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Macuse: Quanto custa a demora?

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Por: Márcio Morais / Ambiente e Desenvolvimento

 

Os portos não movimentam apenas mercadorias. Movimentam oportunidades, sustentam economias e têm impacto directo na vida das pessoas e das comunidades. Em Moçambique, um país com extensa linha costeira e múltiplos corredores logísticos, as infra-estruturas portuárias são activos estratégicos que podem integrar o país nos mercados regionais e globais. Começa a ser cada vez mais evidente, porém, que a demora na criação do Porto de água profundas de Macuse em Namacurra está a ter um custo económico, social e até psicológico para a Zambézia e para o país.

O valor estratégico dos portos e dos corredores logísticos tem sido sublinhado por líderes nacionais. Recentemente, a primeira-ministra de Moçambique declarou publicamente que os corredores logísticos e portos são “activos estratégicos para a cooperação com investidores internacionais e para o desenvolvimento económico continuado do país”.

Para prestadores de serviços, operadores logísticos e pequenos empresários locais, a expectativa pelo porto de Macuse é real. Muitos aguardam uma infraestrutura capaz de reduzir custos, criar mais empregos e dinamizar cadeias produtivas locais, mas, até ao momento, a obra ainda não saiu do papel. Essa demora já alimenta um sentimento generalizado de frustração que vai além das projeções de receitas.

Os ganhos estimados para o Estado, caso este porto movimente 5 a 10 milhões de toneladas por ano variando de cerca de 15 a mais de 30 milhões de dólares em receitas directas mostram apenas parte da história. Cada ano de atraso representa, potencialmente, milhões que deixam de ser arrecadados para os cofres do estado, além da perda de oportunidades para formalização empresarial e geração de emprego.

A própria experiência dos portos existentes reforça essa reflexão. Por exemplo, o Porto de Maputo reportou volumes recordes e crescimentos expressivos em 2025, com um impacto directo no esforço logístico nacional e regional. Isso mostra que onde há capacidade instalada e actividade consolidada, surgem efeitos positivos que reverberam para além das fronteiras portuárias.

Enquanto isso, em regiões como a Zambézia, a ausência de um porto estruturante mantém custos logísticos elevados e limita o acesso a mercados exteriores, notam empresas que actuam na área têxtil e de exportação agrícola. Esse contexto cria ansiedade no sector privado e levanta questões sobre prioridades de investimento público-privado, coordenação institucional e clareza sobre os passos seguintes para a materialização do projecto.

A Província da Zambézia neste momento a espera, com razão, por mais do que um porto, espera desenvolvimento integrado, dinamização económica e uma participação mais plena no futuro logístico de Moçambique. A questão que se impõe é clara: quanto custa, para a economia provincial e nacional, cada ano em que o porto de aguas profundas de Macuse permanece apenas projecto?

 

PRESIDENTE DA REPÚBLICA FELICITA A COMUNIDADE CRISTÃ POR OCASIÃO DA SEXTA

O Presidente da República, DANIEL FRANCISCO CHAPO, endereçou hoje uma mensagem à comunidade cristã moçambicana por ocasião da celebração da Sexta-Feira Santa, assinalando a importância espiritual e os valores universais que a data representa. Na sua mensagem, o Chefe de Estado destaca que a Sexta-Feira Santa evoca a crucificação e morte de Jesus Cristo, constituindo um momento central da fé cristã e de profunda reflexão no âmbito da Semana Santa. “A Sexta-Feira Santa convida-nos à reflexão sobre os valores do sacrifício, do amor ao próximo, do perdão, da fraternidade e da solidariedade, que devem continuar a orientar a nossa conduta individual e colectiva”, refere o Chefe de Estado, dirigindo-se aos fiéis. Num outro momento da sua mensagem, o Presidente da República sublinha a importância do tempo quaresmal como período de preparação espiritual. “Caras irmãs, caros irmãos, depois de terem percorrido o tempo quaresmal, como um tempo favorável e dias de salvação, tempo de graça, de silêncio interior, de reconciliação, de conversão sincera e de retorno ao coração de Deus, que o Senhor vos conceda a graça de trilhar o caminho do Calvário, guiados pelo objectivo pastoral”. A mensagem presidencial sublinha ainda que “estes valores são fundamentais para o fortalecimento da coesão social, da paz e da convivência harmoniosa entre todos os moçambicanos”. O Presidente Daniel Francisco Chapo reconhece o papel das igrejas na promoção da paz, da reconciliação e da assistência social às comunidades, referindo que estas continuam a desempenhar um papel relevante na construção de uma sociedade mais justa, solidária e inclusiva. Na sua mensagem, o Chefe de Estado apela igualmente à união e ao reforço da esperança, encorajando os cidadãos a manterem-se firmes perante os desafios do país. “Que esta data nos inspire a renovar o nosso compromisso com a unidade nacional e com a edificação de um Moçambique cada vez mais próspero e em paz”. O Presidente da República conclui desejando que a celebração da Sexta-Feira Santa decorra num ambiente de reflexão, solidariedade e fraternidade entre todos os moçambicanos.

PRIMEIRA-DAMA APELA À UNIDADE E AO AMOR COMO PILARES DA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL  

A Primeira-Dama da República, Gueta Selemane Chapo, defendeu ontem, em Maputo, que a causa da mulher é o motor para a construção de uma nação mais justa e inclusiva, exortando a sociedade a privilegiar o diálogo e a harmonia familiar como bases para o desenvolvimento. Ao dirigir a II Conferência Mulher Nota, um evento marcado pelo lema “Mulher Nota 20: Unidade que Inspira, Voz que Transforma”, a esposa do Chefe do Estado sublinhou o papel crucial da liderança feminina no reforço da paz e no apoio às camadas mais vulneráveis, consolidando um espaço de reflexão iniciado na edição anterior para impulsionar a participação ativa das jovens no progresso do país. A cerimónia, organizada pela União para o Desenvolvimento Estudantil (UNDE) em parceria com o Gabinete da Primeira-Dama, serviu também para celebrar o 30.º aniversário daquela agremiação. Gueta Chapo manifestou o seu entusiasmo com a efeméride, referindo que esta “é um motivo de orgulho nacional, pois demonstra a força e a união das mulheres moçambicanas na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva”. Na qualidade de madrinha das celebrações, que culminarão na Gala Mulher Nota 20, a Primeira-Dama destacou a relevância de cada etapa do processo. Para ela, a conferência representa um momento vital de partilha, onde “a voz que transforma, ou a unidade que inspira, traduz o que hoje precisamos como uma nação, num ambiente de paz, união e respeito, onde diferentes sensibilidades convivem”. Durante a sua intervenção, Gueta Chapo enfatizou a transversalidade das questões de género, defendendo que os desafios enfrentados pelas mulheres devem ser abordados de forma holística. “É essencial que os assuntos das mulheres sejam tratados sem discriminação, sem divisões. A causa da mulher é a causa da família, da comunidade e do país, até o mundo todo”, afirmou, reforçando a necessidade de uma visão integrada. A Primeira-Dama dedicou uma parte substancial do seu discurso à dinâmica do lar, associando o comportamento dos pais ao futuro das crianças. Segundo a oradora, a mulher possui uma capacidade intrínseca de mediação e equilíbrio emocional. “Mesmo que o homem seja muito nervoso, a mulher sempre deve ser pacífica, para conseguir cuidar dos filhos, para conseguir ter o controlo do seu lar, da sua família”, sustentou, apelando à manutenção da harmonia doméstica. No âmbito do diálogo nacional inclusivo, Gueta Chapo louvou a diversidade presente na conferência, vendo nela um reflexo da maturidade democrática do país. A este respeito, destacou a importância de ver “mulheres de várias origens, crenças e convicções diferentes, sentadas à mesma mesa, a discutir ideias e a procurar soluções”, reafirmando que a união é o único caminho para o fortalecimento do colectivo feminino. O compromisso do Gabinete da Esposa do Presidente da República com as causas sociais foi igualmente reiterado, com um foco particular nas “crianças de rua” e nas pessoas desfavorecidas. “Nós estamos firmes pela causa da mulher, pela causa das crianças, pela causa da pessoa desfavorecida”, declarou, frisando que a sua missão é apoiar aqueles que carecem de bens essenciais e, acima de tudo, de afeto e protecção. A luta contra a violência baseada no género foi outro ponto fulcral, com a Primeira-Dama a apelar a uma educação de base que comece ainda no ventre materno. “Temos que lutar juntas para que possamos garantir que nenhuma mulher ou rapariga seja violada, que nenhuma mulher seja morta pelo facto de ser mulher”, instou, sugerindo que a semente da paz e da obediência deve ser plantada desde os primeiros dias de vida. Encerrando a sua intervenção, Gueta Chapo colocou o amor e o afeto humano acima dos bens materiais, argumentando que a riqueza sem carinho é insuficiente para o bem-estar. “O amor é a base de tudo. Podemos ter dinheiro, ter comida, se não há amor, a comida não vai descer”, afirmou, assegurando a sua disponibilidade total para servir todos os moçambicanos, independentemente da sua condição social ou origem. A II Conferência Mulher Nota consolidou-se, assim, como uma plataforma estratégica para aprofundar o debate sobre o empoderamento feminino e a liderança. Através deste incentivo a acções concretas, o evento reforçou o papel da mulher não apenas como cuidadora, mas como uma força transformadora e indispensável para a estabilidade e progresso de Moçambique.

MÉRITO: Hidayat Kassim, o “Doutor da Zambézia”, conquista o Brasil e reforça o SNS

QUELIMANE – Uma notícia que enche de orgulho a classe médica e a população da província da Zambézia e provavelmente de Moçambique chega diretamente do Brasil. O conceituado médico moçambicano Dr. Hidayat Ullah Kassim acaba de concluir com êxito a sua formação especializada em Endocrinologia e Metabologia no prestigiado Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), no Rio Grande do Sul.

A conquista foi celebrada publicamente pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM-RS), que destacou o marco importante na trajetória dos novos especialistas. O Dr. Hidayat Kassim fez parte de um grupo selecto de profissionais que concluíram este ciclo de formação avançada, pautado pelo rigor científico e pela excelência clínica.

 

O Dr. Hidayat Kassim é uma figura amplamente conhecida e respeitada em solo nacional. Antes de abraçar este desafio acadêmico e profissional no estrangeiro, serviu com distinção como Director Provincial de Saúde da Zambézia, onde demonstrou capacidades de liderança e um profundo compromisso com o bem-estar das comunidades. Foi tambem medico chefe provincial de Cabo Delgado

Considerado um dos mais respeitados profissionais da área da saúde no país, o seu regresso com este novo título de especialista representa um ganho incalculável para o sistema de saúde moçambicano. A Endocrinologia é uma área vital para o tratamento de doenças como o diabetes, distúrbios da tireoide, dislipidemias, obesidade e outras doenças endocrino pediatra, endocrino ginecologica, neuroendocrinologia entre outros— condições que exigem um acompanhamento técnico altamente qualificado.

 

Em publicação oficial, a SBEM-RS desejou sucesso aos novos endocrinologistas, sublinhando que esta etapa fortalece a especialidade a nível global:

“Este é um marco importante na trajetória profissional e também no fortalecimento da especialidade, que segue em constante evolução. Desejamos a todos uma caminhada pautada pela ciência, ética e compromisso com o cuidado aos pacientes.”

O Jornal Bons Sinais parabeniza o Dr. Hidayat Kassim por mais este sucesso, que eleva o nome de Quelimane e de Moçambique além-fronteiras, reafirmando que o talento da nossa terra continua a brilhar nos mais exigentes palcos académicos do mundo.

O Bons Sinais endereça uma nota pública de agradecimento à SBEM-RS e ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) pelo acolhimento e pela alta qualidade da formação técnica providenciada. Da mesma forma, estendemos o reconhecimento à República Federativa do Brasil, cujo apoio histórico na formação de quadros moçambicanos continua a ser um pilar fundamental para o fortalecimento das nossas instituições.

Manuel de Araújo lança 10 concursos para reabilitação de estradas em Quelimane

 

Quelimane voltou a mexer. Numa altura em que muitas autarquias do país patinam entre buracos, promessas e orçamentos curtos, o Conselho Municipal da chamada “Cidade dos Bons Sinais”, liderado por Manuel de Araújo, decidiu colocar dez concursos públicos em cima da mesa, um pacote que mistura a reabilitação de estradas, construção de ciclovias e fornecimento de bens essenciais para a máquina municipal.

O movimento não é pequeno. É, na prática, uma tentativa de responder a um problema estrutural: a degradação progressiva das vias urbanas e a pressão crescente sobre os serviços básicos. Através da sua Unidade Gestora Executora das Aquisições (UGEA), o município abriu a corrida para intervenções em avenidas que são, ao mesmo tempo, cartão de visita e ponto de estrangulamento da cidade — Josina Machel, Eduardo Mondlane e Amílcar Cabral.

Mas não é apenas o asfalto que está em jogo. Fiel à narrativa que vem construindo nos últimos anos, Manuel de Araújo volta a apostar na mobilidade alternativa. No pacote de concursos entra o chamado “concurso BICI”, que prevê a construção de ciclovias e a requalificação de passeios nas avenidas Bonifácio Gruveta e da Liberdade. Uma escolha que reforça a imagem de Quelimane como “capital das bicicletas”.

Do ponto de vista formal, os concursos seguem o enquadramento do Decreto 79/2022, com exigências claras de qualificação jurídica, técnica e financeira. Os prazos são apertados. As propostas devem ser submetidas até 6 de Abril de 2026 para os primeiros lotes, enquanto as visitas obrigatórias aos locais das obras arrancam já entre os dias 26 e 28 de Março. Um calendário que favorece operadores já familiarizados com o terreno e com a máquina municipal.

Há também sinais de diferentes escalas dentro do pacote. Nos concursos relativos às avenidas 1 de Junho e Júlio Nyerere, as exigências sobem de tom: garantias provisórias entre 90 mil e 250 mil meticais e validade das propostas estendida para 90 dias. Indicadores claros de que se trata de intervenções mais pesadas — técnica e financeiramente.

Os documentos estão disponíveis no edifício do Conselho Autárquico, mediante pagamento de 1.500 meticais por lote. O município diz privilegiar micro, pequenas e médias empresas nacionais. Uma intenção é politicamente correcta.

📄 Baixe o caderno completo dos concursos lançados em Quelimane

A edição do semanário Txopela traz, na íntegra, os dez concursos públicos lançados pelo Conselho Municipal de Quelimane para reabilitação de estradas, construção de ciclovias e fornecimento de bens essenciais. No documento, estão detalhados os lotes, critérios de qualificação, prazos, garantias exigidas e condições de participação.

Ready for Art: O “pulo do gato” para a profissionalização da arte jovem

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O programa de responsabilidade social do Absa Bank Moçambique, lançado há pouco mais de dois anos, já catapultou a carreira de mais de 40 criativos nacionais. Entre exposições no Dubai e capas de livros de Mia Couto, o “Ready for Art” prova que o talento moçambicano, quando estruturado, tem mercado dentro e fora de portas.

 

A velha máxima de que “da arte não se vive” parece estar a ser desafiada por uma nova fornada de criadores moçambicanos. Desde Dezembro de 2023, o projecto Ready for Art, uma iniciativa do Absa Bank Moçambique, tem servido de plataforma de descolagem para 42 jovens artistas que buscam transformar a expressão criativa num percurso profissional sustentável.

O impacto da iniciativa não se mede apenas pelas paredes das galerias de Maputo. A projecção internacional é hoje uma realidade palpável. Em Portugal, Chris Inácio consolida o seu nome com exposições colectivas, enquanto Adecoal, laureado com o Prémio Mozal na categoria de Design, já faz desfilar a sua própria colecção de vestuário em terras lusas. O mapa da expansão estende-se ainda à Etiópia, onde Cristóvão Júnior cumpre formação artística, e ao Dubai, onde Mossina Gahnesh levou o traço moçambicano a convite da ONU Mulheres.

Do pincel ao empreendedorismo

No xadrez cultural interno, os frutos do programa são igualmente expressivos. Maria Chale, vencedora do Prémio Mozal em Artes Plásticas, viu o seu talento ser imortalizado na capa de uma obra do escritor Mia Couto. Já Mozilene e Elvis Jacundo destacaram-se em áreas tão distintas como a reciclagem artística e o cinema.

Mas o “Ready for Art” parece querer ir além da estética, focando na veia empresarial da cultura. Vasco Mahumane e Amarildo Rungo lançaram marcas de roupa próprias, enquanto em Nampula, o artista Guimarães trabalha na fundação de um centro cultural para dinamizar as artes na região norte. No centro do país, a intervenção de rua ganhou nova vida com murais pintados em Chimoio e na Beira, através do projecto Street Art.

Visão estratégica

Para Mateus Sithole, artista plástico e curador do programa, o diferencial reside na mudança de mentalidade. “O Ready for Art foi o momento em que passámos a olhar para a arte como um caminho profissional possível, estruturado e com futuro”, sublinha.

A estratégia do banco, segundo Tânia Oliveira, Directora de Marketing e Relações Corporativas do Absa, é clara: investir no potencial humano para gerar desenvolvimento económico. Ao posicionar-se como parceiro das indústrias criativas, a instituição financeira — que conta com mais de 45 anos de história no país — reafirma a cultura como um sector estratégico para a inovação e inclusão em Moçambique.

Prémio Hollard Futuros Melhores: Aposta na internacionalização de jovens artistas cresce em 2026

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A Hollard Moçambique e a Associação Kulungwana elevaram a fasquia da Colecção Crescente. Dos 15 finalistas, cinco criadores garantiram o passaporte para uma residência artística internacional, num ano marcado pelo reforço do apoio à formação local.

 

A vibrante cena das artes visuais em Moçambique ganhou, na última semana, um novo fôlego com a abertura oficial da Exposição Colecção Crescente 2026. O evento, que decorre em Maputo, serviu de palco para a consagração de cinco jovens talentos através do Prémio Hollard Futuros Melhores, numa edição que assinala um crescimento quantitativo e qualitativo no apoio ao sector.

Numa selecção feita a partir de 15 finalistas, os artistas Delmindo Chambal, Orquídio Marrengula, Osvaldo Cuinica, Thandy Winasse e Ventura Mulalene foram os grandes vencedores deste ano. O prémio, que anteriormente contemplava apenas três criadores, foi expandido para cinco, permitindo que um maior número de artistas moçambicanos aceda a uma residência artística internacional.

Esta expansão é vista como um passo estratégico para a internacionalização da arte moçambicana. Segundo Jéssica Figueiredo, Directora Executiva de Marketing da Hollard Moçambique, a iniciativa não se esgota na viagem, prevendo-se a criação de um Workshop Anual para 20 artistas. O objectivo é criar um ciclo de mentoria onde os vencedores, ao regressarem do estrangeiro, partilhem experiências com novos talentos locais.

Uma montra de 120 obras

A curadoria, mais uma vez sob a responsabilidade de Mieke Oldenburg, reuniu cerca de 120 obras de arte. Mantendo a tradição que remonta a 2011, as peças foram apresentadas no formato característico de painéis de MDF de 18×18 centímetros, oferecendo uma visão democrática que coloca lado a lado artistas consagrados, estudantes e autodidactas.

“Esta iniciativa tem um papel fundamental na acessibilidade e valorização do talento artístico nacional”, afirmou Matilde Muocha, Secretária de Estado das Artes e Cultura, durante o discurso de abertura.

Sustentabilidade no horizonte

Para além do brilho da exposição, o projecto, que conta com a parceria do Ministério da Cultura e Turismo, foca-se na sustentabilidade da comunidade artística. Desde 2019, a Hollard tem apoiado anualmente uma média de 120 artistas, enquadrando estas acções numa política de “Valores Partilhados” que visa a criação de competências e melhores oportunidades de emprego no sector cultural.

A Colecção Crescente 2026 está agora aberta ao público, reafirmando-se como a maior montra da criatividade nacional e um barómetro essencial para entender as novas tendências da identidade visual moçambicana.

REGISTO E NOTARIADO: Chapo cobra ética para “limpar” imagem do sector

O Presidente da República, Daniel Chapo, aproveitou o Dia do Conservador e Notário para lançar recados directos à classe. Entre o reconhecimento da importância vital destes profissionais para o clima de investimentos e a consolidação do Estado de Direito, o Chefe de Estado não esqueceu o “cancro” da corrupção, exigindo que a modernização tecnológica seja acompanhada por uma “blindagem” ética e integridade.

 

A efeméride celebrou-se a 22 de Março, mas foi esta Segunda-feira, em Maputo, que o figurino institucional ganhou contornos de directriz governativa. Daniel Chapo, num discurso que oscilou entre o afago institucional e a exigência de rigor, colocou os conservadores e notários no centro da estratégia de credibilização do país perante o capital estrangeiro e o cidadão comum.

Para o inquilino da Ponta Vermelha, a função registral não é apenas um acto administrativo, mas um “pilar fundamental da boa governação”. Num país que tenta sacudir o estigma da opacidade, Chapo foi pragmático: “Não pode haver investimento sustentável, nacional ou estrangeiro, sem segurança jurídica”. A mensagem é clara: o notariado é a porta de entrada para o desenvolvimento económico sólido, e qualquer “ferrugem” ética nesta engrenagem compromete o todo nacional.

Embora tenha enaltecido iniciativas como o projecto “Identidade para Todos” — focado em cidadãos afectados por calamidades — o Estadista moçambicano alertou que a tecnologia, por si só, não resolve problemas de carácter. Defendeu que a digitalização e a simplificação de procedimentos devem caminhar “lado a lado” com o fortalecimento da responsabilidade institucional.

A classe, por seu turno, viu os seus desafios reconhecidos. Chapo admitiu que a valorização das carreiras e a aprovação de um estatuto profissional condigno são dossiers em cima da mesa, essenciais para que o sector funcione com a eficácia que o sistema jurídico exige.

“Cada acto conta”

Num tom mais exortativo, o Presidente lembrou que a transparência se constrói no detalhe. “Cada acto registado com rigor representa um passo na consolidação de um país mais justo”, afirmou, reforçando o compromisso do Executivo em continuar a investir na modernização de um sector que é, em última análise, o garante da fé pública.

A saudação terminou com votos de prosperidade, mas o recado ficou gravado: no Moçambique que Chapo desenha, não há espaço para conservadores que não conservem a ética nem para notários que não autentiquem a transparência.

Chapo estreia-se no Quénia com a “pasta” dos investimentos

Chapo estreia-se no Quénia com a “pasta” dos investimentos

Presidente moçambicano participa como convidado de honra na 4ª Conferência de Investimento em Nairobi. Na agenda, o reforço de laços com William Ruto e a eterna promessa de “venda” das potencialidades nacionais num momento de asfixia económica.

 

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, inicia esta terça-feira, 24 de Março, aquela que é a sua primeira visita de trabalho à República do Quénia desde que assumiu a Magistratura Suprema. A deslocação, que terá a duração de três dias, surge em resposta a um convite do seu homólogo queniano, William Samoei Ruto.

Numa altura em que Moçambique procura desesperadamente diversificar parcerias e atrair capital estrangeiro para aliviar a pressão sobre as contas públicas, a diplomacia económica parece ser o prato forte da estadia em Nairobi. Chapo será o convidado de honra da 4ª Conferência de Investimento do Quénia , um palco que reúne o crème de la crème dos investidores globais e decisores políticos.

Segundo o comunicado do Gabinete de Imprensa da Presidência, o Chefe de Estado pretende aproveitar o evento para “promover a mobilização de investimentos” e divulgar as oportunidades que o país oferece. Resta saber se o discurso das “potencialidades” será suficiente para convencer investidores num contexto regional cada vez mais competitivo.

Para além do cariz empresarial, a visita servirá para “avaliar o actual estágio da cooperação bilateral” e trocar impressões sobre a situação política e económica no continente. As relações entre Maputo e Nairobi são descritas oficialmente como sendo de “irmandade e solidariedade histórica”, mas o foco actual reside claramente na vertente comercial e na transformação digital.

Daniel Chapo não viaja sozinho. Na “asa” do avião presidencial seguem figuras chave do Executivo: Maria dos Santos Lucas, Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação; Américo Muchanga, Ministro das Comunicações e Transformação Digital.

 

A presença de Muchanga na comitiva sinaliza um interesse particular na experiência queniana, país que é uma referência continental no sector das tecnologias de informação e serviços financeiros móveis.

O Leste Europeu no Índico: Daniel Chapo “Descongela” Relações com Kiev

 

Num gesto que sinaliza uma tentativa de revigorar a política externa moçambicana, o novo inquilino do Palácio da Ponta Vermelha, Daniel Francisco Chapo, manteve, nesta segunda-feira (23), uma conversa telefónica com o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelenskyy. O contacto, inserido formalmente no quadro do “reforço das relações de amizade e cooperação”, ocorre num momento em que Moçambique procura equilibrar-se no tabuleiro geopolítico global, marcado pelo conflito no Leste Europeu.

De acordo com o comunicado oficial da Presidência, o diálogo centrou-se em áreas onde a Ucrânia detém um “know-how” histórico, apesar do estado de guerra: agricultura, energia, comércio e formação técnico-profissional. Para os analistas, o interesse na agricultura não é fortuito. Moçambique continua a debater-se com a insegurança alimentar e a dependência de importações de cereais, sector onde a Ucrânia é um gigante global.

Os dois estadistas manifestaram a vontade de explorar “mecanismos concretos” para aprofundar estes laços, embora o cenário de guerra na Ucrânia e os desafios logísticos no Índico coloquem interrogações sobre a viabilidade imediata de grandes trocas comerciais.

O que ressalta desta interacção é o tom cauteloso mas aberto de Daniel Chapo. Ao contrário da postura de “abstenção estratégica” que marcou a diplomacia de Maputo nos fóruns das Nações Unidas nos últimos anos, Chapo parece querer imprimir um rosto mais dialogante.

 

Ambos partilharam preocupações sobre os impactos da instabilidade global nas economias em desenvolvimento. Reiteraram que o diálogo e a diplomacia são “pilares fundamentais” para a resolução de conflitos, uma linguagem que, embora padrão, ganha peso num contexto de pressão internacional sobre a posição de Moçambique perante a invasão russa.

 

Do lado de Kiev, o interesse é claro: alargar a rede de apoios no Sul Global. Zelenskyy reafirmou o interesse em “estreitar os laços” com Moçambique. Chapo, por sua vez, manteve a porta aberta, garantindo a “disponibilidade do país” para uma cooperação de benefício mútuo.