Numa jogada que visa reconquistar a confiança de Washington, Maputo decidiu esvaziar parte do “cofre” das reservas internacionais para liquidar, de uma só vez, 630 milhões de euros ao FMI. O Governo sorri para o exterior, mas o sector privado recorda: a dívida interna continua a ser um cancro sem cura à vista.
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A ministra das Finanças, Carla Loveira, aproveitou o simbolismo do 7 de Abril para anunciar o que o Executivo considera um “feito histórico”: Moçambique já não deve um centavo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT). A liquidação integral e antecipada de 630 milhões de euros foi feita com recurso às Reservas Internacionais Líquidas (RIL), uma espécie de almofada financeira que, em janeiro, atingiu o recorde de 4.152 milhões de dólares.
Para a governante, a operação foi “limpa”. Ao usar activos depositados em instituições financeiras internacionais, o Governo evitou o desgaste de mexer no Orçamento do Estado e afastou o fantasma de uma crise de liquidez imediata nas instituições públicas. Contudo, a estratégia levanta debates sobre o custo de oportunidade de tal “generosidade” para com o Bretton Woods.
A Confederação das Associações Económicas (CTA) não tardou a reagir. CTA reconhece que o pagamento limpa a imagem de Moçambique no mercado financeiro global, por outro, o tom é de aviso. Os empresários, que lidam diariamente com o atraso de pagamentos do Estado e com taxas de juro domésticas proibitivas, lembram que a “credibilidade internacional” não põe comida na mesa se a dívida interna continuar a galopar.
“É um sinal relevante, mas a estabilidade macroeconómica deve ser acompanhada por medidas internas consistentes”, alertou a agremiação patronal, sublinhando que o país não pode viver apenas de “boa nota” junto dos parceiros de Washington.
Embora as reservas internacionais garantam pouco mais de três meses de importações, o uso agressivo destes activos para amortizações antecipadas é visto por analistas como uma faca de dois gumes. Se o metical ganha fôlego psicológico, o país perde margem de manobra para choques externos num contexto de incerteza global.
Com este pagamento, o Governo de Maputo tenta fechar um ciclo de dependência direta e escrutínio apertado, mas a questão que fica no ar das Redacções é: quando é que o Executivo usará a mesma celeridade para liquidar as “avultadas dívidas” que tem com os fornecedores nacionais, que continuam a financiar o Estado à força?
Para já, Loveira respira de alívio. O FMI recebeu o seu. O povo, esse, continua a esperar que a “folga” chegue ao mercado de consumo.
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