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Naparamas invadem 45% do território da Zambézia e impõem terror

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A província da Zambézia encontra-se parcialmente “ocupada” pelos naparamas, um grupo de guerreiros tradicionais que emergiu na década de 1980, durante a Guerra Civil moçambicana. Com raízes no centro-norte do país, esses combatentes utilizam arcos, flechas e lanças, combinando conhecimentos tradicionais, elementos místicos e um forte sentimento comunitário.

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As incursões dos naparamas tiveram início em novembro de 2024, no distrito de Inhassunge, a 15 minutos de Quelimane, sob a liderança espiritual de Racing, um curandeiro temido que se tornou uma figura central no movimento. Conquanto, Racing perdeu a vida em confrontos com o Exército Moçambicano na zona baixa de Luabo, no extremo sul da província. Esse confronto marcou uma escalada de violência na Zambézia. A violência tem se intensificado a ponto de muitos especialistas alertarem para o risco de uma nova guerra civil. À insurgência em Cabo Delgado podem estar a repetir― se em outras províncias, como a Zambézia.

Em Novembro a captura de Racing em um quartel improvisado em Bengagira, Inhassunge, desencadeou uma série de eventos violentos. O comando distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) foi invadido e destruído a seguir, uma viatura de marca Mahindra foi incendiada, e um líder local da Frelimo foi morto. A esposa de um proeminente membro da Frelimo foi sequestrada. Esses eventos deflagraram uma onda de ataques e destruição que se alastrou por toda a região sul da Zambézia.

Esse movimento de ocupação parcial já afecta Inhassunge, Luabo, Chinde, Mopeia, Morrumbala, Milange, Derre, Nicoadala, e Gurué. O grupo impõe novos métodos de funcionamento às instituições do Estado, força dirigentes e colaboradores a se refugiarem em Quelimane para proteger as suas famílias.

Esse movimento de ocupação parcial já afecta Inhassunge, Luabo, Chinde, Mopeia, Morrumbala, Milange, Derre, Nicoadala, e Gurué. O grupo impõe novos métodos de funcionamento às instituições do Estado, força dirigentes e colaboradores a se refugiarem em Quelimane para proteger as suas famílias. A destruição e o medo são deixados para trás pelos naparamas, enquanto a resposta da PRM permanece limitada. Os postos policiais e edifícios governamentais têm sido os principais alvos, mas as motivações dos insurgentes ainda não foram publicamente divulgadas. Existem teorias que sugerem a actuação de forças externas para dividir o país. A crise na Zambézia é um cenário caótico semelhante ao relatado no inicio da insurgencia em Cabo Delgado, onde mortes bárbaras, fuga de prisioneiros e desobediência civil revelaram uma falta de controle estatal.

Em entrevista exlusiva ao Txopela o pequisador Marchal Manufredo destacou que as condições para a eclosão de terrorismo na Zambézia são semelhantes às que precederam o conflito em Cabo Delgado. Ele critica a ausência de uma presença estatal efectiva e aponta a pobreza extrema como um factor determinante  para o apoio popular aos naparamas. “Eles ocuparam bases desativadas da Renamo e têm perícia no manejo de armas de guerra, além de saquear o arsenal da PRM nas suas incursões”, afirmou.

Manufredo alertou que o descontentamento juvenil pode levar à formação de novos grupos insurgentes, alguns possivelmente aliados ao Estado Islâmico, dadas as vulnerabilidades e o abandono de regiões como Inhassunge. Ele também critica os governantes locais, que mal residem no distrito de Inhassunge por exemplo e apenas fazem visitas simbólicas para cumprir formalidades.

Outro ponto de crítica é a exploração das areias pesadas no distrito, cujos lucros não chegam à população local. “Não queremos precisar de forças estrangeiras para proteger os nossos recursos naturais no futuro”, destacou Manufredo.

O acadêmico também apontou exemplos de corrupção e nepotismo, como o caso de 10 milhões de meticais destinados à compra de uma embarcação para a travessia Quelimane-Inhassunge. A empresa contratada, Ok Corporation, que possui ligações com Marla Matos, filha do governador, nunca entregou um barco funcional para atender a população.

“Quando o terrorismo começou em Cabo Delgado, eram apenas bandidos comuns. Hoje, os chamam de naparamas. E não há garantias de que a nomenclatura não vá mudar em Inhassunge. O Estado não pode perder nem um centímetro de seu espaço geográfico”, concluiu Manufredo.

A situação na Zambézia reflete uma crise profunda enraizada no abandono estatal e na desigualdade social. A resposta das autoridades será crucial para evitar que os ventos de instabilidade se intensifiquem e avancem para o interior do país.

 

 

PRM escamoteia a verdade

A Polícia da República de Moçambique (PRM), através do chefe das Relações Públicas na província da Zambézia, Miguel Caetano, convocou uma conferência de imprensa nesta terça-feira (18) para prestar esclarecimentos sobre os recentes confrontos com os Naparamas em Lioma, distrito de Gúrue.

Segundo o porta-voz da PRM, a incursão do grupo insurgente ocorreu na madrugada de 17 de fevereiro de 2025, com ataques a estabelecimentos comerciais e saques de diversos produtos. Caetano afirmou que a resposta policial foi imediata e resultou na morte de quatro membros dos Naparamas e ferimentos em dois agentes da corporação.

Entretanto, informações apuradas pelo Txopela sugerem que a PRM deliberadamente ocultou os factos. No momento de fecho desta edição, fontes confirmaram a morte de dois agentes: um foi abatido durante os confrontos no dia 17 e o segundo sucumbiu aos ferimentos na manhã do dia 18, por volta das 8h.

A conferência de imprensa, realizada às 11h do dia 18, expôs inconsistências nos relactos oficiais. Durante a sua intervenção, Caetano declarou que os agentes feridos estavam “fora de perigo”, mesmo sabendo-se da gravidade da situação e sem qualquer consideração pelo sofrimento das famílias enlutadas.

“O confronto com os Naparamas resultou em quatro mortos do lado deles. Um dos nossos agentes foi atingido por uma azagaia na coxa, e outro sofreu um ferimento no braço devido ao lançamento de uma catana”, detalhou Miguel Caetano.

Apesar das declarações, o porta-voz insistiu que os agentes estavam em tratamento e livres de risco. “Os nossos colegas estão a receber tratamento hospitalar e encontram-se fora de perigo”, afirmou categoricamente.

Miguel Caetano ainda mencionou as movimentações dos Naparamas em vários distritos da Zambézia, incluindo Inhassunge, Luabo, Mopeia e Morrumbala, agora com uma presença confirmada em Gúrue.

 

 


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