O hospital Nasser, em Khan Yunis, voltou a transformar-se em palco da tragédia. Dois mísseis caíram sobre o edifício, matando pelo menos 20 pessoas. Entre elas, cinco jornalistas. Repórteres da Reuters, da Associated Press, da Al Jazeera e de outros meios internacionais perderam a vida justamente no espaço que deveria ser refúgio: um hospital.
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Hussam al-Masri, cinegrafista da Reuters, foi o primeiro a tombar. Estava a operar uma transmissão em directo a partir de um andar inferior ao telhado quando o primeiro míssil rasgou o ar. Minutos depois, enquanto socorristas e colegas tentavam acudir as vítimas, um segundo projétil atingiu a escadaria externa do hospital, ceifando a vida de Mariam Abu Dagga (freelancer da AP), Mohammed Salama (Al Jazeera), Moaz Abu Taha (independente, colaborador da Reuters) e Ahmed Abu Aziz (colaborador do Middle East Eye).
Israel reconheceu o ataque, mas nega ter visado jornalistas. O exército fala em “trágico acidente” e anuncia uma investigação interna. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu repetiu a fórmula conhecida: “A nossa guerra é contra o Hamas”. Mas a morte destes cinco profissionais vem acrescentar uma camada de desconforto e descrédito ao discurso oficial.
As reacções não tardaram. A Reuters declarou-se devastada. A AP, chocada. A Al Jazeera, enlutada — novamente. O Sindicato dos Jornalistas Palestinianos falou em “guerra aberta contra a imprensa livre”. Dados da associação apontam já para mais de 240 jornalistas mortos desde 7 de Outubro de 2023, quando o Hamas lançou o ataque que vitimou 1.200 pessoas em Israel.
A morte dos repórteres em Khan Yunis soma-se a outras: recorde-se Issam Abdallah, jornalista da Reuters abatido por fogo israelita no sul do Líbano em Outubro do ano passado. Nenhuma investigação chegou a conclusões.
O eco internacional cresce. Londres pede cessar-fogo imediato. Berlim fala em choque. Washington, pela voz de Donald Trump, diz-se “não satisfeito”, sem contudo alterar a equação da guerra. No terreno, a realidade permanece: Gaza continua vedada à imprensa estrangeira e são jornalistas palestinianos, muitas vezes freelancers sem protecção institucional, quem mantém viva a narrativa do conflito.
Com cada ataque, com cada câmara silenciada, a pergunta adensa-se: trata-se de dano colateral ou de uma estratégia deliberada para cegar o mundo?
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