A Cimeira de Washington, que juntou Volodymyr Zelensky, Donald Trump e várias figuras centrais da política europeia, acabou por ter menos de encontro diplomático clássico e mais de palco para o regresso em força do antigo e atual Presidente norte-americano ao centro da geopolítica.
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Trump, fiel ao seu estilo, não esperou comunicados oficiais. Foi na sua própria rede social que anunciou, com euforia, ter falado diretamente com Vladimir Putin e estar a preparar uma reunião entre o líder russo e o presidente ucraniano. A promessa de um encontro “dentro de quinze dias” soa mais a cartada política do que a certeza diplomática, mas bastou para recolocar Washington no epicentro do debate sobre a paz.
Para Zelensky, o balanço da visita à Casa Branca foi “o melhor encontro possível” com Trump, um contraste gritante face à primeira reunião de fevereiro, marcada por desconfiança mútua. Ainda assim, paira a incógnita sobre até que ponto a Ucrânia está disposta a aceitar um processo mediado por Trump, sobretudo quando Moscovo mantém os ataques e rejeita um cessar-fogo imediato.
Em paralelo, Emmanuel Macron fez questão de temperar os entusiasmos. À imprensa, recordou que falar de negociações “é complicado quando os mísseis continuam a cair”, mas não escondeu o alívio perante as novas garantias de segurança oferecidas por Washington — uma espécie de escudo alternativo à adesão de Kiev à NATO, solução sempre polémica.
O secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, foi mais pragmático: classificou as garantias como “um grande passo” e “uma conquista que faz a diferença”. Já Ursula von der Leyen aproveitou o palco para sublinhar uma ferida que permanece aberta: as milhares de crianças ucranianas deportadas pela Rússia, cuja devolução considera essencial para qualquer “paz justa e duradoura”.
No fundo, a Cimeira revelou-se menos sobre Zelensky ou a Europa, e mais sobre a reentrada de Donald Trump no jogo global. Entre promessas de encontros improváveis e garantias de segurança embrulhadas em calculismo político, Washington ensaiou o papel de mediador que, até agora, parecia distante. O que sobra é a sensação de que, no xadrez da guerra da Ucrânia, Trump voltou a mover as peças.
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