As tensões no seio da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) voltam a escalar. Antigos guerrilheiros do maior partido da oposição em Moçambique anunciaram que vão encerrar, de forma definitiva, todas as delegações do partido no país, em protesto contra o que consideram ser a “inércia e má gestão” da atual liderança liderada por Ossufo Momade.
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Em declarações à DW África, João Machava, porta-voz do grupo de veteranos, acusou a direção do partido de ignorar deliberadamente os apelos à convocação de um Conselho Nacional alargado — um fórum crucial para a prestação de contas e definição de rumos partidários — após o fim do prazo de 20 dias dado à liderança, que terminou no domingo (14.07).
“Demos uma trégua e abrimos as delegações no dia 23 de junho, à espera de uma resposta. Até hoje, nada foi feito. O prazo expirou. Agora é ativar o encerramento em todas as províncias”, afirmou Machava à emissora alemã.
A RENAMO havia inicialmente previsto realizar o primeiro Conselho Nacional de 2025 nos dias 7 e 8 de março, mas o evento foi adiado, sem nova data anunciada. Desde então, vozes críticas dentro da estrutura do partido têm exigido transparência e a retoma do debate interno, que consideram sufocado pela atual liderança.
O silêncio persistente de Ossufo Momade é interpretado por alguns setores como uma estratégia deliberada para evitar responsabilização. Machava acusa diretamente o presidente da RENAMO de desviar fundos do partido para fins privados e cortar o financiamento às estruturas distritais e provinciais.
“Cortou os subsídios dos delegados e cancelou o fundo de funcionamento das províncias. Depois diz que não há dinheiro para realizar o Conselho Nacional. Então, para onde vai o dinheiro que o partido recebe do Estado?”, questionou.
Mais do que uma disputa interna, o descontentamento começa a adquirir contornos mais tensos. João Machava deixou claro que os ex-guerrilheiros estão dispostos a enfrentar qualquer intervenção da polícia com firmeza.
“Não receamos uma resposta armada. Já dissemos à polícia para não se meter. Se o fizer, vamos responsabilizar quem a convidou: Ossufo Momade e os seus apoiantes”, declarou, levantando preocupações quanto à estabilidade dentro do próprio partido e aos possíveis reflexos na segurança pública.
O porta-voz dos veteranos afirmou ainda que, caso a liderança continue a ignorar as exigências, novas medidas serão anunciadas nos próximos dias.
“Daqui a sete dias vamos dizer qualquer coisa ao povo moçambicano, porque não estamos parados. Estamos a trabalhar”, concluiu, sem especificar que tipo de ações poderão ser tomadas.
A RENAMO, historicamente marcada por conflitos internos e disputas de liderança desde a morte de Afonso Dhlakama em 2018, enfrenta mais um momento delicado. A gestão de Ossufo Momade, que assumiu o cargo após um processo conturbado de sucessão, continua sob forte escrutínio, sobretudo de antigos combatentes que se sentem excluídos das decisões do partido.
Apesar das denúncias e ameaças, até ao momento, a liderança da RENAMO mantém-se em silêncio. Não foi possível obter uma reação oficial sobre as acusações levantadas pelos ex-guerrilheiros.
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