Quase meio século depois da proclamação da independência nacional, Moçambique continua a enfrentar antigos e novos fantasmas que teimam em assombrar o seu percurso de soberania. A constatação partiu do próprio Joaquim Chissano, segundo Presidente da República, durante o simpósio realizado esta quinta-feira em Maputo, por ocasião dos 50 anos da independência e dos 63 anos da Frelimo.
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Perante uma plateia composta por quadros do partido no poder, académicos, jovens estudantes e figuras históricas da luta armada, Chissano, com a sua habitual sobriedade, traçou um balanço agridoce das conquistas e dos retrocessos do país, sublinhando que os moçambicanos ainda convivem diariamente com a pobreza, a corrupção, a exclusão social, a ignorância e o extremismo violento.
“Estas são as novas formas de opressão que minam o exercício da nossa liberdade”, sublinhou o antigo Chefe de Estado, num diagnóstico que parece dialogar directamente com os múltiplos relatórios internacionais que continuam a posicionar Moçambique entre os países mais vulneráveis do mundo em matéria de desenvolvimento humano.
Chissano, no entanto, não deixou de destacar o que chamou de “ganhos resilientes” da independência: avanços na educação, saúde, cultura nacional, funcionamento das instituições democráticas e liberdade de imprensa. Recordou, igualmente, que o país soube manter-se de pé mesmo perante os ventos adversos da guerra civil, das calamidades cíclicas e das crises globais que marcam o pós-Guerra Fria.
O peso da juventude e a independência económica adiada
Com um discurso dirigido, sobretudo, às novas gerações, Chissano apelou aos jovens a tomarem as rédeas do projecto nacional, investindo em ciência, inovação tecnológica, transformação digital e cidadania activa como caminhos inadiáveis para a tão almejada independência económica, ainda distante.
“A juventude tem, portanto, hoje por missão assumir, com responsabilidade, a tarefa de construir uma nação livre da pobreza e da ignorância”, desafiou.
Referindo-se à paz conquistada com o Acordo Geral de 1992, o antigo estadista alertou ainda para a necessidade de consolidar o diálogo político como pilar fundamental da estabilidade, evitando que a diversidade de ideias se transforme em factor de bloqueio à coesão nacional.
Herança de uma luta longa
Joaquim Chissano, hoje com 85 anos, faz parte da geração fundadora da Frelimo, tendo ingressado na guerrilha ainda em 1963. Sucedeu a Samora Machel, após o fatídico acidente de Mbuzini, em 1986, e tornou-se o primeiro Presidente eleito em pleito multipartidário em 1994. Desde então, permanece uma das figuras de referência na cena política nacional, frequentemente chamado a aconselhar nos momentos mais sensíveis do país.
O simpósio decorreu numa altura em que o próprio partido Frelimo atravessa uma fase de transição interna e Moçambique lida com as contradições do crescimento económico impulsionado pelo gás natural, mas que ainda não se reflecte de forma ampla no bem-estar da maioria dos moçambicanos.
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