O agravamento do custo de vida em Moçambique pode empurrar o país para uma crise económica e social ainda maior, caso o governo não atenda às crescentes reivindicações populares. O alerta foi dado pelo economista Egas Daniel, que analisou o atual cenário económico em entrevista, enfatizando que medidas urgentes são indispensáveis para conter uma eventual explosão de manifestações.
Segundo Daniel, o governo precisa encontrar uma nova “fórmula” para oferecer soluções concretas ao elevado custo de vida, evitando o risco iminente de um colapso económico associado ao aumento das tensões sociais.
Uma das soluções apontadas pelo economista é a redução do Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA), como forma de aliviar os custos para os consumidores. No entanto, ele adverte que essa medida pode ser sabotada por alguns comerciantes que, aproveitando a crise e os prejuízos acumulados durante os últimos meses, podem decidir absorver o benefício em vez de repassá-lo aos consumidores.
“Por mais que o IVA seja reduzido, alguns empresários poderão reter essa margem para recuperar as perdas causadas pelas paralisações e saques que enfrentaram”, alertou Egas Daniel. Para evitar essa prática, ele defende uma fiscalização mais rigorosa por parte do governo sobre os comerciantes.
Outro ponto crucial destacado pelo economista é a necessidade de redução das taxas de manuseamento nos portos. Segundo Daniel, essa medida seria fundamental para reduzir os custos ao longo da cadeia de abastecimento, refletindo diretamente no preço final dos produtos para os consumidores.
“O que mais pesa no bolso dos cidadãos são os produtos de primeira necessidade. Qualquer medida de alívio económico precisa ser direcionada especificamente a esses produtos”, enfatizou o economista.
De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a inflação anual atingiu 4,69% em janeiro, com destaque para os aumentos nos preços de alimentos e outros produtos essenciais. Esse aumento tem gerado forte pressão económica, especialmente sobre as famílias de baixa renda, que, muitas vezes, são levadas a tomar decisões impulsivas movidas pela fome e pelo desespero.
Com o agravamento da crise e a insatisfação popular em ascensão, o apelo de Egas Daniel é claro: o governo deve agir rapidamente e com precisão para evitar uma crise ainda maior.
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