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7 de Abril de 2026 — Dia da Mulher Moçambicana
Presidente do Conselho Autárquico da Cidade de Quelimane
Quelimane, 7 de Abril de 2026
Minhas queridas munícipes,
Queridas mulheres de Quelimane e de todo Moçambique,
Há 51 anos, neste dia, Josina Machel morreu em Dar-es-Salaam, longe da terra que amava, mas perto da causa pela qual viveu. Tinha apenas 25 anos. Era guerrilheira, era pensadora, era mulher — e foi o espelho no qual Moçambique aprendeu a ver-se como nação capaz de se libertar. A sua vida curta teve a densidade de muitas vidas longas.
Mas Josina não esteve sozinha nessa geração de mulheres que recusaram a sujeição. Antes dela, ainda no tempo colonial, Joana Simeão ousou o que poucos homens ousaram: sonhou com a democracia, organizou-se politicamente, apresentou-se como candidata, defendeu a participação das mulheres na construção do país. Pagou esse sonho com a vida — foi assassinada. O seu nome ficou durante décadas nas sombras da história oficial, mas a sua coragem não desapareceu. Joana Simeão merece ser lembrada hoje, aqui, em voz alta, porque o silêncio à volta do seu nome foi ele próprio uma forma de injustiça.
São estas mulheres — Josina, Joana, e tantas outras cujos nomes não ficaram nos livros — que dão ao 7 de Abril o seu peso real. Não é uma data de celebração. É um dia de dívida. Uma dívida que esta geração tem para com as que vieram antes, e que só se paga continuando a lutar.
“A luta pela emancipação da mulher não é separada da luta pela libertação do povo.” — Josina Machel
AS QUE CONTINUAM A LUTA HOJE
Essa luta não terminou com a independência. Ela continua — e continua, em grande parte, porque há organizações e mulheres que não se conformam com o que ainda falta.
Quero aqui reconhecer e saudar a NAFEZA —, uma organização que tem trabalhado incansavelmente na defesa dos direitos das mulheres na nossa cidade. A NAFEZA é a prova de que a mudança não vem apenas de cima, não vem apenas dos governos — vem também das comunidades que se organizam, que educam, que denunciam e que amparam. Às suas dirigentes e membros, o meu reconhecimento sincero.
Da mesma forma, saúdo todas as organizações da sociedade civil, os grupos de mulheres nos bairros, as líderes comunitárias e as activistas que, muitas vezes sem recursos e sem holofotes, fazem o trabalho mais difícil e mais necessário: o trabalho de base, o trabalho de consciência, o trabalho que transforma pessoas antes de transformar leis.
Mas a luta não se faz apenas nas salas de reunião ou nos manifestos. Faz-se também — e sobretudo — no dia-a-dia desta cidade. E é esse dia-a-dia que eu quero hoje nomear, porque nomear é uma forma de ver, e ver é uma forma de respeitar.
Quando a cidade ainda dorme, e as estrelas ainda não se apagaram sobre o Bons Sinais, há mulheres que já estão nas ruas — vassoura na mão, pé no chão, a limpar os passeios e as avenidas para que Quelimane acorde bonita e digna. São invisíveis para muitos. Para mim, são essenciais.
Nos mercados — no Central, no Chabeco, em cada bairro desta cidade — são as nossas vendedeiras que garantem que as famílias têm o que comer. Com sol forte, com chuva, com o cansaço acumulado de dias que começam cedo e acabam tarde, elas estão lá. Com uma criança amarrada às costas e uma balança na mão, fazem girar a economia local de uma forma que nenhum indicador macroeconómico consegue medir com justiça.
Nos centros de saúde e no Hospital Geral de Quelimane, são as nossas enfermeiras, médicas e técnicas de saúde que amparam a vida quando ela mais precisa de amparo. São elas que seguram a mão de quem sofre, que trabalham turnos que a maioria de nós nunca viveu, e que carregam a responsabilidade de decisões que não admitem erro.
Nas esquinas, nas estradas, nos postos de controlo da nossa cidade — as nossas agentes de polícia garantem a segurança de todos. Com firmeza, com profissionalismo, com uma presença que muitas vezes é subestimada, são parte indispensável da ordem e da paz que queremos construir.
Nas salas de aula, desde o ensino primário até às instituições superiores, as nossas professoras moldam o futuro. Cada criança que aprende a ler, cada jovem que descobre o mundo através de um livro, leva consigo uma parte da dedicação e da vocação dessas mulheres extraordinárias. Ensinar é um acto político. Ensinar uma rapariga é um acto revolucionário.
Nas secretarias, nas repartições, nos serviços públicos — as funcionárias do Estado são a espinha dorsal da administração. São elas que atendem, que processam, que resolvem, muitas vezes em condições difíceis e com poucos recursos.
E nas nossas casas — o lugar onde tudo começa e tudo termina — são as mães e chefes de família que constroem o alicerce invisível da sociedade. Criam, educam, alimentam, consolam, ensinam e rezam. Fazem-no muitas vezes a sós, sem reconhecimento, sem descanso, com uma força que desafia toda a lógica e que devia envergonhar qualquer discurso que ainda trate a mulher como secundária.
Quelimane existe porque as suas mulheres não desistem. E Quelimane há-de crescer porque as suas mulheres continuam — teimosamente, corajosamente — a construir.
O QUE AINDA FALTA E O QUE NOS COMPROMETEMOS A FAZER
Seria desonesto da minha parte falar hoje apenas de celebração. Sei que o caminho ainda não é fácil. Sei que há mulheres nesta cidade que vivem sob ameaça de violência doméstica, que há raparigas que abandonam a escola cedo demais, que há desigualdades salariais, que há decisões tomadas sem a presença das mulheres nas mesas onde essas decisões deveriam ser partilhadas.
Sei também que organizações como a NAFEZA não existiriam se tudo estivesse bem. Elas existem porque há trabalho por fazer. E o facto de existirem, de resistirem, de continuarem — isso é em si mesmo uma mensagem para todos nós.
Como Presidente deste Conselho Autárquico, renovo hoje o compromisso de que a igualdade de género não é um slogan nesta autarquia — é uma orientação de governação. Queremos mais mulheres em lugares de liderança, mais raparigas a completar o ciclo escolar, mais mecanismos de protecção para as que são vítimas de violência, e mais espaços de participação para as que querem contribuir para o desenvolvimento da cidade.
Não o faremos sozinhos. Faremos em parceria com as organizações da sociedade civil, com as comunidades, com as famílias, com cada cidadão e cidadã que acredita que uma cidade justa é uma cidade onde ninguém é deixado para trás por causa do seu género.
Neste 7 de Abril, olho para Quelimane e vejo uma cidade que tem muito por agradecer às suas mulheres. E olho para o futuro e vejo uma cidade que tem muito por fazer por elas.
Que este dia seja mais do que uma pausa no calendário. Que seja um ponto de partida. Que a memória de Josina e de Joana, e de todas as que lutaram, nos obrigue a ser melhores — não apenas hoje, mas todos os dias.
Feliz Dia da Mulher Moçambicana. Com respeito, com admiração e com gratidão profunda.
Dr. Manuel de Araújo
Presidente do Conselho Autárquico da Cidade de Quelimane
Quelimane, 7 de Abril de 2026
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