Em mais um episódio que expõe o nervo exposto da liberdade de imprensa em Moçambique, dois jornalistas da TV Sucesso foram agredidos na passada quarta-feira, 14 de Maio, no Hospital Geral da Polana Caniço, em Maputo, enquanto investigavam uma denúncia pública. O caso envolveu directamente a directora da unidade hospitalar, que, segundo os profissionais agredidos, liderou o ataque — verbal e físico — com auxílio dos seguranças da instituição.
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O repórter Alfredo Guitimela e o operador de câmara Cláudio Manhique deslocaram-se à unidade sanitária para confirmar informações segundo as quais o elevador do hospital estaria avariado há cerca de dois meses, situação que afectava gravemente a mobilidade de pacientes e o funcionamento da unidade hospitalar.
“A directora do hospital aproximou-se e iniciou uma abordagem hostil, dizendo que estávamos a invadir o hospital e que não tínhamos autorização para filmar”, relatou Guitimela à imprensa, ainda visivelmente perturbado com o episódio.
A versão do jornalista aponta para uma escalada de agressões após a equipa tentar explicar que estava devidamente identificada e que apenas buscava resposta institucional a uma denúncia de interesse público. Segundo o repórter, a directora partiu para insultos: chamou os profissionais de “jornalistas sem ética” e classificou a TV Sucesso como “televisão de quinta categoria”. Um dos seguranças, ao tentar impedir a filmagem, deixou cair o equipamento da televisão, danificando-o.
MISA reage: “É censura, é violência, é crime”
A reacção do MISA Moçambique foi imediata e contundente. Em comunicado tornado público esta quinta-feira (15), a organização que defende a liberdade de imprensa classificou o acto como um atentado grave e repudiável contra o exercício da profissão jornalística em Moçambique.
“Trata-se de uma violação da liberdade de imprensa e expressão, além de representar um ataque directo à integridade física e psicológica dos profissionais de comunicação”, lê-se no documento.
O MISA exige o esclarecimento e responsabilização dos autores da agressão, apelando ao Ministério da Saúde e ao Governo para que ponham fim à cultura de impunidade e garantam condições seguras e legais para o exercício do jornalismo em espaços públicos.
A organização lembra que os jornalistas estavam no exercício do seu dever constitucional de informar e que a conduta da directora do hospital contraria os princípios democráticos consagrados na Constituição da República e na Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.
Jornalismo sob cerco em instituições públicas
O episódio do Polana Caniço junta-se a uma longa lista de incidentes em que funcionários públicos confundem o espaço do Estado com propriedade pessoal, e tratam o jornalismo de investigação como ameaça ao poder, em vez de ferramenta de responsabilização democrática.
O caso remete, mais uma vez, à urgente necessidade de formação ética e cívica de gestores públicos, bem como à adopção de mecanismos claros que inibam o abuso de autoridade e o uso da força contra jornalistas.
“Solidarizamo-nos com os colegas da TV Sucesso”, encerra o MISA, reafirmando o seu compromisso com um jornalismo que se quer livre, digno e sem medo de subir escadas — mesmo quando o elevador está avariado.
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