A vida em Quelimane acaba de se tornar mais cara e a culpa tem nome: Manuel de Araújo. O presidente do Conselho Municipal decidiu enfrentar de peito aberto a revolta popular, justificando os aumentos brutais das taxas administrativas como um “passo necessário” para que a cidade não dependa de terceiros. Mas os munícipes não compram a desculpa.
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A indignação explodiu nas ruas e nas redes sociais, e Araújo responde sem rodeios: “Se nós não começarmos a andar com os nossos próprios pés, um dia vamos ficar com uma mão à frente e outra atrás.” O edil culpa o corte de financiamento da USAID pelos Estados Unidos por exemplo e atira para os cidadãos a responsabilidade de sustentar a autarquia.
Os aumentos, que apanharam a população de surpresa, têm justificações vagas. “Houve um estudo técnico, um comparativo com algumas cidades moçambicanas”, afirma Araújo, sem dizer quais cidades foram analisadas ou que critérios foram usados. E enquanto tenta convencer os munícipes de que o aumento é inevitável, evita explicar porque uma simples declaração do bairro custa agora mais do que um Bilhete de Identidade.
De quem é a culpa?
Para além de apontar o dedo ao fim do financiamento externo, Araújo também acusa o governo central de não canalizar os fundos devidos, como o FIA e o FCA, essenciais para manter a cidade a funcionar. “A cidade não pode parar”, justifica-se.
Mas os munícipes, que há anos convivem com ruas esburacadas, bairros sem saneamento e serviços públicos precários, perguntam-se: para onde foi o dinheiro que já era cobrado antes? Se os fundos não chegam, como se explica o crescente orçamento do município?
Povo vai pagar a fatura de um município falido?
O edil reconhece que poderia ter implementado os aumentos gradualmente, mas insiste que a cidade não pode continuar “de mão estendida”. O que ele não responde é: de mãos estendidas para quem?
Se a autarquia não tem dinheiro para manter os serviços essenciais, onde está a transparência sobre a gestão financeira? Se há um buraco nas contas, quem foi que o cavou?
Araújo promete ir aos bairros “explicar” o aumento. Mas os munícipes já sabem bem o que significa: eles pagarão a conta. Resta saber até quando Quelimane aceitará calada esse peso sobre os ombros.
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