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Carta Aberta a Joel Amaral, o Mc Trufafá

Data:

Uma saudação, caro abalaga:

 Como sabe não nos conhecemos pessoalmente, mas já ouvi falar de si. De mim, ao contrário, nunca o sr. ouviu falar de mim. Mas eu sou um simples cidadão, enquanto o sr. é político e cantor, foi autarca e é assessor de uma figura do social-política moçambicana. Gostava de lhe dizer que sou um estudioso e pesquiso, faz muitos anos, sobre os caminhos tresmalhados de Moçambique.

 Passo a deixar claro que repudio, com toda a veemência, o atentado de que foi alvo. Mas, olhos nos olhos, deixe-me que lhe diga:

 1 – deram-lhe alguns tiros para se livrarem de si, talvez cabendo a responsabilidade à mesma organização de sempre, a que, já faz 50 anos, a Frelimo, tem conduzido, com artes de malvadez e de malfeitorias o seu País à miséria, introduzindo convulsões e actos de toda a ordem, para humilhar e vergar o povo;

 2 – teve o sr. muita sorte porque uma das balas que o podia ter matado só lhe raspou o crânio;

 3 – é preciso apurar quem estará interessado em “limpar-lhe a vida”.

 Posto isto, e seguindo uma nota que produziu e colocou a circular, o sr. atribui a Deus o facto de não ter morrido, rotulando-o de um milagre.

 Quero saudar essa sua postura pública de agradecimento a Deus por lhe ter poupado a vida.

 Entretanto, li – não sei se o sr. saberá disso e se são declarações suas ou falseadas – que teria escrito (uso, por isso, o condicional) o seguinte, em termos genéricos e resumidos: que o colonialismo, a religião e a democracia são “produtos” do capitalismo e do Ocidente. Não posso acreditar.

 Quando o sr. atribui a Deus o milagre de não ter morrido é porque é crente, logo religioso. O sr., por outro lado, tem lutado pela democracia para banir a opressão. Ora, isso não está no seu crédulo de ser oposição à ditadura mascarada de democracia da frelimo…

 Espero que o Amalala, um novo partido criado por V. Mondlane de quem o sr. é, aliás, assessor, depois de o MC Trufafá ter estado no CAD, possa fazer-lhe prosseguir os seus desígnios partidários e políticos. Será que V. Mondlane ficará pelo Amalala, pós ter passado pelo MDM, Renamo e CAD e, ainda, se ter apresentado como candidato a PR pelo “Podemos”? Saltitar mostra pouca “espinha dorsal”.

 Deixo-o com duas notas: 1 – não misture Deus com partidos e política, porque Ele é do Reino dos Céus e do Espiritual; enquanto que os segundos são mundanos…; 2 – estabeleçam-se, de uma vez por todas, Planos e Programas credíveis para Moçambique, com estrado no Ensino e na Instrução, para mudar mentalidades, mas sem o recurso ao slogan marxisto-agnóstico “o povo ao poder”. Uma última observação: sabe de que precisa, urgentemente, Moçambique? Permita-me a sugestão: de um Plano de Salvação Nacional e de se Refundar…

 Com uma saudação do Abalaga, António Barreiros/Jornalista


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