Quelimane, 11 de Fevereiro de 2025 – Um grupo de residentes do bairro Morropúe, em Quelimane, invadiu ontem um terreno privado, numa acção que segue a tendência de ocupações forçadas de terrenos ociosos que se espalha pelo país. O acto insere-se num movimento de manifestações públicas que surgiram após a validação dos resultados eleitorais pelo Conselho Constitucional, que deu vitória à Frelimo e Daniel Chapo, apesar das denúncias generalizadas de fraude eleitoral.
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O espaço, com dimensões equivalentes a dois campos de futebol, é identificado como pertencente ao falecido General Bonifácio Gruveta Massamba, antigo governador da Zambézia pelo partido Frelimo. A principal justificação dos ocupantes é a falta de soluções para o avanço da erosão que ameaça suas casas há anos, sem qualquer resposta por parte do Governo ou da edilidade de Quelimane.
O problema da erosão costeira tem sido amplamente documentado, confirmando as queixas dos moradores. Um estudo da Universidade Eduardo Mondlane revela que na margem de Sangariveira, a maior perda de terra ocorreu entre 2011 e 2014, com 4,8 metros erodidos, enquanto na margem de Ivagalane, a maior erosão registada foi entre 2017 e 2018, com um recuo de 3,9 metros, enquanto a margem oposta perdeu 1 metro.
“Não podemos esperar mais. As nossas casas estão a cair, não temos alternativa”, disse um dos ocupantes à nossa reportagem. Segundo os moradores, a ocupação não se trata de vandalismo, mas sim de sobrevivência, uma vez que as autoridades nunca ofereceram uma solução concreta para o reassentamento.
Manuel de Araújo ignora situação e sugere que população fique com o terreno
O Presidente do Conselho Municipal de Quelimane, Manuel de Araújo, minimizou a ocupação do terreno, afirmando que “isso acontece em todo o país, não é um problema apenas de Quelimane”. Mais surpreendente ainda, o edil disse aos jornalistas: “Deixa eles levarem”, sugerindo que não pretende tomar qualquer medida para conter a ocupação.
A declaração foi feita no final de um encontro de trabalho em que Araújo recebeu 200 mil meticais do empresário Cláudio Fone, destinados ao apoio às vítimas do ciclone. Entretanto, a população afectada pela erosão e sem habitação continua sem resposta, restando-lhe apenas a ocupação de terrenos como último recurso.
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