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Frelimo quebra silêncio e repudia baleamento de Joel Amaral, mas apela à calma

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Maputo – A Comissão Política da Frelimo, reunida esta segunda-feira (14), em Maputo, sob liderança de Daniel Chapo, Presidente do partido no poder e também Chefe de Estado, manifestou finalmente a sua posição sobre o baleamento do politico e músico Joel Amaral, mais conhecido por MC Trufafá, ocorrido em pleno centro da cidade de Quelimane, na tarde de domingo.

Num breve comunicado emitido após a sua 46ª Sessão Ordinária, realizada na Sede Nacional do partido, a Frelimo expressa “preocupação” com o incidente e “repudia, com veemência, este acto”. Sem avançar qualquer pista ou contextualização política, o partido no poder apela às autoridades competentes para que investiguem e esclareçam o caso “com a devida celeridade”.

Numa viragem típica da retórica habitual, o partido alerta, contudo, para os riscos de “manipulação” e apela à população que mantenha a “calma e serenidade” – uma linha discursiva que, aos olhos de muitos analistas, tem sido usada para desmobilizar protestos e conter indignações populares em episódios semelhantes.

Até ao momento, pouco se sabe sobre os autores materiais e morais do atentado, que deixou Joel Amaral gravemente ferido. Nas ruas de Quelimane, a indignação cresce, com manifestações a multiplicarem-se e vozes da sociedade civil e da oposição a exigirem justiça e responsabilização.

A posição tardia da Frelimo contrasta com o silêncio ensurdecedor que se seguiu às primeiras horas do ataque, apenas interrompido por notas indignadas do MDM, da sociedade civil e de cidadãos anónimos nas redes sociais. Para muitos, o pronunciamento da Comissão Política surge mais como um movimento defensivo do que um acto de empatia genuína, num momento em que o país debate-se com crescentes sinais de intolerância política e repressão velada.

No mesmo comunicado, a Comissão Política afirma ainda ter analisado a situação política, económica e sociocultural do país, mas não avança com detalhes sobre os resultados dessas discussões.

Enquanto isso, em Quelimane, a pergunta persiste nas esquinas, nos mercados e nas rádios locais: quem quer silenciar Trufafá? E até onde vai o silêncio de Estado?

 


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