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Garimpeiros ilegais semeiam terror em Luluti, Nampula

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A vila de Luluti, no distrito de Mogovolas, província de Nampula, voltou a ser palco de violência e desordem pública, desta vez protagonizada por um grupo de cerca de 300 garimpeiros ilegais, que, na passada segunda-feira, vandalizaram e saquearam propriedades de cidadãos estrangeiros em retaliação à proibição do acesso a uma mina.

Foto do Jornal IKWELI
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A ofensiva, marcada por actos de pilhagem e destruição, teve como alvo lojas e residências pertencentes a comerciantes estrangeiros, naquilo que as autoridades locais consideram uma reacção descontrolada à intervenção das Forças de Defesa e Segurança (FDS). Estas haviam levado a cabo uma operação para impedir a exploração ilegal de uma jazida minerária, cuja posse é atribuída a um cidadão estrangeiro, cuja nacionalidade, até ao fecho da presente edição, permanecia por apurar.

Segundo o administrador do distrito de Mogovolas, Emanuel Impissa, citado pelo jornal Carta de Moçambique, a mina em causa localiza-se a cerca de nove quilómetros da sede administrativa de Luluti e tem sido cobiçada por grupos de garimpeiros não licenciados, que, diante da pressão oficial, optaram por canalizar a sua fúria para alvos civis.

Durante os confrontos, várias pessoas sofreram ferimentos ligeiros, mas fontes locais reportam que o ambiente permanece tenso, com os residentes estrangeiros a temerem novos episódios de violência.

Este incidente é apenas mais um capítulo numa sequência de convulsões sociais que têm fustigado o distrito de Mogovolas nos últimos meses. Após as eleições gerais de Outubro foi sacudida pelas manifestações populares que descambaram em tumultos, alimentados por alegações de fraude eleitoral e repressão policial.

Mais recentemente, a espiral de violência agravou-se com a disseminação de boatos sobre as causas da cólera, culminando no linchamento de líderes comunitários e na destruição de infra-estruturas básicas. A desinformação galopante levou, inclusive, ao encerramento de uma unidade de saúde e à retirada da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), acusada pela população local de estar a “disseminar a doença”.


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