O Comité Provincial do Partido Frelimo na Zambézia, reunido em sessão na cidade de Quelimane no final de 2024, deliberou de forma unânime, quando o relógio marcava 20 horas, a expulsão do deputado Caifadine Paulo Manasse daquele organismo colegial. A decisão parecia, à época, o golpe final em um político humilhado pelos seus próprios camaradas, com acusações de falta de sigilo sobre assuntos internos, não pagamento de quotas no círculo eleitoral e, mais grave, incitação à violência e envolvimento no rumoroso escândalo de tráfico de drogas no Porto de Macuse, no qual um dos detidos é seu próprio primo.
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Entretanto, política é feita de alianças de conveniência e lealdades temporárias, e a sentença final ficou para ser decretada pelo Comité Central do partido. E o que parecia ser o fim da linha transformou-se num novo início. Recentemente, como num passe de mágica, Caifadine foi nomeado Ministro da Juventude e Desportos, supostamente como pagamento pelos serviços prestados na vitória da Frelimo em Milage, o maior círculo eleitoral da Zambézia.
A disputa entre Caifadine e Hélder Injojo, vice-presidente da Assembleia da República, é conhecida e amplamente documentada. Porém, neste fim de semana, os “ventos da mudança” voltaram a soprar. O Comité Provincial da Frelimo anunciou uma sessão extraordinária para o próximo dia 21, com único ponto de agenda: a reintegração de Caifadine Manasse no órgão. E o documento é assinado por ninguém menos que Momade Juízo, o Primeiro Secretário da Frelimo na Zambézia.
A reviravolta é acompanhada de fotografias que já circulam pelas redes sociais, exibindo Caifadine e Injojo em clima de reconciliação, como se as facadas políticas do passado fossem apenas um ensaio para este espetáculo de perdão público.
Vale lembrar que, em 2024, Caifadine processou 26 deputados da Frelimo pelo círculo eleitoral da Zambézia. “Nós avançamos com um número de 23, mas submetemos mais alguns nomes para este dossiê muito complexo”, declarou o actual ministro à imprensa na época. Esse foi o primeiro processo político-judicial movido por um membro da Frelimo contra os seus próprios camaradas. Manasse justificou o recurso à justiça para “limpar” o seu nome, que, segundo ele, foi manchado injustamente. Na sua visão, os camaradas deveriam ter usado outros meios para atacá-lo, e não a sua exclusão.
O ponto mais explosivo das acusações foi a suposta tentativa de assassinato de caráter contra Hélder Injojo, ao associá-lo ao narcotráfico. Um informe dos deputados da Frelimo, apresentado na IIª Sessão Ordinária do Comité Provincial da Zambézia, expôs com todas as letras a indignação do círculo eleitoral: “O círculo constatou com tristeza a tentativa de assassinato de caráter do Camarada Hélder Injojo. Temos evidências de que Caifadine Manasse foi o autor do conluio, fato que nos levou a expressar o nosso desapontamento à Direção do Partido na Província.”
Mas o que antes era crime político virou, misteriosamente, motivo para reconciliação. A pergunta que não quer calar é: terminou mesmo a zanga das comadres ou estamos apenas a assistir a mais um capítulo deste teatro de conveniências?
A política moçambicana mostra, mais uma vez, sua habilidade ímpar de transformar desavenças públicas em alianças de ocasião. E Caifadine Manasse, que ontem era réu, volta hoje ao centro do poder. Tudo, claro, em nome da “unidade” e da “disciplina partidária”. Ou seria apenas o preço das velhas amizades?
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