A população de Inhassunge há muito sofre com a negligência e a corrupção nos concursos públicos destinados ao progresso do distrito. Projectos essenciais para a mobilidade, o comércio e a qualidade de vida da população naturalmente desaparecem em processos obscuros, sem que haja responsabilização dos envolvidos. Entre os casos mais alarmantes está a falta de um batelão para a travessia Quelimane-Inhassunge, uma situação que agrava ainda mais o isolamento e o sofrimento da população local.
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A falta de um batelão não é apenas um transtorno logístico, mas um entrave ao desenvolvimento do distrito. A travessia é a principal via de acesso para o distrito, determinando o preço dos bens essenciais, a acessibilidade dos serviços de saúde e educação e até mesmo a viabilidade de investimentos públicos e privados. Com estradas em péssimas condições e sem infra-estrutura adequada de transporte, os custos de vida disparam, tornando produtos básicos inacessíveis para grande parte da população.
No ano de 2022, foi lançado um concurso público para a aquisição de um batelão, mas, assim como outros projectos destinados a Inhassunge, o equipamento nunca foi comprado, apesar de o Estado ter disponibilizado os fundos necessários. Sem um meio adequado para garantir a travessia de mercadorias e pessoas, a economia local é sufocada, os projectos de infra-estrutura são dificultados e as oportunidades de crescimento são anuladas.
Paradoxalmente, enquanto a população enfrenta essas dificuldades extremas, empresas estrangeiras exploram os recursos naturais do distrito sem que haja benefícios claros para os habitantes do distrito. O mínimo que se esperaria seria que parte dessas receitas fosse canalizada para melhorar as condições de vida dos cidadãos, mas, até o momento, a realidade demonstra o contrário.
O silêncio das autoridades diante dessas injustiças é inaceitável. A população de Inhassunge exige uma solução imediata e transparente para este problema. O governo deve garantir que os fundos públicos sejam utilizados correctamente e que o batelão seja finalmente adquirido, garantindo a travessia segura de pessoas e mercadorias. Mais do que isso, é necessário um compromisso sério com a fiscalização dos concursos públicos e a punição dos responsáveis pela corrupção e má gestão de recursos.
Não podemos aceitar que Inhassunge continue isolado e esquecido. O acesso a transporte digno é um direito básico, e a luta por um batelão não é apenas uma questão de infra-estrutura, mas um apelo pela justiça social e pelo respeito à dignidade da população.
Chegou a hora de agir!
José Piletiche
Director Executivo da Cidadãos de Moçambique
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