Nampula – Foi com um sorriso largo e um corte de fita solene que o Presidente do Conselho Municipal de Nampula, Luís Madubula Giquira, deu por inaugurado o mais recente templo do consumo na capital do norte o Nampula Mart. Um espaço comercial ambicioso, plantado estrategicamente na Rua de Tete, onde o alcatrão ainda é promessa e a poeira é vizinha de todas as manhãs.
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O novo mercado, misto de bazar popular e centro comercial minimalista, junta tudo no mesmo lugar, desde sacos de arroz e até liquidificadores de terceira geração e kebabs com molho agridoce. É, segundo o edil, um símbolo de resiliência económica, fruto do esforço de agentes económicos que, apesar das dificuldades, continuam a apostar no crescimento da cidade.
Mas a questão que se levanta, entre o tilintar das moedas e o cheiro a frango grelhado, é: crescimento para quem? E mais ainda, qual o modelo de cidade que Giquira está a tentar moldar? Por detrás do brilho das vitrinas recém-instaladas, o Nampula Mart espelha uma tendência cada vez mais evidente, a tentativa de institucionalizar a informalidade sob fachadas modernas. Muitos dos comerciantes ali presentes são os mesmos que, dias antes, montavam as suas bancas em estruturas improvisadas ou vendiam ao relento. Agora, pagam rendas e adaptam-se ao figurino semi-urbano que o município tenta impor.
Giquira fala de revitalização económica e circulação de produtos nacionais e importados, mas o que se viu na inauguração foi uma forte presença de artigos chineses e sul-africanos, com poucas bancas a exibirem rótulos “Made in Moçambique”. O discurso da soberania económica ainda não chegou às prateleiras.
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