A seca nas torneiras de Quelimane não dá tréguas. Enquanto os bairros periféricos vivem na seca, outros nadam em abundância. E o que dizem os responsáveis? Jogam a culpa no ciclone Freddy, que já se foi há quase três anos, mas cujo rastro de desculpas ainda não secou.
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Milco Gonsalves, Chefe do Departamento de Planificação e Monitoria do Fundo de Investimento para o Abastecimento de Água (FIPAG) em Quelimane, reconheceu o problema em entrevista ao Txopela. Entre gaguejos e explicações circulares, atribuiu a actual crise a uma suposta queda de 60% na produção da água provocada pelo ciclone que devastou a Zambézia em março de 2023. Mas será mesmo Freddy o vilão?
Nos bairros de Manhaua, Sangariveira, Icidua e Santágua, a vida é uma constante busca pelo precioso líquido. Consumidores desesperados têm cavado as condutas sem sucesso e percorrido quilômetros com baldes na cabeça para conseguir água. Resultado: alimentos mal cozidos, falta de higiene e mercados transformados em criadouros de doenças.
“Há mais de um ano que não jorra água na minha casa, mas a factura chega todo mês”, denuncia Maria Mendonça, uma consumidora frustrada. “O que estamos a pagar? Ar seco?”, questiona indignada.
Água para alguns, desculpas para outros
Nos corredores do poder e dos escritórios do FIPAG, as torneiras milagrosamente não secam. Águas engarrafadas ornamentam as mesas dos funcionários que, ironicamente, deveriam vender a ideia de um produto acessível e eficaz. Nos escritórios do governo provincial, a escassez de água parece ser uma ficção.
Há quem diga que a água flui apenas para quem tem poder, enquanto os bairros marginalizados sobrevivem com poços cavados na desesperança.
Promessas vagas e sem data de validade
“Estamos a fazer um abastecimento sectorizado”, declarou Gonsalves. “Hoje abastecemos um bairro, amanhã outro.” Mas os consumidores perguntam: e quando será a nossa vez? Sem qualquer cronograma definido, a promessa de melhoria soa como mais uma gota no oceano de desculpas esfarrapadas.
O FIPAG afirma que projectos futuros aumentarão a produção, mas até agora tudo que os moradores receberam foram palavras e contas para pagar.Enquanto os problemas persistirem, o cenário em Quelimane será o mesmo: filas de baldes, reclamações abafadas e uma população sedenta de respostas e de dignidade. A paciência dos consumidores está a secar mais rápido do que as suas torneiras. Até quando? O tempo dirá!
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