A decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de autorizar parcialmente o uso do Estádio Nacional do Zimpeto para jogos internacionais, anunciada esta semana pela directora do Fundo de Promoção Desportiva, Sílvia Langa, não deve ser lida como sinal de progresso. Pelo contrário: revela, mais uma vez, o estado de degradação técnica e moral das nossas instituições públicas.
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Interdito desde Fevereiro devido a graves anomalias detectadas pela CAF – falhas que comprometiam a segurança de jogadores, adeptos e staff técnico – o maior estádio do país só poderá agora acolher jogos durante o dia e com uma lotação reduzida a 15 mil espectadores. Um terço da sua capacidade oficial.
Este gesto da CAF, ao limitar o uso da infra-estrutura, é menos uma autorização e mais um alerta: Moçambique está a falhar na preservação e gestão dos seus bens públicos. E falha por falta de visão estratégica, de cultura de manutenção e de responsabilização efectiva.
O Estádio Nacional do Zimpeto, construído com verbas avultadas e com elevado simbolismo nacional, deveria ser exemplo de modernidade, orgulho e competência. Em vez disso, converteu-se num monumento à inoperância institucional, à ausência de fiscalização sistemática e à impunidade de quem deveria zelar pelo património do Estado.
O mais grave é que esta realidade já não choca ninguém. A sociedade foi sendo anestesiada com discursos de circunstância, relatórios ocultos e inaugurações pomposas que não resistem ao teste do tempo. Hoje, as pessoas assistem, com desconfiança e resignação, à encenação de normalidade montada pelas autoridades desportivas.
Enquanto se festeja a “reabertura” do Zimpeto, o país profundo pergunta: quem será responsabilizado por esta vergonha? Quantos recursos públicos foram desperdiçados? Qual é o plano concreto para garantir que esta infra-estrutura não volte a ser interditada em seis meses?
O que está em causa não é apenas um estádio. É a credibilidade das instituições. É a confiança dos cidadãos. É o futuro do desporto moçambicano.
No Jornal Txopela, acreditamos que o país só avançará quando deixarmos de aceitar a mediocridade como inevitável e começarmos a exigir contas claras aos gestores da coisa pública. O Zimpeto é um símbolo — mas que não se torne o símbolo do nosso fracasso colectivo.
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