O Município de Quelimane procedeu recentemente à demolição parcial de um estabelecimento comercial localizado no bairro Torrone Velho, sob alegação de que a infra-estrutura obstruía o curso das águas pluviais e ocupava de forma irregular o passeio público. A medida, inserida no quadro de um alegado plano de reestruturação urbana, está a levantar sérias questões de coerência e equidade, uma vez que até ao momento, passados quase sete dias da acção, o Alone Boottle Store continua a ser o único alvo de intervenção.
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De acordo com representantes da edilidade, a acção resultou do cumprimento de um despacho do edil Manuel de Araújo, antecedido por notificações formais e tentativas de diálogo com o proprietário. “Iniciámos uma campanha para garantir a livre transitabilidade e a segurança dos peões, particularmente em zonas críticas onde o comércio tomou de assalto os passeios”, explicou uma fonte técnica do município.
Contudo, do lado visado, a contestação é frontal. O gerente da loja demolida denuncia falta de transparência no processo e acusa os técnicos municipais de perseguição selectiva. “O Município nunca respondeu aos nossos recursos. Há muitos outros estabelecimentos a ocupar os passeios em toda a cidade, mas só nós fomos atingidos. Isto é perseguição, pura e simples. Estavam aqui 11 trabalhadores que agora podem ir parar ao desemprego”, acusou, visivelmente indignado.
De facto, uma ronda pela cidade permite constatar a presença visível de dezenas de estabelecimentos comerciais erguidos sobre passeios e valas de drenagem. Apesar disso, nenhuma outra estrutura sofreu até agora qualquer acção correctiva ou demolidora, o que fragiliza a narrativa da edilidade sobre um plano estruturado de reordenamento urbano.
Ainda assim, o Município insiste que a operação vai continuar, e que todas as ocupações que perturbem a transitabilidade dos cidadãos serão alvo de intervenção nas próximas fases. “Não há intocáveis”, garantiu um responsável técnico, sem avançar prazos concretos para a expansão das acções.
Para muitos observadores, o episódio expõe a fragilidade dos critérios de actuação do Município, levantando dúvidas sobre se está em curso uma verdadeira reestruturação urbana ou apenas uma acção selectiva com contornos políticos e pessoais mal disfarçados.
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