José Mutoroma é, desde esta quarta-feira (19), o novo administrador do distrito do Búzi, província de Sofala, em substituição de João Saíze, agora fora do aparelho do Estado por via da reforma. A nomeação, anunciada pelo governador Lourenço Bulha, ocorre num contexto de urgência, onde o distrito continua a enfrentar os impactos estruturais do ciclone Idai, ocorrido há cinco anos.
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Transferido da cidade da Beira, Mutoroma chega a um território com cicatrizes profundas, onde a reconstrução continua marcada por lentidão, promessas incumpridas e comunidades à margem das decisões centrais. A tarefa é tudo menos simbólica: reabilitar escolas, centros de saúde, estradas e devolver alguma normalidade às populações que perderam quase tudo.
Durante a cerimónia de apresentação, o governador de Sofala não poupou nas exigências. Pediu celeridade na recuperação das infraestruturas sociais e económicas, combate directo à corrupção e ao nepotismo, e valorização dos quadros locais. “A liderança distrital tem de ser funcional, presente e com capacidade de resposta. A população do Búzi não pode continuar à espera”, advertiu Bulha.
O chefe do executivo provincial garantiu o apoio institucional à nova liderança, frisando que os investimentos do Governo Central na zona continuarão, mas que a eficácia dependerá da coordenação local e da responsabilização dos gestores públicos.
Num gesto de reconhecimento, Bulha agradeceu a João Saíze pelo que classificou como “resistência firme” durante os dias de caos provocados pelo Idai, e pela entrega à causa pública mesmo em condições extremas.
O Txopela apurou junto de fontes locais que as expectativas em torno da gestão de Mutoroma são altas, embora persistam dúvidas quanto à capacidade real de mobilização de recursos, face ao desgaste do tecido económico e à burocracia que ainda reina nos programas de reconstrução. Observadores sublinham que o novo administrador terá de provar que não é apenas mais um nome num cargo, mas sim uma resposta concreta aos problemas acumulados no Búzi.



