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Quando a praia se torna aula: Lições de cidadania em Paquitequete

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Na praia de Paquitequete, em Pemba, não foi apenas o lixo que se retirou da areia e do mar — foi também o desleixo ambiental que se sacudiu da consciência colectiva. Um dos recantos naturais mais emblemáticos da costa moçambicana foi, no último sábado, palco de uma jornada cívica e ecológica que devolveu dignidade a um espaço tantas vezes esquecido pelas políticas públicas, mas sempre amado pelos que nele vivem e resistem.

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Organizada pelas associações AMOR, KUPENDANA e ASMOG, com apoio institucional do Conselho Municipal de Pemba, a acção de limpeza mobilizou 50 membros da comunidade local, num gesto que transcende a simples recolha de resíduos — trata-se de reconquistar o território e reeducar os hábitos.

2.881,8 kg de resíduos sólidos. Não é apenas um número: é o peso da negligência, mas também o símbolo do que pode ser revertido com organização e vontade. A KUPENDANA liderou com 1.585,7 kg, seguida da ASMOG com 1.296,10 kg, entre resíduos PET, HDP e mistos — os fantasmas modernos que insistem em assombrar as nossas águas e margens.

“Não viemos apenas limpar. Viemos lembrar que este espaço tem dono, tem vida, e tem futuro,” afirmou uma voluntária da AMOR.

A acção, integrada no projecto RRCM, não se limitou à limpeza. Trouxe consigo uma pedagogia de sustentabilidade: ensacamento, pesagem, triagem e até aquisição dos resíduos recolhidos, promovendo a lógica da economia circular. É o lixo a transformar-se em lição. É a poluição a dar lugar à acção consciente.

E mais do que qualquer maquinismo institucional, foi o corpo dos moradores — braços, rostos, vozes — que deu alma ao dia. Mulheres, jovens, crianças, todos partilharam sacos, sorrisos e a certeza de que cuidar do ambiente é cuidar de si mesmos.

O que aprendemos em Paquitequete?

Que a mudança não virá de cima, mas sim de dentro e de baixo. Que as praias não precisam apenas de turistas, mas de ternura e zelo. E que o país que queremos começa por cada palmo de areia que escolhemos não deixar ao abandono.


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