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Por: Márcio Morais / Ambiente e Desenvolvimento
Os portos não movimentam apenas mercadorias. Movimentam oportunidades, sustentam economias e têm impacto directo na vida das pessoas e das comunidades. Em Moçambique, um país com extensa linha costeira e múltiplos corredores logísticos, as infra-estruturas portuárias são activos estratégicos que podem integrar o país nos mercados regionais e globais. Começa a ser cada vez mais evidente, porém, que a demora na criação do Porto de água profundas de Macuse em Namacurra está a ter um custo económico, social e até psicológico para a Zambézia e para o país.
O valor estratégico dos portos e dos corredores logísticos tem sido sublinhado por líderes nacionais. Recentemente, a primeira-ministra de Moçambique declarou publicamente que os corredores logísticos e portos são “activos estratégicos para a cooperação com investidores internacionais e para o desenvolvimento económico continuado do país”.
Para prestadores de serviços, operadores logísticos e pequenos empresários locais, a expectativa pelo porto de Macuse é real. Muitos aguardam uma infraestrutura capaz de reduzir custos, criar mais empregos e dinamizar cadeias produtivas locais, mas, até ao momento, a obra ainda não saiu do papel. Essa demora já alimenta um sentimento generalizado de frustração que vai além das projeções de receitas.
Os ganhos estimados para o Estado, caso este porto movimente 5 a 10 milhões de toneladas por ano variando de cerca de 15 a mais de 30 milhões de dólares em receitas directas mostram apenas parte da história. Cada ano de atraso representa, potencialmente, milhões que deixam de ser arrecadados para os cofres do estado, além da perda de oportunidades para formalização empresarial e geração de emprego.
A própria experiência dos portos existentes reforça essa reflexão. Por exemplo, o Porto de Maputo reportou volumes recordes e crescimentos expressivos em 2025, com um impacto directo no esforço logístico nacional e regional. Isso mostra que onde há capacidade instalada e actividade consolidada, surgem efeitos positivos que reverberam para além das fronteiras portuárias.
Enquanto isso, em regiões como a Zambézia, a ausência de um porto estruturante mantém custos logísticos elevados e limita o acesso a mercados exteriores, notam empresas que actuam na área têxtil e de exportação agrícola. Esse contexto cria ansiedade no sector privado e levanta questões sobre prioridades de investimento público-privado, coordenação institucional e clareza sobre os passos seguintes para a materialização do projecto.
A Província da Zambézia neste momento a espera, com razão, por mais do que um porto, espera desenvolvimento integrado, dinamização económica e uma participação mais plena no futuro logístico de Moçambique. A questão que se impõe é clara: quanto custa, para a economia provincial e nacional, cada ano em que o porto de aguas profundas de Macuse permanece apenas projecto?
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