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Tractores para transporte ou para agricultura? Um debate necessário para o futuro das zonas rurais

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Antes de mais, gostaria de parabenizar o Governo pela iniciativa de tentar resolver um dos problemas crónicos que afectam as zonas rurais: a falta de transporte público. Passaram-se quase seis meses desde o início do mandato do novo Presidente, Daniel Chapo, e já se começa a notar algum esforço concreto para responder às promessas eleitorais.

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Uma das medidas recentes é a disponibilização de 100 tractores com atrelados para funcionarem como transporte público de passageiros nas zonas rurais. A medida gerou debates acesos nas redes sociais, dividindo opiniões entre os que aplaudem a iniciativa como solução prática e os que a consideram um desvio da função essencial dos tractores.

Na minha zona, o Posto Administrativo de Chôa, no distrito de Báruè, província de Manica, esta proposta é vista com bons olhos por muitos. Chôa é uma região montanhosa e altamente produtiva em termos agrícolas, mas marcada por estradas quase intransitáveis durante a época chuvosa. Nesse contexto, um tractor pode, de facto, ser a única alternativa viável para transporte — tanto de pessoas como de mercadorias.

Contudo, é fundamental recordar o que diz a legislação em vigor. O Regulamento do Transporte em Veículos Automóveis, aprovado pelo Decreto 35/2019, proíbe explicitamente o transporte público de passageiros em tractores. Essa prática, além de ilegal, coloca em causa a integridade física dos cidadãos e viola o princípio de legalidade que deve nortear a governação.

Por isso, diversos activistas, académicos, jornalistas, cidadãos, políticos e organizações da sociedade civil têm criticado a medida. Para muitos, esses tractores deveriam ser investidos na produção agrícola, onde há uma carência gritante de equipamentos. A agricultura continua a ser o pilar do desenvolvimento social e económico nacional — mas ironicamente, o país importa produtos básicos como tomate, cebola, repolho, maçã e batata dos países vizinhos como Maláui, Zimbábue, África do Sul e Zâmbia.

Uma voz crítica que se destacou neste debate foi a do jornalista Salomão Moiane, que afirmou:

“Eu penso que nós temos que evoluir, não continuar a trabalhar com tractores; e tractores esses são muito necessários no campo para ajudar na agricultura, e nem temos tractores suficientes.”

Na minha visão, concordo com a crítica pública: estes 100 tractores deviam ser distribuídos em média 10 por província, para dinamizar a agricultura local. Cada província poderia criar campos comunitários (“machambas do povo”) com jovens organizados por blocos, fornecendo também insumos agrícolas, formação técnica e sistemas de irrigação com bombas solares. O impacto seria directo: emprego jovem, aumento da produção, redução das importações e segurança alimentar.

Eu próprio estaria disposto a apoiar no desenho e na monitoria de um programa desse tipo. A iniciativa presidencial tem potencial, mas precisa de direccionamento estratégico, legal e sustentável.

“Vamos Trabalhar!” – o slogan do Presidente Chapo – pode ganhar ainda mais força se for implementado com foco nas verdadeiras vocações das zonas rurais: produção agrícola, geração de rendimento e dignidade para os camponeses.

 


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John Chekwa
John Chekwahttps://www.txopela.com
  John Chekwa Mediador Social e Jornalista John Chekwa é um distinto cidadão moçambicano, cuja acção se tem evidenciado nos domínios da mediação social e do jornalismo, áreas em que exerce com zelo, aprumo e elevado sentido de missão. Na sua actividade como jornalista, pauta-se por uma conduta ética irrepreensível, tendo como norte o serviço à verdade e o bem comum. No seio do Jornal Txopela, presta o seu concurso através de escritos que abordam com acuidade as questões da justiça, da governação local e dos direitos do cidadão. Dotado de rara sensibilidade social e firme apego aos princípios da paz e da dignidade humana, John Chekwa é um exemplo de dedicação e entrega à causa pública, servindo o jornalismo e a mediação como instrumentos de edificação de uma sociedade mais esclarecida e fraterna.

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