Sintonize a Rádio Chuabo – 103.0 FM

Expansão do e-sistafe para os distritos divide o Parlamento

Data:

Primeira-ministra promete descentralização orçamental e celeridade na entrega dos 10% das receitas extractivas, mas CGE de 2023 expõe fragilidades e desconfianças no processo

📢 Junte-se ao canal do Jornal Txopela no WhatsApp!

Receba notícias e alertas em primeira mão diretamente no seu telemóvel.

👉 Seguir Canal no WhatsApp

A Primeira-ministra Benvinda Levi defendeu, esta quarta-feira (15), na Assembleia da República, que a expansão do Sistema Electrónico de Administração Financeira do Estado (e-SISTAFE) até ao nível dos distritos poderá ser a chave para desconcentrar a despesa pública e agilizar a execução dos 10% das receitas provenientes da exploração mineira e petrolífera.

Benvinda Levi falava nas considerações finais da apreciação parlamentar da Conta Geral do Estado (CGE) de 2023, documento cuja titularidade é do Tribunal Administrativo (TA), o órgão supremo de fiscalização da legalidade da despesa pública.

A dirigente argumentou que o alargamento do e-SISTAFE permitirá que os órgãos locais deixem de ser meros receptores de fundos para funcionamento, passando também a executar directamente investimentos. Este avanço, disse, poderá tornar mais célere a disponibilização dos 10% das receitas extractivas, cuja repartição está definida: 7,25% para províncias e 2,75% para comunidades.

“Excelências, por forma a assegurar que mais despesas orçamentais sejam executadas a nível provincial, distrital e autárquico, continuaremos a apostar na expansão do e-SISTAFE”, afirmou Levi.

O entusiasmo do Executivo colide, no entanto, com a realidade evidenciada pelo próprio parecer do Tribunal Administrativo. A CGE de 2023 revela que apenas duas entidades auditadas, as Secretarias Distritais de Inhassoro e de Govuro, ambas em Inhambane, constam como tendo recebido os 2,75% da receita da produção mineira e petrolífera. Em contraste, na província de Tete, somente Marara ficou de fora da totalidade dos desembolsos.

“O grosso dos distritos não recebeu os correspondentes montantes”, lê-se no documento. O relatório conclui ainda que a maior parte das transferências não obedeceu ao que estava orçamentado.

As quatro bancadas parlamentares adoptaram posições distintas sobre a CGE, em mais um episódio que expõe a crispação política em torno da gestão das finanças públicas.

A Frelimo, partido no poder, pela voz da deputada Nilza Dacal, reconheceu limitações estruturais no Tribunal Administrativo, lamentando que este “restringe-se a recomendações sem poder vinculativo”. Defendeu uma reforma que permita ao TA emitir ordens obrigatórias, aplicar multas, exigir devoluções e articular com o Ministério Público para sancionar crimes de gestão.

Por sua vez, o deputado António Jorge, do PODEMOS, acusou o Governo de apresentar um relatório superficial que “contrasta com o parecer técnico do TA” e apontou falhas graves na previsão orçamental e na redistribuição dos fundos públicos. Recomendou o “reforço do cumprimento das leis do SISTAFE” e a revisão dos critérios de redistribuição para garantir justiça territorial.

A bancada da Renamo foi mais dura. Para Saimone Macuiane, o documento está eivado de inconsistências e “não respeita os princípios básicos da contabilidade pública”. Apontou que “cheques foram devolvidos na tramitação da Conta Única do Tesouro” e denunciou substituições de dados nos registos financeiros.

José Lobo, do MDM, afirmou que a Conta de 2023 “viola sistematicamente as normas universais de contabilidade”, lamentando que o Governo continue sem apresentar balanço patrimonial ou demonstrações de resultados. “Trata-se de um documento sem fiabilidade, em flagrante violação das leis do SISTAFE”, concluiu.

O relatório do Tribunal Administrativo, citado por várias bancadas, aponta para incumprimentos das normas de execução orçamental, com destaque para irregularidades na contratação pública. O parecer recomenda maior vigilância e responsabilização dos gestores, sem os quais, alerta, “não se pode falar de transparência, nem de boa governação”.


Discover more from Jornal Txopela

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

📢 Anuncie no Jornal Txopela!

Chegue mais longe com a sua marca.
Temos espaços disponíveis para publicidade no nosso site.

Alcance milhares de leitores em Moçambique e no mundo.

Saiba mais e reserve já
Zito do Rosário Ossumane
Zito do Rosário Ossumanehttps://txopela.com/
Zito do Rosário Ossumane é um jornalista investigativo, empreendedor da comunicação e activista político moçambicano. Fundador e diretor do Jornal Txopela, consolidou a sua trajetória na luta pela liberdade de imprensa, transparência e defesa dos direitos humanos em Moçambique. Actualmente Presidente o Misa na Zambezia

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Partilhar publicação:

Subscrever

PUB

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Últimas

Relacionados
Relacionados

Sahara: República do Equador reafirma apoio à iniciativa de autonomia apresentada por Marrocos

A República do Equador reafirmou na sexta-feira o seu...

AMOPAL capacita animadores de núcleos no distrito de Namarroi para defesa de pessoas afectadas pela lepra

Reportagem: Gildo dos Santos No distrito de Namarroi, província da...

Águas estagnadas dificultam mobilidade no bairro Santagua em Quelimane

Reportagem: Nelson Máximo  Moradores e utentes da estrada de acesso...

Moradores de Icidua preocupados com atraso na construção da ponte de acesso ao mercado Manambuá

Reportagem: Nelson Máximo  Moradores do bairro Icidua, na cidade de...