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O LADRÃO MAIS ESPERTO DO MUNDO

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Imaginemos um cenário insólito, mas que se tornou normal e rotina em Moçambique: um ladrão que te agride e te rouba em plena luz do dia. Quando finalmente o apanhas e esperas que te peça desculpa e devolva o que levou, ele simplesmente te diz: “Vamos dialogar!” Não só diz para dialogar, também estabelece regras e sobre o que vai se dialogar. Por exemplo nesse diálogo inclui que tipos de janelas tens que colocar na sua casa, o tipo de alarme para o seu carro,…Parece piada, mas é exactamente assim que decorre o processo eleitoral moçambicano desde a introdução do multipartidarismo.

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A Frelimo, partido no poder desde a independência, nunca venceu uma eleição de forma limpa e transparente. Sempre se valeu de esquemas eleitorais fraudulentos para se manter no poder. A cada ciclo eleitoral, surgem novas formas,de manipulação, outras mais sofisticadas que outras, outras mais violentas caracterizadas por: enchimento e roubo de urnas, exclusão de concorrentes legítimos, adulteração de actas e editais, desaparecimento de boletins de votos, duplicação de cartões de vote, baleamento de votantes, e agora, a institucionalização do “diálogo” como senha de impunidade.

Desde as primeiras eleições multipartidárias, a história tem sido repetitiva e cínica até parece um seriado da “La casa de Papel” a Frelimo rouba, os “derrotados” contestam, a comunidade internacional finge preocupação, e logo surge o famigerado “diálogo”, isto é, em cada cinco anos Moçambique tem o diálogo sobre o roubo: Um processo que, na prática, é apenas um anestésico político, para poderem governar. Ele se arrasta por dois, às vezes três anos, até que se atinja um “acordo” perto do fim do mandato.

Nesse tempo, a Frelimo governa com base no roubo, com a legitimidade fabricada à força da violência, do silêncio judicial e do conformismo institucional com o grande e incontestável padrinho o Conselho Constitucional. Foi assim que fizeram com o falecido Afonso Dhlakama, líder incontestável da oposição e Pai da Democracia Multi-partidária; Continuaram com o General Ossufo Momade, como resultado à RENAMO está a desfazer da sua luta democrática e agora a armadilha do seriado do roubo está sendo armada para Venâncio Mondlane, símbolo de uma nova resistência política e a esperança da verdadeira liberdade dos Moçambicanos. Todos são levados à mesa de diálogo, não para encontrar soluções reais, mas para legitimar uma farsa governação e prolongar o mandato dos usurpadores. O diálogo, que em contextos democráticos deveria ser um instrumento de construção nacional, em Moçambique tornou-se o cajado de sobrevivência da Frelimo.

Se o diálogo fosse verdadeiro, bastariam seis meses para o entendimento e outros seis para a sua implementação. Mas aqui, ele é usado para adormecer os roubados e empurrar o tempo até que já não haja espaço para reverter nada, porque se está no fim do mandato. Onde estão aquele que diziam “Chapo não vai governar”? Está ou não está a governar? Esta! Onde estão aqueles que diziam “Chapo não vai pisar Nampula, fique aí mesmo em Maputo”? Chapo foi ou não a Nampula? Foi! Onde estão aqueles que diziam “se Chapo ganhou por que não sai à rua saudar os 70%, fazer comício popular”? O Chapo está a fazer comícios ou não? Está! Está a fazer isso tudo apoiando-se no diálogo do roubo.
A cada ciclo, os mesmos erros, as mesmas promessas, o mesmo teatro, e os mesmos resultados.

A verdade nua e crua é esta: a Frelimo nunca ganhou eleições de forma Livre, Justa, Democrática e Transparente. Sempre governou porque soube roubar com esperteza, violência e manipular com habilidade. A sua maior arma não é o voto, é a fraude disfarçada de diálogo. E nós, como povo, junto aos partidos da oposição e a sociedade civil, continuamos a cair na mesma armadilha.

Desta vez esperava-se que tivesse chegado tempo de romper esse ciclo vicioso, mas mais uma vezes o ladrao triunfou. O povo moçambicano continua a ser cúmplice involuntário de uma democracia de fachada. É preciso recusar o “diálogo” enquanto continuar um instrumento de burla política. Ou o diálogo é sério, curto e eficaz, ou não é diálogo é engano. Caso para dizer temos em Moçambique um Ladrao mais esperto do Mundo.


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James Njinji
James Njinjihttps://www.txopela.com
James Njinji é um pensador atento às dinâmicas sociais e políticas de Moçambique, colaborando com o Jornal Txopela na análise crítica de temas contemporâneos. Com uma escrita incisiva e comprometida com a verdade, suas colunas oferecem reflexões profundas sobre os desafios e as esperanças do país.

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