A recusa do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em autorizar o envio de mísseis de longo alcance à Ucrânia está a acentuar as divisões internas no bloco ocidental, num momento em que os países europeus da NATO se mostram cada vez mais determinados a reforçar o apoio militar a Kiev.
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Em comunicado divulgado esta terça-feira à noite, a Casa Branca negou as informações avançadas pelo Financial Times, segundo as quais Trump teria encorajado o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a considerar ataques diretos contra Moscovo. A notícia citava uma alegada chamada telefónica, ocorrida a 4 de Julho, em que Trump teria questionado Zelensky sobre a capacidade da Ucrânia de atingir Moscovo e São Petersburgo. A resposta, segundo fontes do jornal britânico, terá sido afirmativa, ao que Trump terá replicado: “Talvez tenha chegado a altura de os russos sentirem dor.”
A Presidência norte-americana rejeita o teor da notícia, classificando as declarações como “retiradas de contexto” e garantindo que Washington não irá fornecer armamento que possa ser usado em ataques a solo russo. Contudo, na mesma semana, foi anunciado um novo pacote de ajuda militar, que incluirá sistemas de defesa aérea Patriot, financiado em grande parte por aliados europeus da NATO.
Este realinhamento da responsabilidade militar entre os membros da Aliança está a ser lido por analistas como sinal de um crescente descompasso entre os Estados Unidos e a Europa em relação à guerra na Ucrânia. “Enquanto Trump tenta reduzir o envolvimento directo dos EUA no conflito, os países europeus intensificam o esforço militar, motivados tanto por razões geoestratégicas como por pressões internas”, explicou ao jornal PÚBLICO de Portugal, a investigadora Ana Vasconcelos, especialista em segurança transatlântica.
Moscovo já reagiu ao novo plano de apoio militar. O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, declarou que a decisão de Washington e da NATO representa “um prolongamento da guerra”. Já o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, afirmou que o Presidente norte-americano “está sob enorme pressão” da União Europeia e da NATO, que, segundo disse, insistem em manter Zelensky armado com equipamento moderno e ofensivo.
As críticas da Rússia somam-se à crescente percepção de que o Ocidente poderá enfrentar dificuldades em manter uma frente unida. Entre as prioridades eleitorais de Trump e o activismo militar de vários países europeus, o risco de fragmentação estratégica torna-se mais evidente.
No entanto, a ajuda militar ocidental mantém-se decisiva para a resistência ucraniana. Kiev continua a depender do fornecimento de sistemas de defesa aérea, munições e tecnologia de vigilância para conter os avanços das forças russas em Donbass e Kharkiv. Embora os mísseis de longo alcance estejam, para já, fora do pacote americano, o compromisso europeu com o envio de armamento moderno pode alterar o equilíbrio no terreno — e, com ele, o rumo da guerra.
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