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Todos os Papas viveram o seu tempo

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Dizer este Papa é que foi. Que aqueloutro foi o melhor…e aí por diante, acaba por ser um clássico de narrativas. Todos tiveram o seu tempo. Todos se fizeram no seu tempo. Todos produziram textos de reconhecido mérito, valor e mensagem. Todos estiveram à altura da época em que exerceram o cargo. Todos se posicionaram como símbolos de uma Instituição, a Igreja Católica, que tem marcado os séculos. Uma vez menos bem, outras melhor, dando testemunho. Moldados pelas circunstâncias, por vezes.

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  A Igreja é feita de homens, como todos nós. Pecadores. Caídos aqui, nos caminhos; levantados ali, noutros percursos.

  Mas a Igreja é uma voz que tenta ser pendulo do fiel da balança, numa perspectiva de liberdades. Mas devemos, crentes e não crentes, contextualizar os tempos, porque a Igreja e os seus actores são fruto desses tempos. Houve a Santa Inquisição, num tempo. Mas houve perdão e reconhecimento das faltas, noutros tempos.

  Este foi um Papa do Coração e da Escuta. Um Papa que orientou, seguindo as Mensagens Salvíficas de Cristo, apresentando-as a todos nós como um meio, partindo da fé de cada um, de nos darmos, de deixarmos amor, de nos solidarizarmos com os mais abandonados e os mais escalpelizados pelos moralistas da Vida…

  Francisco guiou-nos, deixa luz e trilho.  Deixa saudade. Esteve na linha da frente para obter Paz, num Mundo em mudança e em guerrilhas. Muitos de nós não apreciámos o seu “mandato”; outros adoraram a sua caminhada.

  Nem o Cristo Homem, filho de Deus, agradou à multidão que, em uníssono, o condenou à morte.

  O Conclave vai indicar um novo Papa. Tomara que fosse português. Mas tenho cá um pressentimento que poderá vir a ser um africano.

  Os tempos não vão de feicção, porque sopram ventos aziagos, em que os homens, os mais déspotas, se decidiram por amarrar guerras, matando inocentes e fazendo progredir as indústrias de armamento; porque se paga mal; porque não há condições dignas, para a maioria dos homens, para viverem; porque as tecnologias desumanizam cada um; porque já não há pais que saibam educar; porque queremos ter e não ser… Temos de saber aprender a ser homens e mulheres de bem, de gestos e de fragâncias de amor. O Homem só se modifica se se converter e perceber que só o Amor liberta. O Mundo apreciaria essa sua forma de agir. Moçambique precisa, por estes tempos, caro abalaga, que haja quem pregue a Paz e a Reconciliação Nacional, nunca tumultos nas ruas.

  O Papa Francisco deixa, como tantos outros um vazio, mas será ocupado, em breve, por um sucessor que terá ou poderá ter outra visão para a Igreja. Mais conservadora ou mais libertadora para perceber os tempos, os homens e a Vida? Quem sabe…só o Espírito Santo, para os que crêem, estará a preparar o substituto de Francisco. Tenhamos esperança, aliás, uma palavra de que tanto ele gostava. Convidou-nos a ser peregrinos da Esperança para a Vida, para os outros e para o Mundo.

                                         António Barreiros, Jornalista

 

Nota Editorial

É com singular satisfação que o Jornal Txopela dá guarida, a partir desta edição, à rubrica “Palavra (do) ao Abalaga”, um espaço reservado à pena arguta e ao verbo certeiro do jornalista António Barreiros, nosso colunista residente.

Nesta nova travessia de ideias e inquietações, o leitor encontrará uma visão aguda, por vezes incómoda, sempre necessária, sobre os tempos correntes — esse mundo presente que, com frequência, se disfarça de futuro. A crónica, que ora se inaugura, não pretende ser um púlpito moral, tampouco um tratado de certezas absolutas. É antes um espelho — por vezes fosco, outras vezes implacavelmente límpido — do nosso viver colectivo, dos seus silêncios, das suas rugas, dos seus sobressaltos.

O título, “Palavra (do) ao Abalaga”, faz jus à alma da rubrica: o gesto de entregar a palavra — não como simples concessão, mas como reconhecimento do valor que a mesma encerra — a um intérprete hábil da condição humana e do ofício jornalístico. “Abalaga”, expressão de nossos chãos, carrega a sonoridade e o peso de quem fala não para agradar, mas para provocar reflexão.

António Barreiros, de verbo elegante e espírito aguçado, não se furta ao exame dos temas maiores do nosso tempo: a política que nos inquieta, as ideias que nos movem, as injustiças que persistem. Com o rigor de quem escreve com o coração na tinta e os olhos na verdade, oferece-nos um exercício de jornalismo literário, onde a palavra é tanto instrumento quanto testemunha.

Que o leitor, com espírito aberto e sensibilidade crítica, encontre nesta rubrica não apenas opiniões, mas alimento para o pensamento — como se de uma ceia de ideias se tratasse, posta à mesa do discernimento colectivo.

Bem-vindo, caro leitor, à Palavra (do) ao Abalaga.


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