Dia da Sobrecarga da Terra assinala-se esta quinta-feira, 24 de Julho. Humanidade consumiu tudo o que o planeta consegue regenerar num ano. Especialistas alertam para modelo de desenvolvimento insustentável.
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A Terra esgota esta quinta-feira, 24 de Julho, todos os recursos naturais que é capaz de regenerar em 2025. A marca simbólica, conhecida como Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day), representa o momento em que a humanidade entra em défice ecológico — passando a consumir capital natural que o planeta já não consegue repor a curto prazo.
O cálculo é realizado anualmente pela organização internacional Global Footprint Network, que compara a pegada ecológica da humanidade — isto é, o conjunto de recursos consumidos — com a biocapacidade do planeta, ou seja, a capacidade dos ecossistemas para regenerar esses mesmos recursos.
Este ano, a data foi antecipada em oito dias face a 2024, quando o esgotamento se verificou a 1 de Agosto. Segundo os peritos, esta inversão deve-se, entre outros factores, a alterações nos dados relativos ao sequestro de carbono pelos oceanos e à evolução do consumo global per capita.
A viver como se houvesse 1,8 planetas
De acordo com os dados mais recentes, a humanidade está actualmente a consumir recursos como se tivesse à sua disposição 1,8 planetas Terra. A pressão é exercida sobretudo através do uso intensivo de combustíveis fósseis, desflorestação, agricultura intensiva, sobrepesca e produção de resíduos.
A Global Footprint Network estima que, se toda a população mundial vivesse com os níveis de consumo da média norte-americana, seriam necessários quase cinco planetas para manter o actual ritmo. Em contrapartida, estilos de vida como o da média indiana mantêm-se ainda dentro da capacidade regenerativa do planeta.
Impactos ambientais e climáticos
A ultrapassagem da capacidade ecológica da Terra tem consequências crescentes e cada vez mais visíveis. A lista inclui a perda de biodiversidade, a erosão dos solos, a escassez de água potável e a intensificação de fenómenos climáticos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas ou inundações severas.
Os especialistas alertam que esta situação representa não apenas um risco ambiental, mas também económico e social, afectando a segurança alimentar, os fluxos migratórios e a estabilidade de comunidades vulneráveis.
Inverter a tendência é possível
A campanha internacional #MoveTheDate, promovida pela mesma entidade, tem como objectivo adiar progressivamente esta data, através de um conjunto de medidas sustentáveis. Entre as propostas estão: A redução das emissões globais de CO₂ em 50%, o que permitiria adiar o Dia da Sobrecarga em cerca de três meses; o combate ao desperdício alimentar, responsável por cerca de 10% da pegada ecológica global; a transição energética para fontes renováveis; a protecção e recuperação de áreas naturais, como florestas e zonas húmidas.
Num comunicado divulgado esta semana, a Global Footprint Network reforça que “os dados não são um destino inevitável”, e que a mudança é possível — mas depende de compromissos concretos por parte de governos, empresas e cidadãos.
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