No primeiro fim de semana de Junho de 2025, a cidade de Tete, no centro de Moçambique, foi palco de mais um triste episódio de repressão policial contra manifestantes pacíficos. Moto-taxistas saíram às ruas para protestar contra a extorsão constante, maus-tratos e perseguição por parte dos agentes da Polícia. A resposta do Estado foi violenta e desproporcional: tiros com balas reais.
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A indignação não se fez esperar. O Professor Adriano Nuvunga, conhecido defensor dos direitos humanos, afirmou: “O protesto de hoje é mais do que um confronto — é um sinal claro de que a paz e a estabilidade social só serão sustentáveis quando houver justiça, respeito pelos direitos e dignidade para todos”. Esta declaração ecoa o sentimento de milhares de cidadãos que sentem na pele os efeitos da criminalização da pobreza e da ausência de um Estado verdadeiramente protector.
A maior contradição reside no facto de que, poucos dias antes, o Presidente da República, Daniel Chapo, havia estado em Tete e apelado à paz, estabilidade e à coesão social. Como entender que, na mesma província, a polícia reaja com tamanha brutalidade contra cidadãos que apenas exigem respeito e condições dignas para trabalhar?
O caso de Tete é emblemático. Uma província rica em carvão, mas pobre em justiça social. As populações que vivem nas zonas de exploração mineral continuam excluídas dos frutos do desenvolvimento. A corrupção, a violência policial, a falta de acesso a serviços públicos de qualidade e o abandono das periferias urbanas são parte de um ciclo vicioso que mina a estabilidade nacional.
Face a este cenário, exigem-se respostas concretas:
- Abertura de um inquérito independente sobre os eventos de Tete;
- Revisão dos protocolos de actuação da PRM em situações de manifestação;
- Fortalecimento da ligação entre os discursos do PR e a prática das instituições subordinadas ao Executivo;
- Validação do papel dos trabalhadores informais como agentes económicos e não como alvos de perseguição;
- Criação urgente de espaços de diálogo entre Governo, sociedade civil e movimentos sociais.
A paz que se deseja construir em Moçambique não pode ser apenas um lema discursivo. É preciso que ela se materialize em respeito pelos direitos humanos, escuta activa e dignidade para todos os cidadãos.
É urgente dizer: basta de silenciar as vozes do povo.
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