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Juvenal Raul Cassenga, educador que promoveu a alfabetização em Quelimane, morre aos 46 anos

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QUELIMANE, Moçambique — Juvenal Raul Cassenga, um respeitado professor de filosofia e coordenador de alfabetização que durante anos trabalhou para levar o poder das palavras a comunidades marginalizadas na província da Zambézia, morreu na terça-feira (10 de junho), aos 46 anos. A sua morte ocorreu em Nicoadala, resultado de um trágico acidente de viação, segundo confirmaram as autoridades locais.

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Num país onde o analfabetismo ainda desafia gerações inteiras, Cassenga tornou-se uma figura de referência nos esforços de alfabetização conduzidos pelo Conselho Autárquico de Quelimane, sob a égide da Vereação de Educação e Cultura. A sua missão diária não era apenas ensinar a ler e a escrever, era oferecer ferramentas de cidadania, autonomia e esperança a centenas de jovens e adultos para quem o acesso ao saber permanece, muitas vezes, um privilégio distante.

Nascido em 5 de maio de 1979, num Moçambique ainda jovem em sua independência, Cassenga formou-se em Filosofia e cedo abraçou a docência como campo de acção e transformação. Colegas o descrevem como um educador apaixonado, dotado de uma escuta paciente e de uma capacidade singular de adaptar o ensino às realidades sociais e culturais de cada comunidade.

O trabalho de Cassenga integrava-se num esforço nacional contínuo de erradicação do analfabetismo, uma das feridas persistentes herdadas do passado colonial e de anos de conflito armado. Embora Moçambique tenha feito avanços substanciais nas últimas décadas, sobretudo nas zonas urbanas, o acesso à educação básica nas áreas rurais, como a Zambézia, continua desigual.

Juvenal Cassenga deixa familiares, colegas, amigos e inúmeros estudantes que por ele passaram — muitos dos quais hoje são os primeiros letrados das suas famílias.

A sua morte encerra, de forma abrupta, o percurso de um homem que acreditava, acima de tudo, no poder transformador da educação. O seu legado, porém, continuará presente nas salas de aula e nas comunidades onde o seu trabalho plantou as primeiras sementes de saber.

Paz à sua alma.


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O Jornal Txopela é um dos principais órgãos de comunicação social independentes da província da Zambézia, em Moçambique. Fundado com o propósito de oferecer um jornalismo crítico e de investigação, o Txopela destaca-se pela sua abordagem incisiva na cobertura de temas políticos, sociais e económicos, dando voz às comunidades e promovendo o debate público.

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