O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu esta terça-feira, no seu Gabinete de Trabalho, o Presidente Executivo da multinacional italiana ENI, Claudio Descalzi, numa audiência que serviu para reforçar a cooperação entre Moçambique e a gigante energética, com destaque para o desenvolvimento de novos projectos no sector do gás natural e para a diversificação das actividades da empresa no país, particularmente na agricultura.
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Durante o encontro, o CEO da ENI anunciou a aprovação oficial do Plano de Desenvolvimento do projecto Coral Norte FLNG, na Área 4 da Bacia do Rovuma. Esta autorização, concedida pelo Governo moçambicano, viabiliza a expansão da produção de Gás Natural Liquefeito (GNL), um passo considerado estratégico para o futuro energético do país. “A Coral Norte é uma realidade agora”, sublinhou Descalzi, destacando o entendimento alcançado com as autoridades nacionais.
O encontro serviu igualmente para fazer o balanço da operação do projecto Coral Sul, que em 2023 representou cerca de 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). As previsões para 2025 apontam para um contributo de até 70% no crescimento económico, fruto da produção de GNL a partir desta infra-estrutura flutuante.
Além dos projectos energéticos, a ENI manifestou a intenção de expandir os seus investimentos em Moçambique através de programas de desenvolvimento agrícola destinados à produção de biocombustíveis sustentáveis. Segundo Descalzi, esta aposta permitirá criar milhares de postos de trabalho no meio rural. “Com 300 mil hectares, podemos gerar até 300 mil empregos. É uma revolução. O Presidente está muito focado na agricultura e na criação de empregos”, explicou o gestor.
Apesar do grande investimento no sector do gás, Descalzi reconhece que a geração de empregos directos é limitada devido à natureza capital intensiva da indústria. Em contrapartida, a agricultura representa uma oportunidade para um impacto social mais amplo e imediato. “No gás podemos empregar até duas mil pessoas; na agricultura falamos de centenas de milhares”, frisou.
Outro tema abordado no encontro foi o contributo da ENI para a transição energética de Moçambique, através de programas de compensação de carbono, como o projecto Cozinha Limpa e iniciativas no quadro do REDD+. No final, Descalzi classificou a audiência como “altamente produtiva”, sublinhando o alinhamento de visão estratégica com o Chefe de Estado.
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