Quase mês e meio depois do ataque que resultou no incêndio de sete viaturas no troço da EN1, no distrito de Marínguè, província de Sofala, o Governo reconhece que ainda decorrem investigações para apurar os autores e as motivações do acto. A informação foi prestada esta sexta-feira pelo ministro do Interior, Paulo Chachine, à margem da cerimónia de passagem à reserva de 1.027 agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM).
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O ataque, ocorrido a 8 de Abril, reviveu fantasmas de insegurança num dos corredores centrais do país, reavivando preocupações sobre a capacidade de actuação de grupos armados fora do perímetro de Cabo Delgado. A demora na apresentação de conclusões concretas sobre os autores do ataque levanta questões sobre a real extensão das ameaças latentes e a prontidão do aparelho de segurança.
Sem avançar hipóteses claras, Chachine limitou-se a referir que “estão em curso diligências para aferir os reais motivos” e aproveitou para lançar um aviso: “Há sinais preocupantes de possível emergência de novos focos de terrorismo no país” — uma declaração que, lida nas entrelinhas, pode indicar o alargamento geográfico da ameaça.
Ainda durante o seu discurso, o titular da pasta do Interior referiu-se à recente onda de ataques na Reserva do Niassa, reconhecendo que estes eventos geraram um ambiente de instabilidade e incerteza naquela zona. O Governo garante, no entanto, estar a trabalhar para “restaurar a ordem”.
O contexto em que Chachine falou não é irrelevante: a cerimónia assinalava a passagem à reserva de mais de mil efectivos da PRM, incluindo oficiais de comando. O momento foi aproveitado pelo ministro para reforçar a necessidade de adaptação institucional da corporação à nova tipologia de ameaças, com destaque para os crimes organizados e fenómenos de terrorismo que desafiam o modelo tradicional de actuação policial.
“A PRM está desafiada a reinventar-se, do ponto de vista técnico e táctico, para enfrentar crimes cada vez mais sofisticados e transfronteiriços”, afirmou o ministro.
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