprem as normas que a saúde pública exige — e que a realidade, tantas vezes, insiste em contornar. Ao lado da fiscalização rigorosa, decorrem palestras de sensibilização para os fornecedores, lembrando que saneamento e prevenção de doenças andam de mãos dadas, especialmente quando a origem é animal.

Mais do que um gesto administrativo, esta ação soa como um recado claro: o município e o distrito pretendem mostrar que proteger a saúde do consumidor não é favor, é dever. Resta saber se, passado o prazo da campanha, as boas práticas encontradas (ou impostas) resistirão ao desgaste do tempo — ou se tudo voltará ao habitual cenário onde a pressa de vender suplanta o cuidado de preservar.

 

Quelimane: Primeira-dama municipal leva alento às vítimas do ciclone Freddy

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A manhã desta quinta-feira trouxe ao bairro Sangariveira um raro sopro de esperança. Silvia Soares, esposa do Presidente do Município de Quelimane, percorreu ruas marcadas pela devastação deixada pelo ciclone tropical Freddy, levando consigo mais do que simples mantimentos — carregava gestos que procuram resgatar a dignidade ferida de quem perdeu quase tudo.

Entre escombros e paredes tombadas, encontrou famílias que viram as suas casas sucumbir à fúria dos ventos. Acompanhada por parceiros do setor privado, distribuiu kits alimentares — pipas de sustento imediato — a famílias que, desde a tragédia, sobrevivem em condições de improviso e fragilidade.

A ação, modesta na dimensão mas significativa no simbolismo, pretende atenuar a fome que se abateu sobre os mais vulneráveis, enquanto se mobilizam novos meios para prolongar o socorro. Silvia Soares fez questão de sublinhar que este esforço não se esgota no Sangariveira: a meta é chegar a todos os recantos onde o ciclone deixou marcas, físicas e emocionais, que ainda tardarão a desaparecer.

 

Lula desafia Washington: “O Brasil é mais democrático que os Estados Unidos”

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Num tom que misturou ironia, orgulho nacional e recado diplomático, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a mexer nas águas — desta vez no delicado lago das comparações políticas com os Estados Unidos.

Respondendo a um relatório do Departamento de Estado norte-americano que acusa Brasília de persistentes violações dos direitos humanos, Lula foi direto: “Em muitos aspetos, o Brasil é mais democrático que os Estados Unidos.” A declaração, carregada de subtexto político, não se limitou a um contra-ataque verbal; soou como um convite a um debate público sobre quem, de facto, pode reivindicar a supremacia moral no campo das liberdades e garantias.

Para o presidente brasileiro, a democracia não se mede apenas pelo número de eleições realizadas ou pelo marketing político que emana das grandes capitais. Mede-se, segundo ele, pela participação popular, pela diversidade representada nas instituições e pela liberdade de expressão — elementos que, garante, estão mais vivos no Brasil do que em muitas nações que se autoproclamam faróis democráticos.

Lula também aproveitou para lembrar que os próprios Estados Unidos enfrentam problemas estruturais que corroem a sua imagem externa: da violência policial contra minorias raciais aos ataques sistemáticos ao direito ao voto, passando por episódios de instabilidade política como a invasão do Capitólio, em 2021.

Com este discurso, o presidente brasileiro não apenas contestou o retrato pintado por Washington, mas colocou o Brasil numa posição de contra-narrativa — recusando o papel de réu no tribunal da opinião internacional e apresentando-se, em vez disso, como acusador.

É um jogo arriscado: “cutucar” o gigante norte-americano pode trazer desconfortos diplomáticos e comerciais. Mas, para Lula, que construiu a sua carreira entre confrontos e alianças estratégicas, o risco é também uma oportunidade. E, no xadrez da política externa, cada palavra é uma peça cuidadosamente movida.

 

Quelimane: Jovens formadas pelo IFPLAC transformam oportunidade em negócio próprio

Três jovens de Quelimane – Madalena Saudul, Lurdes Armando e Dalila José da Silva – estão a provar, na prática, que a formação profissional pode ser a chave para a autonomia e o desenvolvimento comunitário. Moradoras do bairro Sangariveira, as três concluíram recentemente o curso de serralharia mecânica no Instituto de Formação Profissional e Estudos Laborais de Quelimane (IFPLAC), no âmbito de um programa apoiado pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), através do projeto Viva+.

O percurso começou de forma simples: um contacto com as ativistas do projeto, que passavam pelo bairro a divulgar a iniciativa. As jovens inscreveram-se, seguiram todas as etapas do processo e conquistaram uma bolsa de estudos. No dia 5 de julho deste ano, subiram ao palco da graduação, momento em que receberam, das mãos da FDC, um kit completo de serralharia mecânica, como incentivo à aplicação imediata das competências adquiridas.

Instalaram a sua oficina no próprio bairro e, desde então, têm produzido e comercializado uma variedade de artigos, desde máquinas de blocos, assadeiras, fogões e pega-fogos até grades para proteção de janelas. O negócio tem tido boa aceitação e já permitiu reinvestir em materiais, como novas chapas para ampliar a produção.

“Não foi perda de tempo. Pelo contrário, trouxe-nos mais autoestima e uma oportunidade real de trabalho”, afirma Madalena. Lurdes acrescenta: “Já vendemos muitas peças e o retorno tem sido positivo. Ninguém de nós esperava algo assim.”

O sucesso do projeto já começa a inspirar outras jovens na comunidade. As três empreendedoras deixam um apelo: “Que mais raparigas sigam este exemplo e invistam na sua formação. As oportunidades podem transformar vidas.”

 

Mambas convocam-se para o sonho de 2026 — e para a prova de fogo contra Uganda e Botswana

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A lista saiu, pesada como chumbo e extensa como um caderno de escola: 54 nomes. Chiquinho Conde, o homem que carrega sobre os ombros a esperança de ver Moçambique voltar a escrever a sua história nos grandes palcos, anunciou a pré-convocatória para as 7.ª e 8.ª jornadas de qualificação ao Mundial da FIFA 2026. Duas batalhas à vista: primeiro, a deslocação a Kampala para medir forças com o Uganda; depois, o regresso ao Estádio Nacional do Zimpeto para enfrentar o Botswana.

É uma convocatória que mistura certezas e apostas, veteranos e jovens à espera de provar que têm lugar no relvado onde se decidem destinos. Dos guarda-redes, onde reinam nomes já familiares como Ernan Siluane e Kimiss Zavala, até à defesa robusta de Reinildo, Bruno Langa e Edmilson Dove, passando pelo meio-campo recheado de talento — com Domingues, Guima, Miquissone e Geny Catamo — e terminando no ataque, onde a esperança se divide entre a experiência de Dayo e o faro de golo de Neymar Canhembe, a mensagem é clara: ninguém pode dizer que ficou de fora por falta de oportunidade.

Chiquinho joga com um baralho completo, mas sabe que, no futebol, o número de cartas pouco vale se a mão não for bem jogada. Uganda e Botswana não são adversários que se ganham com nomes no papel; ganham-se com estratégia, disciplina e a tal “garra” que tantas vezes nos falta nos momentos decisivos.

Moçambique sonha com 2026, mas o caminho é estreito e cheio de armadilhas. Esta pré-convocatória é apenas o primeiro passo — a escolha final virá carregada de cortes dolorosos e inevitáveis. Até lá, os Mambas treinam, a nação espera e o relógio corre.

Coreia do Sul: queda em família – do palácio presidencial à cela

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Em Seul, a história parece decidida a encenar sua própria peça de ironia: Kim Keon Hee, ex-primeira-dama e outrora rosto reluzente de um poder presidencial em ascensão, amanheceu atrás das grades. Aos 52 anos, carrega um título inédito – a primeira esposa de um chefe de Estado sul-coreano a ser presa – e um rol de acusações que misturam suborno, fraude no mercado de ações e tráfico de influência.

O enredo é inseparável do marido, Yoon Suk Yeol, que há poucos meses também trocou o gabinete pela cela. Ele foi destituído num processo de impeachment que seguiu uma desastrada tentativa de impor lei marcial – manobra lida por muitos como um autogolpe mal calculado. Desde julho, cumpre prisão preventiva, enquanto assiste à ruína política e judicial do clã.

A ordem de prisão contra Kim veio após longas horas de interrogatório. Ao chegar à promotoria, murmurou um pedido de desculpas “por causar problemas, apesar de ser uma pessoa sem importância” – frase que soou mais como encenação do que contrição. Negou tudo, mas a lista de evidências pinta outro quadro: um pingente da Van Cleef de 43 mil dólares, ocultado das declarações financeiras oficiais e, por meses, defendido como “réplica de Hong Kong” até peritagem confirmar sua autenticidade; bolsas Chanel e um colar de diamantes oferecidos por um grupo religioso interessado em favores comerciais.

O retrato público de Kim nunca foi o da primeira-dama recatada que a tradição política sul-coreana espera. Galerista de sucesso, especialista em belas artes, ela cultivou tanto glamour quanto polêmica. Vestuário ostentoso, lobby ativo em temas sensíveis – como a defesa da proibição do consumo de carne de cão – e uma agenda própria que frequentemente eclipsava a do marido.

Agora, o casal que chegou ao topo embalado por promessas de renovação política protagoniza um duplo colapso digno de série política: duas prisões, um casamento sob cerco mediático e um país que observa, entre indignação e voyeurismo, a implosão de um império doméstico que parecia inabalável.

 

Trump e os aliados: conversas de guerra e ensaio para um encontro com Putin

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Foi com a habitual diplomacia de palavras cuidadas que o chanceler alemão, Friedrich Merz, classificou de “construtiva” a reunião virtual realizada hoje entre líderes europeus, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mas por trás do adjetivo redondo, esconde-se um jogo mais complexo — e perigoso — que se desenrola no tabuleiro geopolítico.

A conversa, oficialmente centrada na guerra na Ucrânia, serviu também para um outro propósito: afinar, com rigor cirúrgico, o posicionamento que Trump levará para o próximo encontro com o Presidente russo, Vladimir Putin, já agendado para acontecer em solo norte-americano. Um detalhe que, no xadrez das potências, significa muito mais do que parece.

Trump, que regressou à Casa Branca com promessas de “acordos rápidos” e “paz duradoura” — conceitos que para muitos diplomatas soam a códigos para concessões — escutou Zelensky e os líderes europeus, mas manteve a expressão impassível, como quem já tem o guião escrito. E esse guião, tudo indica, será testado na cimeira com Putin.

Os aliados europeus, cada vez mais inquietos com a erosão do apoio militar e financeiro à Ucrânia, aproveitaram o encontro para insistir que qualquer abertura de diálogo com Moscovo não pode significar o abandono de Kiev. Mas a forma como Trump fez questão de anotar, pausadamente, cada intervenção, sugere que o encontro de hoje funcionou tanto como consulta de aliados quanto como ensaio geral para a conversa mais difícil que terá pela frente — a de convencer Putin de que ainda é possível um entendimento.

Para já, a reunião terminou com fotografias virtuais de rostos sorridentes e declarações otimistas. Mas, nos corredores fechados da diplomacia, cresce o receio de que, quando a conversa se mudar para a Casa Branca e tiver Putin do outro lado da mesa, “construtiva” possa significar, simplesmente, “cedência”.

 

Escassez de divisas: todos sabem a solução, mas ninguém quer largar o pedestal

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O Centro de Integridade Pública (CIP) resolveu dizer em voz alta aquilo que todos no circuito financeiro cochicham nos corredores: enquanto Banco de Moçambique, bancos comerciais e agentes económicos continuarem a trocar comunicados de imprensa em vez de olhares à mesma mesa, o país continuará a mendigar dólares e rands, com a economia a definhar no processo.

Edson Cortez, director executivo do CIP, não perdeu tempo com “salamaleques” técnicos. Na apresentação do relatório preliminar sobre a crise cambial, atirou logo que é preciso “sentar como pessoas” — uma frase aparentemente simples, mas que, no léxico moçambicano, soa quase como uma ofensa aos ouvidos de quem se habituou a falar de cima para baixo.

“O país está parado. Sem dinheiro, não se pagam salários, hospitais, nem infra-estruturas. É preciso ser pragmático”, frisou, lembrando que dogmas não pagam a folha salarial da função pública.

O documento é claro: sem produção nacional reforçada e novas fontes de divisas, a falta de moeda estrangeira vai continuar a ser a desculpa oficial para tudo — menos para a incompetência.

Mas há mais. Cortez deixou escapar um detalhe que deveria ter feito soar alarmes: a escassez não é apenas económica, é também criminogénica. Moeda rara e controlos frouxos são o cenário perfeito para o branqueamento de capitais. E enquanto Moçambique tenta sair da lista cinzenta, há “zonas de penumbra” prontas para serem exploradas por quem sabe que, no caos, o dinheiro sujo circula sem pedir licença.

Os mukheristas, que vivem o problema no balcão de cada câmbio informal, já nem pedem reformas estruturais — pedem apenas que o diálogo tripartido aconteça antes que a moeda valha menos que o papel.

Sudecar Novela, que lidera a associação dos importadores informais, resumiu o drama:

“Pagamos o preço mais alto por divisas. Se Banco de Moçambique, bancos comerciais e agentes económicos não se entenderem, não há comércio que sobreviva.”

No fundo, todos sabem o que precisa ser feito. O que falta não é plano, é humildade. E humildade, em certas esferas, é mais escassa que as próprias divisas.