Foi preciso morrer alguém. Só depois do acidente que vitimou Eduardo Raquel, dirigente do Departamento de Futebol da Associação Desportiva de Vilankulo, é que se oficializou um entendimento antigo: a cobertura de acidentes para as equipas do Moçambola. O anúncio veio a público esta segunda-feira, num gesto que mais parece reacção do que prevenção.
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A Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) e a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) assinaram finalmente o memorando que garante assistência às 14 equipas da principal prova futebolística do país — um protocolo que, curiosamente, vinha sendo “acertado” desde o início da temporada, mas que só foi formalizado depois da morte.
O acidente aconteceu na sexta-feira, na região de Nhabete, distrito de Zavala, província de Inhambane. O autocarro da AD Vilankulo, em regresso de uma jornada desportiva, despistou-se, matando Eduardo Raquel e deixando feridos sete membros da comitiva. Os sobreviventes tiveram alta hospitalar no sábado. Mas o trauma, esse, ficará mais tempo.
A cerimónia de assinatura do acordo juntou o presidente do Conselho de Administração da EMOSE, Janfar Abdulai, e o presidente da LMF, Alberto Simango Jr. A medida inclui cobertura para todos os membros das 14 equipas do Moçambola, bem como funcionários da própria Liga. São eles: Black Bulls, UD Songo, Costa do Sol, Ferroviários de Maputo, Beira, Lichinga, Nacala e Nampula, Desportivo de Nacala, AD Vilankulo, Textáfrica, Baía de Pemba, Chingale de Tete e Desportivo da Matola.
Contudo, a pergunta que paira no ar é simples e inquietante: por que razão o seguro só foi formalizado após a morte? Em países onde o planeamento e a segurança ocupam o centro das políticas desportivas, os atletas e dirigentes não são forçados a arriscar a vida para verem os seus direitos reconhecidos. Em Moçambique, é o inverso: a tragédia é o gatilho da acção.
Futebol entre a paixão e o desamparo
O Moçambola continua a ser a montra maior do futebol nacional, mas também um espelho das fragilidades logísticas, financeiras e organizacionais do desporto moçambicano. Viagens longas por estradas esburacadas, viaturas sem manutenção regular, equipas a operar no limite da sobrevivência — eis o cenário em que se inscreve este acidente, que não foi nem o primeiro, nem será o último, se nada mudar.
Eduardo Raquel perdeu a vida numa missão de serviço ao desporto. A assistência prometida pela EMOSE não o trará de volta. Mas pode, se bem aplicada, proteger outros que continuam a arriscar-se em nome da camisola, da paixão e de uma esperança cada vez mais cara: viver do futebol num país onde o desporto é muitas vezes tratado como passatempo, e não como profissão.
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