Chapo evoca Samora para mobilizar a juventude
Reportagem: Redação
Quase cinco décadas depois de terem interrompido os estudos para suprir o vazio deixado pelo colonialismo, os herdeiros da Geração 8 de Março voltaram a subir as escadarias do Palácio da Ponta Vermelha. Desta vez, o anfitrião foi o Presidente Daniel Francisco Chapo, que, num gesto de continuidade histórica, procurou reafirmar-se como elo entre o passado da libertação e os desafios atuais de Moçambique.
No encontro que assinalou o 49.º aniversário do movimento, Chapo qualificou os jovens de 1977 como a “ponte” entre a geração do 25 de Setembro — os libertadores armados — e a juventude contemporânea. O discurso evocou o espírito do “Homem Novo” de Samora Machel: um cidadão anti-racista, anti-tribalista e pilar da unidade nacional.
Em 1977, milhares de estudantes do ensino secundário e médio, respondendo ao chamado de Machel, abandonaram as salas de aula para combater um analfabetismo que afetava 90% da população. O Governo de Chapo reconhece que esse sacrifício individual evitou o colapso institucional do Estado recém-independente, especialmente num período em que Moçambique enfrentava os regimes da Rodésia e do Apartheid.
Pressionado pelas reivindicações da classe, Chapo confirmou que o Executivo estuda medidas concretas para valorizar o património imaterial do grupo, incluindo:
- Criação da “Ordem 8 de Março” no sistema de títulos honoríficos do Estado.
- Tutela institucional da associação, conferindo-lhe peso jurídico e político.
- Apoio a projetos económicos e sociais submetidos pela organização, integrando os veteranos no desenvolvimento activo do país.
Numa viragem de discurso alinhada com o lema da sua governação, “Vamos trabalhar”, Chapo lançou um desafio à juventude contemporânea. O Presidente sublinhou que o combate à pobreza e a criação de riqueza exigem engajamento activo e trabalho produtivo, e não passividade.
Ao reafirmar a Geração 8 de Março como marco histórico incontornável, Chapo busca resgatar uma mística de serviço público que, hoje, parece desbotada. Resta saber se a institucionalização da classe será rápida o suficiente para transformar esta ponte histórica numa força real da economia nacional, e não apenas numa memória de museu.
Veja a reportagem no link abaixo:
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