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Mais gasolina para essa fogueira!

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Se teme que Pacheco amordace a oposição e persiga activistas e jornalistas. É bem provável e explico :
O Presidente parece que já desistiu de parecer neutro. Todo gesto em política, o momento conta. E este é particularmente interessante. Acontece no mesmo dia em que os pesos pesados do sector castrense envolvidos no escândalo das dívidas ocultas, àqueles que traíram a República estão a ser libertos um a um, com pompa e circunstância.
Coincidência? Talvez. Mas no xadrez do poder, coincidência é apenas estratégia sem assinatura.
O que nos dizem esses dois eventos, ocorridos quase em sincronia?
De um lado, um homem com histórico de comissário político, acusado de perseguir, silenciar e aniquilar dissidentes, é reconduzido ao núcleo das decisões sensíveis do Estado. Do outro, os que transformaram a inteligência numa máquina de saque são reinseridos no convívio nacional.
Colocar um comissário político à frente da inteligência nacional é uma perversão institucional. É como entregar o confessionário a um inquisidor. A função de um serviço secreto moderno é ouvir a todos, proteger a todos, antecipar riscos sem preferências. Mas um comissário não ouve, vigia e por aí também não protege, seleciona alvos. E nessa lógica o mais normal é não antecipar riscos, apenas eliminar as ameaças. E ameaça, para quem comanda pela fidelidade, é todo aquele que pensa diferente.
José Pacheco não é um estranho à engrenagem. Ele é a engrenagem. Viveu a FRELIMO da clandestinidade e da força, sobreviveu à transição para o capitalismo dos camaradas e soube adaptar-se à era do “controle silencioso”. Fala pouco, aparece menos ainda, mas movimenta muito. Pacheco não entra. Ele infiltra.
Agora, com os corruptos em liberdade e os fiéis do partido a aproximarem-se da inteligência, o que resta da neutralidade do Estado?
O SISE nasceu para ser o escudo do Estado. Mas escudos podem ser virados. E um escudo apontado ao cidadão deixa de ser defesa passa a ser arma.
Na prática, o que o Presidente nos disse hoje nesse duplo gesto. (libertar os corruptos e aproximar os leais da secreta)?

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Zito do Rosário Ossumane
Zito do Rosário Ossumanehttps://txopela.com/
Zito do Rosário Ossumane é um jornalista investigativo, empreendedor da comunicação e activista político moçambicano. Fundador e diretor do Jornal Txopela, consolidou a sua trajetória na luta pela liberdade de imprensa, transparência e defesa dos direitos humanos em Moçambique. Actualmente Presidente o Misa na Zambezia

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