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Golpe de Estado ou simples temores?

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Temores e não só levaram Zito do Rosário Ossumane a escrever pelo seu próprio punho um texto sob o título “O risco de um golpe de Estado (…)”.

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 Quem apresenta essa opinião, que é administrador deste OCS, mostra-se preocupado. Gostaria de buscar o que ele assinala para o deixar – permita-me ele que o faça – descansado.

 Apresentarei dois ou três motivos para o relaxar, o que corresponde à minha experiência de jornalista e de vida.

 Um golpe de Estado não se faz de um dia para o outro, de um mês para o próximo ou como quem estala dedos. Tem de ser planificado. Traçado a régua e esquadro para não se espatifar e ser abafado, logo às primeiras investidas. Tem de ter uma rectaguarda protegida. Tem de ter gente operacional.

 Por outro lado, um golpe de Estado não pode realizar-se e ter êxito, a partir do momento que, em público, se veio dizer, como o fez o Zito, que desceram do Norte e do Centro membros da Renamo que querem tomar de assalto a sede desse partido, na Capital e, depois, por ventura, apear o poder instituído, o Governo em funções.

 Ainda mais: o actual poder, certificado pela frelimo e os seus elementos, todos bem perfilados nos tachos e com excelentes remunerações, perante um povo empobrecido e faminto, está blindado pela força que sabe ter na RPM e nas Forças Armadas. Estes dois pilares, também eles “escravos” do mesmo poder, defenderão o Governo e toda a estrutura do Estado.

 Ora, e assim sendo, trata-se de uma verdadeira “teoria da conspiração” que o nosso Zito aqui quis trazer, aliás, alertando o poder central para qualquer eventualidade. Os serviços secretos do País, apoiados pelo SISE, ex-SNASP, já devem estar por dentro do assunto…não dormem.

 Na minha visão, desapaixonada e equidistante da que poderá envolver um moçambicano sobre o tema, penso que qualquer golpe de Estado faria bem ao País. Abanaria as estruturas; limparia a poeira que tem assentado nos últimos anos sob a “coisa pública”; poderia fazer emergir um Governo de Salvação Nacional; e deveria correr com toda a “malta” que se tem atrelado à Frelimo; e, também, varreria os elementos de uma máquina político-partidária – frelimo – que já deu mostras de não perceber nada, de nada, de como se gere e administra uma Nação, para a fazer progredir e ter riqueza.

 Às vezes, caro Zito, esses temores e medos já contribuem para que se introduzam mudanças não vá, como se sói dizer-se, o diabo tecê-las. Moçambique anda em águas brandas…já mais de meio século. Tempo a mais e sem efeito prático. Só conversa. Não estou a apelar à insurreição. Mas, e aqui para nós, o sr. V. Mondlane, tentou um golpe de Estado quando, pós as últimas eleições, fez sair à rua uma juventude insatisfeita e com o estômago vazio. O Estado atirou-se a eles, com gato a bofe. O Estado estancou a desordem. O Estado não permitiu tumultos e atentados ao seu próprio coração. Faz bem agitar as ideias, mas sem que o sangue corra nas ruas. Em Portugal, a revolução foi de cravos nas espingardas… um exemplo da nossa maneira de sermos povo e cidadãos. Ainda há quem nos queira balear com conversas de escárnio e maldizer.

                                              António Barreiros, jornalista


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