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Escassez de divisas: todos sabem a solução, mas ninguém quer largar o pedestal

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O Centro de Integridade Pública (CIP) resolveu dizer em voz alta aquilo que todos no circuito financeiro cochicham nos corredores: enquanto Banco de Moçambique, bancos comerciais e agentes económicos continuarem a trocar comunicados de imprensa em vez de olhares à mesma mesa, o país continuará a mendigar dólares e rands, com a economia a definhar no processo.

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Edson Cortez, director executivo do CIP, não perdeu tempo com “salamaleques” técnicos. Na apresentação do relatório preliminar sobre a crise cambial, atirou logo que é preciso “sentar como pessoas” — uma frase aparentemente simples, mas que, no léxico moçambicano, soa quase como uma ofensa aos ouvidos de quem se habituou a falar de cima para baixo.

“O país está parado. Sem dinheiro, não se pagam salários, hospitais, nem infra-estruturas. É preciso ser pragmático”, frisou, lembrando que dogmas não pagam a folha salarial da função pública.

O documento é claro: sem produção nacional reforçada e novas fontes de divisas, a falta de moeda estrangeira vai continuar a ser a desculpa oficial para tudo — menos para a incompetência.

Mas há mais. Cortez deixou escapar um detalhe que deveria ter feito soar alarmes: a escassez não é apenas económica, é também criminogénica. Moeda rara e controlos frouxos são o cenário perfeito para o branqueamento de capitais. E enquanto Moçambique tenta sair da lista cinzenta, há “zonas de penumbra” prontas para serem exploradas por quem sabe que, no caos, o dinheiro sujo circula sem pedir licença.

Os mukheristas, que vivem o problema no balcão de cada câmbio informal, já nem pedem reformas estruturais — pedem apenas que o diálogo tripartido aconteça antes que a moeda valha menos que o papel.

Sudecar Novela, que lidera a associação dos importadores informais, resumiu o drama:

“Pagamos o preço mais alto por divisas. Se Banco de Moçambique, bancos comerciais e agentes económicos não se entenderem, não há comércio que sobreviva.”

No fundo, todos sabem o que precisa ser feito. O que falta não é plano, é humildade. E humildade, em certas esferas, é mais escassa que as próprias divisas.

Autor

  • Luís de Figueiredo é editor do Jornal Txopela desde 2017. Jornalista com sólida experiência em reportagem política, económica e social, tem estado na linha da frente da cobertura de temas relevantes para Moçambique, com especial atenção à região centro e à província da Zambézia.


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Luis de Figueiredo
Luis de Figueiredohttps://www.txopela.com
Luís de Figueiredo é editor do Jornal Txopela desde 2017. Jornalista com sólida experiência em reportagem política, económica e social, tem estado na linha da frente da cobertura de temas relevantes para Moçambique, com especial atenção à região centro e à província da Zambézia.
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