Por Luís de Figueiredo
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Neste 11 de julho, Dia Mundial da População, Moçambique chega a mais um marco populacional com um silêncio ensurdecedor. Somos hoje mais de 34,5 milhões de habitantes, crescendo a uma taxa de 2,9% ao ano, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e do Banco Mundial. Isso nos coloca entre os países de crescimento mais rápido em África — e no mundo.
Mas, ao contrário do que se poderia esperar, esse crescimento não é motivo de celebração. Num país onde as escolas estão superlotadas, os hospitais subfinanciados, e o desemprego jovem ultrapassa os 30% nas zonas urbanas, o aumento da população representa um desafio estrutural que ainda não estamos a enfrentar com seriedade.
Todos os anos, mais de 450 mil jovens entram no mercado de trabalho, mas encontram um cenário sem oportunidades, marcado pela informalidade, migração forçada ou desesperança. O que poderia ser uma vantagem demográfica está a transformar-se numa bomba-relógio social.
Por outro lado, a explosão populacional moçambicana está intrinsecamente ligada à falta de acesso universal a serviços de saúde sexual e reprodutiva. De acordo com o UNFPA, mais de 40% das raparigas entre os 15 e os 19 anos já são mães ou estão grávidas, e cerca de 35% das mulheres em idade fértil têm necessidades de planeamento familiar não satisfeitas.
Este cenário, agravado por casamentos prematuros, abandono escolar precoce e desigualdades de género, compromete o futuro do país. E, no entanto, o tema continua fora da agenda política de forma estruturada. Os discursos institucionais sobre “capital humano” não se traduzem em políticas públicas eficazes, orçamentos sensíveis à demografia ou medidas concretas de empoderamento das mulheres.
Falar de população em Moçambique é também falar de prioridades políticas. A ausência de um planeamento populacional sério não é descuido — é omissão. E essa omissão tem custos reais: mais pobreza, mais pressão sobre recursos naturais, mais exclusão, mais instabilidade.
Neste Dia Mundial da População, não precisamos de slogans nem celebrações protocolares. Precisamos de ação. O país deve encarar com urgência o desafio de transformar o crescimento demográfico em desenvolvimento inclusivo — ou corre o risco de ver o seu maior recurso tornar-se no seu maior problema.
Moçambique cresce. Mas a grande questão é: está a crescer para onde?
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